ATUALIZANDO A DISCOTECA: Tankard, “One Foot In The Grave” (2017)

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Tankard: “One Foot In The Grave” (2017, Nuclear Blast, Sound City Records, Shinigami Records) NOTA:8,5

Cerveja, Thrash Metal, Punk Rock, e humor sarcástico! Num caráter superficial não seria exagero resumir a banda Tankard por tais elementos. Surgida na cidade alemã de Frankfurt, em 1982, chegam a seu décimo sétimo álbum de estúdio, marca tão impressionante quanto seus trinta e cinco anos de carreira.

Intitulado “One Foot In The Grave” (já refletindo todo o bom humor da banda), o álbum mantém as nuances provocativas, ousadas, e irônicas que se tornaram marcas registradas de seu Thrash Metal desde a clássica demo “Alchoholic Metal”, passando por álbuns marcantes como “Chemical Invasion” (1987), “The Morning After” (1988), “Beast of Bourbon” (2004), “The Beauty and the Beer” (2006), onde decantaram sua fanfarronice e trabalharam o peso de sua música, mantendo-a relevante e divertida dentro da cena metálica mundial.

Em “One Foot In The Grave” o Tankard não busca reinventar o Thrash Metal, mas praticá-lo com vontade, diversão, e conhecimento de causa, redefinindo com maturidade sua epígrafe “Cerveja, Thrash Metal, Punk Rock, e humor sarcástico”!

Numa discografia tão elástica, altos e baixos são inevitáveis, mas já nos primeiros instantes de “Pay To Pray”, além da produção (à cargo de Martin Buchwalter) robusta e moderna, mas longe da esterilidade pasteurizada, evidenciando o peso, podemos perceber que este álbum figurará dentre os pontos altos da carreira do quarteto alemão.

O riffão carnudo desta faixa de abertura aliado à seção rítmica intrincada (que aparecerão novamente por vias mais melódicas e modernas em “Northern Crown”) anuncia um Thrash Metal agressivo, com melodia e groove nas medidas certas, empolgante, e com força nas linhas vocais. Ou seja, seguem a cartilha das formas mais envolventes do gênero.

Confira o clipe para a faixa-título… 

Esta fidelidade aos tradicionalismos vem também pelas afinações, timbragens orgânicas e dinamismo nos arranjos cheios de atitude, ficando evidente que não buscam reinventar o Thrash Metal, mas praticá-lo com vontade, diversão, e conhecimento de causa.

Sem dúvidas estão mais conscientes e maduros, fato observado na faixa “Arena of the True Lies” (que é mais melódica em meio a pegada punk das palhetadas que nunca viram riffs, e dona de um solo brilhante), e nas variações interessantes de andamentos espalhadas pelas composições, conferindo mais adrenalina sua à fórmula.

Isso tudo sem fechar os olhos para suas raízes ou trair sua essência, como mostra faixa-título (quase triste e melancólica em certos aspectos), ou no Thrash Metal metralhado, agressivo, e temperado pelo crossover de “Don’t Bullshit Us”, “Lock ‘Em Up”, “Sole Grinder”. 

Confira o lyric video para a faixa “Arena of the True Lies” … 

“One Foot In The Grave” é um trabalho calcado em potentes linhas de guitarra (com solos brilhantes), melodias imperativas (como na irresistível “The Evil That Men Display”) típicas de hinos etílicos entoados em mesas de bar, além de marcantes linhas vocais do carismático vocalista Gerre. Aqui estas linhas se apresentam mais trabalhadas que o usual, mas sem perder a agressividade.

De fato, a instigante “Syrian Nightmare” é um belo exemplo desta observação, num ataque metálico na tradição belicosa do Thrash alemão, de guitarras certeiras e bases agressivas, também desenvolvidas na cinematográfica e conspiratória “Secret Order 1516”.

Acredito que a mística etílico-bem humorada que a banda criou em torno de si sempre deu a impressão de menos seriedade às suas composições. Na verdade, se formos olhar bem para a carreira da banda, eles sempre balancearam as letras bem sacadas e engraçadas com temática séria, e acredito que ao longo destas três décadas foram incompreendidos.

Confira o lyric video para a faixa “Syrian Nightmare”… 

Em “One Foot In The Grave” essa condição continua flagrante (mesmo com todas as fotos irreverentes do encarte) quando nos deparamos com composições como “Arena of the True Lies” (que versa sobre a guerra de informação dentro da atual “sociedade digital”), e “Syrian Nightmare” (de temática evidente), que fogem mais explicitamente do culto cervejeiro do Tankard.

Não obstante, a edição nacional, via Shinigami Records, ainda nos oferece um CD bônus com o áudio da apresentação da banda no Rock Hard Festival, realizado em maio de 2016, com versões ao vivo de clássicos como “Zombie Attack”, “The Morning After”, “Fooled By Your Guts”, “Chemical Invasion”, “R.I.B (rest in beer)”, “A Girl Called Cerveza”.

A essa altura da carreira, “One Foot In The Grave”, com seu impecável trabalho de guitarras, fluidez e dinamismo, ajudará a redefinir o Tankard, trocando a epígrafe que usamos para abrir este texto por: Thrash Metal autêntico, livre, consciente e potente!

Confira a apresentação da banda no Rock Hard Festival que vem como CD bônus na edição nacional…  

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