ATUALIZANDO A VIDEOTECA: “DVD Roadie Metal vol. 1” (2017)

As coletâneas da Roadie Metal atingiram um alto grau de importância dentro do underground do Rock/Metal brasileiro, sendo que agora ousam num formato ainda inexplorado dentro do mercado nacional: o DVD! Como escrito no informativo livreto que acompanha o material, a ideia central do projeto surgiu da necessidade de criar algo diferente e inédito, resultando num produto  "inovador e audacioso  que visa única e exclusivamente   apresentar ao público, seja fãs, imprensa especializada e organizadores de eventos, o trabalho árduo que os músicos enfrentam para levar até você seus respectivos trabalhos." E a partir de agora, t enha em mente que todas as críticas e elogios aqui escritos estão ponderados pelo peso do respeito que temos por todos os nomes envolvidos na coletânea, pelo trabalho e dedicação ao Rock/Metal num país como o nosso, registrando que temos total consciência das dificuldades de se produzir clipes e álbuns sem incentivo. Heavenless: "Hatred". Talvez o clipe mais brutal e incômodo do primeiro DVD...   Mas se a imperfeição é inerente ao ser humano, é também natural que nem tudo seja louvável no material que inclui trinta e duas bandas, em dois DVDs, mais uma vez embaladas num inteligente e bem feito projeto gráfico. Sendo assim, existe meia dúzia de músicas que funcionam melhor sem os clipes, e um outro par delas que produziu melhor seu clipe que sua música - fato sintomático e preocupante. E o projeto gráfico é o primeiro ponto positivo da coletânea. Com embalagem esmerada em  digipack,  que já chama a atenção pelo cuidado da apresentação do material, impressão confirmada e reforçada pelo já citado encarte robusto, cheio de fotos, informações ricas acerca das bandas envolvidas, além da letra de cada uma das faixas contempladas com um clipe no DVD, e extras onde as bandas se apresentam, dando um complemento interessante ao encarte. Tellus Terror: "Blood Vision"...  Agora vem a minha única crítica negativa sobre a organização da coletânea. Em trinta e duas composições perfiladas, espera-se uma dinâmica de estilos e produções distintas, numa oscilação de qualidade que, para o bem ou para o mal, é o maior fator de envolvência com o produto final. Tenha em mente que vivemos numa época em que colocar um indivíduo concentrado em trinta e dois clipes seguidos é quase uma tarefa hercúlea se pensarmos que a música praticamente se tornou um artifício de segundo plano para a maioria das pessoas, quase como um complemento de ambiente. Por isso, acho que a divisão dos clipes foi feita de modo contraproducente. Explico. Na coletânea como um todo existe uma quantidade elástica de gêneros que vão do Death Metal ao Blues/Hard Rock, desde abordagens mais modernas às mais "conservadoras", mas o fato de concentrarem todas as  bandas de Metal Extremo no primeiro DVD acredito que foi prejudicial para a dinâmica do material! The Phantoms of the Midinight:  "Nightmare"...   Gosto muito de Metal Extremo, mas a torrente de agressividade e extremismo sem descanso, é, digamos, maçante. Condição reforçada pela forma com que os clipes dos gêneros mais extremos são construídos, algo que detalharei mais à seguir. E condição que não aparece no segundo DVD, indiscutivelmente mais interessante pela variação de gêneros que cria uma versatilidade cativante, contribuindo até mesmo para a maior assimilação das diferentes propostas e abordagens criativas dos clipes. Isso tudo posto, vamos aos clipes. Após conferir o material como um todo percebemos duas condições sintomáticas. A primeira é que às vezes um clipe com mais produção nem sempre funciona melhor, como, por exemplo, no caso de  "Blood Vision" , do Tellus Terror, presente no primeiro DVD, saindo do usual das bandas extremas com efeitos rebuscados de computação gráfica. Mesmo com a versatilidade e dramaticidade da composição e produção melhor que a apresentada pelo The Phantoms of the Midinight no clipe de  "Nightmare",  este segundo funciona bem melhor com seus efeitos simples, usados com criatividade, e aumentando o poder de uma música que fora enfraquecida pela produção de estúdio. Fallen Idol: "The Boy And the Sea"...   O segundo sintoma pode esbarrar em causas diversas, mas as bandas extremas precisam de um pouco mais de criatividade na hora de pensar seus vídeos. Afinal, a maioria que não traz o formato eficiente da banda tocando, seja em estúdio, ou no palco, são recriações da tensão do cárcere privado, ou da violência gratuita inspirada por filmes de terror, entrecortados por cenas da banda, reforçando clichês pouco criativos para ilustrar a violência musical do Metal Extremo. Nesse sentido, acho mais interessante, eficiente e positivo o que fizeram bandas como Voodoopriest, na ótima  "Juggernaut", apostando na energia do palco para ilustrar seu Thrash Metal energético (que refrão tem essa música), ou o Vorgok , na pesadíssima  "Hunger" , que se valeu de enquadramentos em close em um ambiente interno, e dinâmica de cortes seguindo os movimentos da música. Esta última sendo uma das abordagens que prendem dentro do universo dos clipes aqui compilados, como mostra o ótimo vídeo para  "Bleeding Hate" , do Division Hell. Vorgok: "Hunger"...  Ainda sobre o primeiro DVD, creio que nada é mais brutal e incômodo do que o clipe de  "Hatred" , da ótima banda Heavenless , numa crítica inteligente e agressiva às religiões, assim como fez a banda Fallen Idol, em  "The Boy And the Sea" , mas numa temática emocionante sobre refugiados, com cenas impactantes entremeadas pelas imagens da banda tocando. Por fim, gostaria de destacar mais alguns vídeos. No DVD 1:  "Immortal Blood" , do Monstractor, pela eficiência de luzes bem colocadas e efeitos simples de imagem e encenação; e  "The Beating Never Stops" , do Matricidium, contextualizado à violência urbana. No DVD 2:  "Believe" , do Elephant Casino, numa interessante crítica ao cotidiano moderno (tema também de "Take It Easy",  do Jäilbäit), e uma das melhores músicas da coletânea, junto com  "Blood Washed Hands"  do SuperSonic Brewer; e  "Wielding The Axe" , do Hellmotz, num clipe bem feito, e criativo na edição. Para mim, como material de divulgação a proposta do DVD é interessantíssima, pois aglutina nomes diferentes em imagem e som, mas em tempos de Y outube , para o público geral, pode ser relativamente complicado sentar e assistir o material por completo. Para estes, saibam que o melhor ficou para o final: de longe, mas de longe,  "Cuts Like a Razor",  do Razorblade é o melhor clipe do DVD, numa sátira inteligente e divertida da estética oitentista. Um dos melhores clipes que vi em 2017! Razorblade:  "Cuts Like a Razor"...   DVD 1 01. Voodoopriest – Juggernaut 02. Tellus Terror – Blood Vision 03. Death Chaos – House Of Madness 04. Krucipha – Reason Lost 05. Division Hell – Bleeding Hate 06. Tribal – Broken 07. No Trauma – Fuga 08. Core Divider – No War 09. Monstractor – Immortal Blood 10. Vorgok – Hunger 11. Heavenless – Hatred 12. Matricidium – The Beating Never Stops 13. Forkill – Vendetta 14. Ninetieth Storm – Death Before Dishonor 15. Usina – DEstruição e Morte 16. Cursed Comment – Luftwaffe DVD 2 01. Elephant Casino – Believe 02. SuperSonic Brewer – Blood Washed Hands 03. Demons Inside – Remorse, Infected Of Trauma…Remains 04. Jäilbait – Take It Easy 05. Apple Sin – Apple Sin 06. Cervical – Arquétipo 07. Gallo Azhuu – Bruxa 08. Exorddium – Heavy Metal 09. Magnética – Super Aquecendo 10. Basttardos – Despertar do Parto 11. Hellmotz – Wielding The Axe 12. Burnkill – Cadáver do Brasil 13. Fallen Idol – The Boy And The Sea 14. The Phantoms Of The Midnight – Nightmare 15. Dust Commando – P.O.T.U.S 16. Razorblade – Cuts Like A Razor …