ATUALIZANDO A DISCOTECA: Tchandala, “Resilience” (2017)

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Tchandala: “Resilience” (2017, Independente) NOTA:9,5

Na ativa desde de 1996, a banda sergipana Tchandala chega a seu terceiro full lenght“Resilience”, mostrando um alto grau de evolução musical se comparado a seu álbum anterior, “Fear of Time” (2012).

heavy metal em sua forma mais tradicional ainda está por aqui, mas se apresenta agora mais diversificado por detalhes e movimentos bem trabalhados que prendem a atenção, desviam dos clichês, criando envolvência e dialogando com a modernidade.

Atualmente formada pro Dejair Benjamim (voz), Thamise Ducci (guitarra), Rafael Moraes (guitarra), Sandro Souza (baixo) e Pablo Rubino (bateria), o quinteto confecciona uma música de altíssima qualidade, pensada em suas minúcias, mas sem soar fria e calculada, como o próprio projeto gráfico nos mostra ao embalar um pacote artístico de nível internacional.

Por mais que a música da banda seja talhada pelos padrões do heavy metal (como em “Caesar”, que traz a participação de Tim Ripper Owens – ex-Judas Priest e Iced Earth), existe um ponto diferencial no todo, por uma dinâmica multifacetada, inserida por passagens e elementos inesperados.

“Lamento ao Velho Chico” é o ápice desta imprevisibilidade, uma faixa curta, desenhada na beleza dos regionalismos musicais brasileiros e que serve de introdução para “Tears of River”, uma composição pesada que se amarra ao contexto regional pela letra e pelo desfecho.

Ou seja, geram brilhantismo pela criatividade e capacidade de inserção destes elementos diferenciados sem descaracterizar o peso do gênero praticado, e “Flatland”  é um ótimo exemplo disso, assim como a melódica e cativante “Shadows” o faz de uma forma diferente.

 Existe também um acentuado sabor noventista no metal orgânico produzido pela banda, anunciado desde a abertura, com “The Flame”, que promete o apelo melódico daquele período, com pinceladas épicas e alta energia.

Confira o lyric video para a faixa-título… 

Neste sentido, o perigoso sabor datado foi retirado pela produção mais crua e eficiente, tanto nos momentos mais pesados, quanto nos mais introspectivos e climáticos, como nos que constroem as faixas “Father’s Spirit” (belíssima) e “Echos Through the Fourth Dimension” (em sua roupagem acústica de delicioso sabor folk).

É fato que a produção de Marcos Franco e Dan Loureiro, em parceria com a banda, deu uma dose à mais de honestidade ao som.

 As linhas vocais de Dejair Benjamim são versáteis, variando em tons familiares, com inflexão potente, e carga dramática exata para cada composição, sendo melódico, mas sem perder a força.

Também chama a atenção o  extremo bom gosto das guitarras da dupla Thamise/Rafael, que junto a seção rítmica versátil de Sandro e Paulo, variam em peso, velocidade, melodia e virtuose, resvalando em modos que vão do hard rock ao thrash metal (principalmente nos riffs de guitarra), passando pelo power/heavy metal.

Mas isso não significa falta de direcionamento, muito pelo contrário. Apresentam uma personalidade musical forte e uma identidade bem definida, sem se perder nas fugas dos tradicionalismos metálicos.

Também percebe-se uma preocupação com os refrãos, e em ser melódico sem perder a tenacidade, como nos mostram “Labyrinth” (e seus riffs carnudos), e “Resilience” (e seu peso melódico).

Já “Valley of Greed”  é um thrash/heavy metal de  respeito, sendo uma das melhores do trabalho, com linhas de guitarra de cair o queixo, enquanto “Echos Through the Fourth Dimension”, em sua versão original, é mais dramática.

Um disco para coroar os vinte anos de carreira da banda Tchandala com maturidade, sendo “Resilience”, um dos grandes discos do metal nacional em 2017, por ser intenso, diversificado, pesado e guiado por boas melodias!

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