DIA MUNDIAL DO ROCK: Três Encontros que Mudaram a História do Rock

(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({ google_ad_client: "ca-pub-9767849814663729", enable_page_level_ads: true }); Mais um dia mundial do rock se avizinha e não podíamos deixar a data passar despercebida. No ano passado, nesta mesma época, investigamos as raízes deste estilo musical sem par na cultura pop (para acessar o texto para clicar aqui ). Agora, em 2014, o amado rock n' roll completa mais um ano de vida e está a um passo de se tornar um sexagenário, constantemente maltratado pelas gerações mais novas. Nunca é demais lembrar que o rock foi rebelde em uma época em que existia uma causa para sê-lo, chocando uma sociedade extremamente conservadora, apenas com o desejo e a vivacidade criativa de uma juventude que não queria seguir os passos modorrentos dos ídolos seus pais. Desde seu advento, em meados anos 50 tudo que envolveu a cena rock n' roll foi controverso e resistente aos dogmas, a começar por sua mais que discutida paternidade, até a data de aniversário obtida com quase 30 anos de seus gigantes caminhando sobre a Terra e lotando arenas. O estabelecimento da data se deu após um dos maiores festivais de música da história (tema também abordado na última homenagem prestada em julho do ano passado). Durante estas seis décadas vários momentos foram decisivos para que o rock se tornasse um estilo grande, que movimentou quantias financeiras exorbitantes e se perpetuasse com força, resistindo aos mais diversos modismos e tragédias. Alguns destes momentos decisivos ganharam vida em encontros pontuais de grandes personagens da música, alguns deles eram encontros de afirmação, outros reuniões marcadas pela tristeza, e hoje listo três destes, não necessariamente os principais, mas não menos relevantes, que ocorreram entre o fim da década de 50 e o começo da década de 60, onde o rock vivia o seu primeiro momento conturbado, após o afastamento parcial ou definitivo de seus maiores líderes naqueles dias: Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry e Little Richard. Sendo assim, para comemorar este Dia Mundial do Rock, apresento três encontros que mudaram a história do rock Frank Sinatra e Elvis Presley: O Encontro Que Uniu Gerações (1960) Em meados dos anos 50, o rock n' roll, capitaneado por Elvis Presley, começava a tocar fogo na cultura pop americana. A cena da velha guarda, comandada por Frank Sinatra gostaria de tocar fogo nos novos nomes que surgiam tirando as suas magníficas vendagens de discos e arregimentando fãs na nova geração que seriam seus por uma herança oriunda das influências musicais de seus pais. Em 1957, no auge da primeira explosão do rock, Sinatra teria declarado que "o  rock n' roll cheira a falsidade, imitação. É cantado, tocado e composto por valentões cretinos. " A verdade é que a figura de Elvis Presley representava o desejo da juventude norte-americana, com as garotas sonhando em passar suas noites ao lado do galã que remexia os quadris na TV, enquanto os garotos queriam ser iguais a ele e durante seus primeiros anos de carreira, por onde quer que passasse, a balburdia era inevitável. Sinatra explicaria que esta eferverscência juvenil em torno do rock era " graças às suas letras sujas e lascivas" . Entretanto a contradição entre o discurso e a atitude de Frank Sinatra era mais que evidente. Cercado de mulheres (mesmo casado), sempre acompanhado de bebidas e se mostrando com atitudes nada louváveis, Sinatra desprezava Elvis Presley que nunca chegaria nem perto de ser tão "desajustado" quanto o primeiro. A diferença era que o cantor dos olhos azuis, apelidado de "A Voz", mantinha uma imagem de típico homem americano, de terno e gravata, que respeita as leis e ama sua esposa e filhos. Basta uma leitura rápida em qualquer biografia dele para ver que as coisas não eram pintadas com estas cores. Como a vida tem das suas surpresas, Elvis Presley estava frente a frente com Sinatra em Miami Beach, no dia 26 e março de 1960, após Elvis dar baixa no exército. Vestido com smoking e sua rebeldia capilar enfrentando uma grande dose de gel, Presley agitou a galera ao girar os quadris após um estalar de dedos, cantou Fame And Fortune , Stuck on You  e, em dueto com Sinatra, apresentou as mais comportadas Love Me Tender  e Witchcraft . Ao fim da apresentação, se abraçaram num simbolismo de aceitação da velha guarda ao novo ídolo que não se mostrava mais tão perigoso como antes, liderando um exército de um homem só após a tragédia que envolveu Buddy Holly e Richie Valens, além dos problemas com Jerry Lee Lewis e Little Richard. A primeira fase do rock termina com o apagar das luzes desta apresentação que levou para o outro lado do Atlântico a motivação para o próximo passo a ser dado por quatro rapazes em um cidade inglesa.   Bob Dylan e Beatles: Um Encontro que mudou o rock (1964) Uma das maiores transformações do rock se deu quando os Beatles começaram a experimentar texturas diferenciadas para a música que produziam. Alguns historiadores musicais atribuem a mudança na musicalidade dos quatro rapazes de Liverpool a um encontro acontecido em Nova York, no ano de 1964. Vivendo uma turnê na terra do Tio Sam, os Beatles foram apresentados a Bob Dylan por Al Aronowitz, no Hotel Delmonico. O grupo havia terminado uma apresentação no Forest Hills Tennis Stadium e estavam estampados na capa da revista Life , causando um frissom sem precedentes por onde quer que passassem, a ponto de tornar os seus shows inaudíveis pelos gritos histéricos dos fãs. Segundo fontes, neste encontro John Lennon teria perguntado a Dylan o que ele gostaria de beber e este o teria respondido de modo simples: " vinho barato! ". Logo estava evidente que eles falavam a mesma língua e que os quatro rapazes que dominavam as paradas de sucesso eram suscetíveis a novidades. Durante a conversa que se desenrolava foi oferecido a Dylan e Aronowitz um pouco da droga em comprimidos que a banda inglesa utilizava, que foi declinada em favor da maconha, alegadamente desconhecida por parte dos Beatles. Dylan se mostrara estupefato com este fato e arguiu John Lennon sobre a frase "I get high",  repetida inúmeras vezes na canção  "I Want to Hold Your Hand",  que seria uma clara alusão ao uso de maconha. A segunda surpresa de Dylan veio ao tomar conhecimento que o verso correto é "I can't hide" . Lennon mais tarde assumiria que, apesar de ter se recomposto rapidamente, ficara aturdido ao ver Bob Dylan ali na sua frente, um músico que estava nas capas de discos que ele ouvia e admirava. Quando ofereceu maconha aos quatro, Dylan teria se referido a ela como "algo mais verde... mais orgânica"  em oposição à química das bolinhas utilizadas pela banda junto aos cigarros e uísque com Coca-Cola. Na verdade, George Harrisson assumiria mais tarde que já haviam experimentado a droga antes, quando fora oferecida por um velho baterista em Liverpool. Mas a que foi degustada com Dylan era diferente do "mato" com orégano que haviam experimentado e o resultado final deste encontro, fez a cabeça dos rapazes abrir novas portas perceptivas e ecoou por todas as futuras gerações do rock, em termos musicais. Beatles & Dylan. Considerações de Paul, George e Ringo acerca de Dylan.   Buddy Holly e Ritchie Valens: O Dia em Que a Música Morreu (1959) Uma das canções mais conhecidas da história talvez seja America Pie , de Don McLean, regravada por diversos nomes da música. Sua letra é enigmática e traz inúmeras interpretações, mas os versos " Eu não consigo lembrar se eu chorei/ Quando eu li sobre a viúva dele/ Mas algo me comoveu profundamente/ No dia em que a música morreu... " são uma clara referência ao dia 3 de fevereiro de 1959, que ficou conhecido como o dia em que a música morreu . Muito mais do que apenas um acidente de avião que vitimou três nomes da música pop em alta naqueles dias, a tragédia marcou uma geração. Os três nomes eram Buddy Holly, aclamado líder dos Crickets que despontava com um álbum considerado de importância vital na história do rock, Ritchie Valens, um dos primeiros grandes compositores do rock e J "The Big Bopper" Richardson. Esta união mostrava o pouco sopro de vida que o rock tinha no fim dos anos 60, quando Elvis estava no exército, Little Richard se tornara pastor evangélico após uma epifania num avião que culminou no defenestramento de seus anéis de diamante rumo ao oceano, além de Chucky Berry que estava preso e Jerry Lee Lewis que se manchou socialmente ao casar com uma prima de apenas 13 anos. Os sucessos, principalmente de Valens e Holly eram o pouco que sobrava de um estilo considerado naqueles dias como moribundo. Naquela noite de fevereiro, o rock assistia o acontecimento de sua primeira tragédia, quando, após um show em Clear Lake, Iowa, os três morreram em um desastre de avião motivado pela pressa de chegar até o próximo destino, selando o caixão do rock que só veria seu renascer quando os Beatles viessem para clamar o trono do rock do outro lado do Atlântico. A importância dos três é vital para o rock, seja no pioneirismo, ou na influência. Buddy Holly, por exemplo, foi um dos primeiros a compor, gravar e produzir seus próprios discos, sendo citado como uma das principais influências da geração britânica que seguiria. Inclusive muitos alegam que o nome dos Beatles (uma corruptela para a palavra besouro em inglês) seria inspirada nos Crickets (traduzido como Grilos) e é fato que um dos primeiros sucessos dos Rolling Stones foi para a canção Not Fade Away , de Buddy Holly. Já Valens, quando faleceu tinha apenas dezessete anos e já havia emplacado dois sucessos atemporais: La Bamba  e Donna . Apesar de ser o menos famoso,  J "The Big Bopper" Richardson foi um dos pioneiros nos videoclipes e a misturar humor ao rock n`roll, quando criou o vídeo para a canção Chantilly Lace . Não existem dúvidas do impacto deste encontro na história do rock, que poderia ter sido ainda mais rica sem a perda destes três nomes. O Dia Que A Música Morreu: Uma Pequena reportagem sobre o dia que marcou uma geração.  …