ATUALIZANDO A DISCOTECA: Stranhos Azuis, “Stranhos Azuis” (2017)

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Stranhos Azuis: “Stranhos Azuis” (2017, Independente) NOTA:

Houve um tempo, na segunda metade do século XX, em que o rock básico e visceral das bandas nacionais era o que havia de mais pesado na cena, sendo nomes como Patrulha do Espaço, Made In Brazil, O Peso, Bicho da Seda, e A Bolha os representantes em pradarias tupiniquins do bom e velho Hard Rock dos anos 1970, com letras em português.

A verdade é que a explosão do rock no Brasil, à partir de 1982, foi impulsionado por esta geração setentista, cuja sonoridade, mesmo que rejeitada pela geração oitentista, se mantém até os dias de hoje, rendendo frutos como a banda paulista Stranhos Azuis.

Formada em 2006, na cidade de São Carlos, a banda vem retomar a contundência sonora daquela época dourada da cena nacional, junto a tradição explosiva dos power trios do Rock, além de influências de nomes clássicos do gênero, sejam internacionais (como Black Sabbath, Led Zeppelin, Jethro Tull) ou nacionais (como os citados anteriormente), forjando um espectro roqueiro à cargo de músicos experientes: na guitarra e voz temos Danilo Zanite, enquanto Daniel Gordi empunha o baixo (sendo que integram juntos a Patrulha do Espaço), e Luciano Matuck comanda as baquetas.

A banda Stranhos Azuis vem retomar a contundência sonora da época dourada da cena nacional, em que o rock básico e visceral das bandas como Patrulha do Espaço, Made In Brazil, O Peso, Bicho da Seda, e A Bolha era o que havia de mais pesado, revitalizando e oxigenando a proposta com texturas modernas, na mais pura tradição explosiva dos power trios do Rock…

Musicalmente, revivem a textura e a organicidade do rock valvulado, com riffs bem elaborados, bateria presente e baixo pulsante, além de solos harmônicos de guitarra e riffs setentistas, que pincelam a malícia do Blues, e linhas vocais envolventes, numa performance equilibrada, energizada, vibrante e versátil dentro do classicismo roqueiro que se propõem, com apelo sonoro vindo de uma força primitiva e poderosa, sem soar monótono ou retrô.

Neste contexto, temos vigorosos exercícios roqueiros como “Acordar Pra Vida”, “Oh Ana Rebordosa” (com sua letra impagável), “T.A.DC”, “Colarinho Branco” (com versos engajados e linha de baixo destacável) e “Um Cara Comum” (longa e bem trabalhada), bem como, um pouco de psicodelia contextualizada em “Sr. da Razão” (com sitar de Paulo Hecht e de Alberto Marsicano); etílicos movimentos de blues rock em “Dividir com Meu amor”; as indispensáveis baladas “Andando e Cantando” e “Pedras no Caminho” (de tonalidade bluesy); e raízes folk/blues escavadas na ótima “Bagagem de Mão”

Confira a banda tocando o álbum na íntegra, ao vivo…

Nota-se uma preocupação no encaixe dos vocais, cujas linhas bem sacadas cativam pela assimilação imediata das letras em português que discorrem sobre os assuntos tradicionais do bom e velho rock n’ roll: a vida, o amor, a estrada e uma pitada de contestação engajada.

Por fim, temos um trabalho dinâmico, produzido pelos próprios músicos e lançado de forma independente,  cumprindo a missão de apresentar os Stranhos Azuis e gerar expectativa pelos seus próximos passos.

Instigante, a começar pela belíssima capa!

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