STEPHEN KING: 4 Contos pra Conhecer


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A maneira de escrever de Stephen King é única! Suas descrições de lugares e construção de personagens são fabulosas. Mas o mais louvável nas obras dele é a maneira de amarrar tudo sem mostrar qual é o verdadeiro terror.

O terror em seus livros não é explícito, você sabe que tem algo ruim lá fora, mas não sabe o que, enquanto seu personagem caminha para a porta. Ninguém escreve uma história de terror e suspense como ele.  Mais do que isso, poucos conseguem cativar pela forma como manipula as emoções humanas como ele. 

E além de romances de sucesso, Stephen King dedicou muito de sua carreira às histórias curtas (como vimos nesse texto), sendo que vários de seus contos  foram adaptados para filmes, ou apenas para um ou outro episódio de séries que contavam histórias de terror como Contos da EscuridãoMonsters e Twilight Zone. Existe até mesmo uma série especial, intitulada “Nightmares And Dreamscapes” (2006), inteiramente baseada nos contos da coletânea “Pesadelos e Paisagens Noturnas” (1993).

Se escolher quatro livros de contos do grande Mestre do Terror já seria tarefa hercúlea, imagine escolher apenas quatro contos de Stephen King para uma lista! Mas nos propomos ao desafio e desde já deixo registrado que o quarteto elencado esbarra simplesmente no meu gosto pessoal e na forma como cada um deles me impactou!

1) “O Nevoeiro” (1980)

A conhecida adaptação de Frank Darabont para o cinema desse conto só peca naquele final terrível e nas amaciadas conservadoras em comparação à história original, afinal, pior ainda é a série da Netflix que conseguiu destruir qualquer traço de horror e conspiração que Stephen King tenha magistralmente criado em seu conto, na vergonhosa tentativa de recriar o clima de “The Walking Dead” por vias sobrenaturais.

Na verdade, para muitos escritores menos prolixos, a extensão de “O Nevoeiro” (conto publicado primeiramente na coletânea “Dark Forces” [1980], e posteriormente abrindo a coletânea de contos de Stephen King, “Tripulação de Esqueletos” [1985]) seria de um romance, e não um conto. Mas dada a complexidade e teia de personagens que Stephen King costuma criar, esta história se encaixa perfeitamente nas short stories do Rei do Maine.

Conforme o próprio escritor já disse, o grande terror não é explícito, você sabe que tem algo ruim lá fora, mas não sabe o que é. Aqui neste conto, os horrores monstruosos estão camuflados por um denso nevoeiro nada natural, e seus personagens estão presos em um supermercado com a fachada de vidro.

À partir daí, ele discute a psicologia do confinamento, expõe alguns monstros materiais e outros filosoficamente humanos, como o fanatismo religioso, e nos oferece um final perturbador! Tanto, que nenhuma de suas adaptações quis recriá-lo!

Me lembro que terminei a leitura sem fôlego, e com a certeza de que ninguém escreve uma história de terror e suspense como ele.

Confira o trailer da adaptação de Frank Darabont… 

 

2) “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank” (1982)

Resultado de imagem para As quatro estações stephen kingA primeira história que li de Stephen King foi “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”, conto escrito após o autor concluir o romance “Zona Morta” e presente na coletânea “As Quatro Estações” (1982), onde também estão inclusos “Aluno Inteligente” “O Corpo” (este em que foi baseado o filme “Conta Comigo”), dois contos que poderiam muito bem fazer parte desta lista.

Então, por que escolher “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”? 

Primeiro por ele ter dado origem ao clássico do cinema “Um Sonho de Liberdade”, também adaptado por Frank Daranbont.

Segundo, e mais importante, por ser um dos momentos onde Stephen King mostra, no início de sua carreira, que tinha a sensibilidade para histórias mais humanas e menos fantásticas, enquanto a história de  Andy Dufresne, preso perpétua e injustamente pelo assassinato da esposa e do amante dela nos é contada por Ellis “Red” Redding, seu melhor amigo ali dentro daquele inferno prisional.

De modo apaixonante, Stephen King mescla angústia e alívios cômicos por aspectos psicológicos e viradas inteligentes da trama, além de um final épico totalmente encaixado à trama disposta de modo não linear e truncada na linearidade dos 25 anos que separam suas pontas. Sem dúvidas, esse é um dos exemplos máximos da maestria de Stephen King.

Confira o trailer do filme adaptado deste conto… 

 

3) “O Fim da Confusão Toda” (1993)

Resultado de imagem para pesadelos e paisagens noturnasNas palavras do próprio Stephen King, “o conto é um gênero literário difícil e desafiador”. E da história sinuosa e curta de 1982, citada anteriormente, até esta veloz e direta história curta de 1993, presente na terceira coletânea de contos do autor, intitulada “Pesadelos e Paisagens Noturnas” (1993), fica evidente como ele havia lapidado sua forma de extrair emoções do leitor, distanciando do terror clássico, e investindo nos aspectos humanos de seus personagens.

Não que “O Fim da Confusão Toda” seja melhor que “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank”, mas se o segundo tinha o impacto das circunstâncias sobre uma personagem que consegue sua redenção como consequência da esperança, o primeiro, impacta da mesma forma, levando à catástrofe também partindo da esperança.

Em resumo, King cria em vinte e poucas páginas uma realidade alternativa onde dois irmãos descobrem como implementar a paz no mundo, conseguindo guiar a humanidade pelo amor. Mas nada no mundo pode ser tão bom sem um preço, e esse preço traz a angústia para as últimas linhas da narrativa, deixando o desenho destes resultados para a nossa mente, assim como fizera em “O Nevoeiro”. 

Confira a adaptação deste conto para o série “Nightmares & Dreamscapes”, intitulada “O Fim da Desordem”… 

 

4) “Sobrevivente” (1982)

Resultado de imagem para stephen King sobreviventeInfelizmente, nunca vi esse conto indicado quando se fala em Stephen King, e para mim esta é a história mais perturbadora que apenas sua mente deturpada poderia conceber. Publicado pela primeira vez na coletânea “Terrors”, em 1982, editada pela Doubleday & Co., este conto está disponível na coletânea “Tripulação de Esqueletos”, lançada em 1985. 

Apresentado como um diário de um naufrago, King cria uma paisagem pitoresca para seu personagem: “são 190 passos em sua parte mais larga e 267 de ponta a ponta. Que me conste, não existe nada para comer nela”. 

Preste bem atenção a este detalhe, não existe comida na ilha onde nosso sobrevivente se encontra e o conto abre com uma pergunta interessante neste contexto: “Até que ponto o paciente suporta um trauma?”. A resposta vem na sequência, com outra pergunta: “Até que ponto o paciente deseja sobreviver?”. Ligou os pontos? Pois então. King coloca drogas -“Não há escassez de fósforos. De fósforos e de heroína”-, tráfico, alucinações e auto-canibalismo.

Richard Pine, cirurgião frustrado, nos conta de modo truncado sua desventura nessa ilha rochosa (não existe uma única árvore), acompanhado de quatro galões de água, um estojo de costura, outro de primeiros socorros, duas facas (uma cega e outra razoavelmente afiada), uma combinação de garfo e colher, nada de comida, e dois quilos de heroína pura. O resultado final dessa história é brutal, angustiante e genial!

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