ATUALIZANDO A DISCOTECA: The Adicts, “And It Was So!” (2017)

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The Adicts: “And It Was So!” (2017, Nuclear Blast, Shinigami Records) NOTA:9,0

O livro “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, criou uma imagética distópica violenta, extremista, filosófica e psicologicamente deturpada tão marcante, amplificada pelo filme dirigido pelo genial Stanley Kubrick, que permeia as outras artes desde então, não sendo diferente no mundo da música. Dentre vários nomes, a banda inglesa de punk rock The Adicts, formada ainda na segunda metade da década de 1970, no nascedouro do gênero, talvez seja a mais relevante daquelas que se influenciaram na “mitologia” criada pela adaptação cinematográfica do livro.

Inspirada nos “droogs”, um termo referenciado como amigo no dialeto nadsat criado por Burgess com base nas gírias rimadas antigas, linguagem cigana e raízes eslavas, a banda buscou todo os aspectos “ultraviolentos” (outro termo comum do livro) de imagem e postura do grupo liderado pelo protagonista Alex para criar seus visual, se destacando na cena underground e emplacando ao menos um sucesso na parada inglesa: “Bad Boy”, de seu segundo álbum,  “Sound of Music” (1982).

Confira o clipe da faixa-título… 

E pela capa deste “And It Was So!”, décimo primeiro álbum lançado após um hiato de cinco anos, a inspiração permanece firme e forte, em arte gráfica e música, que permanece centrada no genuíno punk rock britânico, com uma mão de verniz moderno em sua  obscuridade distópica, decadente e fria, como já é perceptível em “Picture The Scene”, a abertura dramática, com baixo marcado, que deságua num punk desajustado temperado como rock opera nos detalhes.

Um destaque já no abrir das cortinas do disco, que será pareado na outra ponta do tracklist por “You’ll Be The Death Of Me”, o desfecho mais experimental.  Além disso, este clima frio e sombrio que permeia o álbum por vezes remete ao pos-punk, mais evidente em “Love Sick”  “Deja Vu”.

Por aí já vemos como a banda se mostra madura ao mesclar os ingredientes mais perigosos de sua personalidade talhada no punk/classic rock, com refrãos bem ajambrados, e melodias certeiras, com sabores musicais que vão de Alice Cooper a The Clash, passando por Killing Joke e Bauhaus, com desenvoltura, propriedade e sem perder a mão. Confira “Gimme Something To Do”, “I Owe You” e a já citada “You’ll Be The Death Of Me” para compreender como isso foi feito.

Vale citar que o trabalho de guitarras é impecável, ajudando a costurar um excelente disco de rock n’ roll, sem circunlóquios e pretensas revoluções, mas longe da mediocridade. Em sua maioria, as guitarras possuem um sabor rústico e inteligentemente desenvolvidas, brigando pelo protagonismo junto as linhas vocais bem construídas.

Confira o clipe de “Picture The Scene”… 

Claro que o vigor e visceralidade dos ensinamentos do punk amarrados à temática “ultra-violenta”, aparece de forma bem trabalhada, mesmo que ainda primitiva, em faixas como “Wanna Be” e “Fucked Up World”, que elevam o senso de periculosidade do rock do grupo, com passagens simples, mas concisas, nervosas e certeiras.

“Wanna Be”, inclusive, entra na lista de destaques de “And It Was So!” (2017), ao lado de “Gospel According To Me”, com seus ganchos melódicos irresistíveis reciclados dos primórdios do rocka empolgante faixa-título e a cadencia melódico/folk de “Talking Shit”.

A produção impecável deixou tudo com o tom distópico-decadente exato, e com organicidade.  “And It Was So!” (2017) é um álbum que faz jus à história da banda, com energia perene, seja por tons mais agressivos, ou por momentos climáticos e dramáticos. Excelente trabalho!

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