SUPERGRUPOS DO ROCK: Primeira Parte – O Começo de Tudo

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O termo Supergrupo foi cunhado no final da década de 60 do século passado para rotular grupos musicais formados por nomes consagrados no cenário musical. Algumas vezes o termo foi utilizado para designar grupos que atingiram um grande sucesso comercial, mas hoje, este tipo de banda será designado por Megabanda. Supergrupo é o time formado por músicos renomados ou oriundos de bandas com alguma relevância.

O primeiro supergrupo notável da história do Rock foi a banda Cream. Liderados por Eric Clapton (Yardbirds, John Mayall and the Bluesbreakers), a banda ainda contava com Jack Bruce (Manfred Mann, Graham Bond Organisation e John Mayall and the Bluesbreakers) e Ginger Baker (Graham Bond Organisation), o grupo britânico foi pioneiro não somente dos supergrupos, mas alguns historiadores consideram o Cream como o primeiro combo de heavy metal da história do rock.

A banda Cream em ação….

Fora do rock, tivemos alguns supergrupos de renome. O The Super Super Blues Band trazia nada menos que Bo Diddley, Muddy Waters, Little Walter e Howlin’ Wolf, quatro dos mais renomados bluesmen americanos.

Em estilos como o Blues e o Jazz os supergrupos são muito comuns. Muitos artistas de renome nestes estilos se juntam para gravar um álbum ou dois. Por exemplo, em 1984, Sonny Terry, Johnny Winter, Wilie Dixon e Steve Homnick se juntaram para gravar o grande álbum Whoopin’.

Nos anos 70, o supergrupo Giants of Jazz trouxe Dizzy Gilespie (o pai do Bebop), Thelonious Monk e Art Barkley, dentre outros num grupo que excursionou por solo americano.

The Super Super Blues Band um dos maiores Supergrupos fora do Rock.

Este formato de grupo de rock se iniciou em meados nos anos 60, e sempre esteve em alta. Nem sempre resultando em sucessos comerciais como veremos posteriormente. Após o Cream (que lançou três álbuns essenciais para o rock), grandes nomes do rock começaram a se reunir em supergrupos.

Em resposta aos britânicos, os “americanos” David Crosby (The Byrds), Stephen Stills (Buffalo Springfield), Graham Nash (The Hollies) e Neil Young montaram, em 1969, um dos maiores supergrupos do rock, o Crosby, Stills Nash And Young.

O quarteto lançou grandes álbuns como o aclamado “Deja Vu” de 1970 e suas músicas são recheadas de grandes arranjos vocais em um estilo musical que varia entre o folk-rock e o pop melódico.

Crosby, Stills, Nash & Young tocando Down By The River em 1969…

Em 69, Eric Clapton volta à cena com um novo supergrupo. O Blind Faith trazia em suas fileiras, além do deus da guitarra, Ginger Baker do Cream, Steve Winwood do Traffic e Ric Grech do Family. Com apenas um álbum homônimo, o grupo entrou para a história do rock com uma capa polêmica e o grande hit “Can’t Find a Way Home”.

Virada de década, os anos 60 ficavam para trás e abriam alas para os libertinos anos 70. O rock vivia uma revolução. O flower-power perdia espaço para os grupos de hard rock. O sonho acabava com a dissolução dos Beatles e nascia o Heavy Metal. Os supergrupos continuavam sua caminhada com toda a força.

Neste início de década, Eric Clapton se consagra o rei dos supergrupos. Em 1970, se cansou do Blind Faith  e de suas rusgas com Steve Winwood e montou o Derek And The Dominos (The Eric and The Dominos) que lançou o grande álbum Layla and other Assorted Songs, que traz o grande hit Layla e a bela canção Bell Bottom Blues, além de regravações para clássicos do blues como Key To The Highway de Big Bill Broonzy e Little Wing de Hendrix.

O grupo era formado por Carl Radle (Delaney and Boonie), Bobby Whitlock (Delaney And Boonie) e Jim Gordon (Little Richard e músico de estúdio). A gravação ainda contou com Duanne Allman (The Allman Brother Band) em todas as faixas.

O supergrupo de Clapton no programa de Johnny Cash, uma rara apresentação na Tv… 

Na década anterior haviam nascido grandes bandas de rock progressivo (Pink Floyd, King Crimson, Gentle Giant…) e um dos primeiros supergrupos da nova década foi formado por ex-membros destes grandes combos que tocavam uma música ousada e intrincada. O Emerson, Lake and Palmer com certeza foi um dos supergrupos mais bem sucedidos da história do rock.

Keith Emerson (The Nice), Greg Lake (King Crimson) e Carl Palmer (Atomic Rooster) lançaram grandes álbuns do rock progressivo e vinham com uma proposta de música erudita aplicada ao rock com destaque para o disco de 1971, Pictures At An Exibition. Vale a pena conferir os álbuns Tarkus, ainda de 1971 e Brain Salad Surgery de 1973.

Emerson, Lake and Palmer tocando a clássica “Take a Pebble” 

O ano de 1972 se iniciava e dois supergrupos começavam suas atividades. O Beck, Bogert & Appice, como o próprio nome diz é a junção de três grandes nomes do rock, Jeff Beck (Yardbirds), Camine Appice (Vanilla Fudge, Cactus) e Tim Bogert (Vanilla Fudge, Cactus). Lançaram seis álbuns entre idas e vindas até 2005.

O outro grupo que lançava seu primeiro play era o Capitain Beyond. Grupo formado por um time dos sonhos: Rod Evans (Deep Purple), Larry Reinhardt, Lee Dorman (Iron Butterfly) e Bobby Caldwell (Johnny Winter). Lançaram dois álbuns muito bons, mas não emplacaram.

Em 1973 surgia o Bad Company, umas das melhores bandas inglesas de todos os tempos. Seu primeiro álbum é um clássico absoluto do rock mundial. Formado por Paul Rodgers e Simon Kirke do Free, Mick Ralphs do Mott The Hoople e Boz Burrell do King Crimson, o grupo marcou um dos maiores sucessos comerciais da década de 70 e consagrou Rodgers como um dos maiores vocalistas da história do rock, chegando a substituir Freddy Mercury no Queen no último lançamento da banda, Cosmo Rocks.

Bad Company interpretando sua faixa homônima em 1974… 

No mesmo ano, nos EUA surgia o Journey. Gregg Rolie e Neal Schon oriundos da banda do mestre mexicano das seis cordas, Carlos Santana, se juntaram a Aynsley Dunbar (Jeff Beck Group, David Bowie e Frank Zappa) e Ross Valory (Steve Miller Band) e formaram um supergrupo que obteve um mega sucesso a partir de 1977 com a entrada do vocalista Steve Perry.

Este grupo se tornou o maior expoente do que se chamou de AOR (Adult Oriented Rock), segmento roqueiro muito popular nos anos 80 e seguido por bandas como Kansas, Boston, Survivor, Europe, etc. Destaque para os álbuns Infinity de 1977 (que traz Wheels In The Sky, Lights e Anytime), Escape de 1981 (com os hits Don’t Stop Believe In, Stone In Love e Open Arms) e Frontiers de 1983 (Send Her My Love, Separate Ways e Faithfully). Esta é uma das melhores americanas em todos os tempos no rock e vale a audição de toda a sua discografia.

O Journey e seu maior hit… 

Chegávamos ao meio da década de 70 e em 1975, após a dissolução do Deep Purple, Ritchie Blackmore funda o Rainbow. No line-up, após várias trocas de formação, Ronnie James Dio (Elf), Blackmore (Deep Purple), Jimmy Bain (Elf), Cozy Powell (Jeff Beck) e Tony Carey formaram uma das maiores bandas de hard rock da história.

A união de rock pesado com a música clássica tem seu casamento perfeito aqui, com esta banda. O grupo lançou álbuns fantásticos em sua primeira fase até 1980. Destaque para o clássico do rock Long Live Rock N’ Roll de 1978.

O Rainbow em ação tocando Man On A Silver Mountain, clássico do primeiro disco e com uma performance arrasadora de Ronnie James Dio… 

Estes foram os principais supergrupos desta década ímpar para a história do rock n’ roll. Existiram muitos mais que, porém estes supergrupos não foram muito longe e suas trajetórias fracassadas serão abordadas em outra parte de nossa viagem pelo mundo dos supergrupos.

Na próxima parada: os anos 80!

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