ATUALIZANDO A DISCOTECA: Status Quo, “The Last Night of The Electrics” (2017)

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Status Quo: “The Last Night of The Electrics” (2017, earMUSIC, Sound City Records, Shinigami Records) NOTA:10,0

Será que realmente seríamos mais felizes se tivéssemos a consciência de que a linearidade temporal é uma convenção estritamente humana? Não posso responder isso, mas ver a visita cruel do tempo numa das mais legais banda de Rock da história me faz duvidar se realmente isto seria apenas uma convenção. Sei que várias bandas findaram suas atividades, e algumas até registraram seu “derradeiro” momento no palco. Como esquecer do lendário “The Last Watlz”, da histórica The Band? Mas quando uma banda emblemática como Status Quo registra em “The Last Night of The Electrics” a noite de 11 de dezembro de 2016, onde Francis Rossi, Andrew Bown, John ‘Rhino’ Edwards e Leon Cave plugaram os seus instrumentos e subiram ao palco do The O2 para tocar, pela ‘suposta’ última vez, seu espontâneo e elétrico show ao vivo, é impossível não sentir uma pontada no coração.

Durante os últimos anos a banda vinha sendo uma das resistentes ao tempo, sendo uma das mais antigas bandas em atividade, pareando junto ao Rolling Stones. Ambas conseguem ser dinossauros do Rock, sem destoar da paisagem moderna, ou sendo uma caricatura de si mesmo, despertando o máximo respeito e reverência mesmo daqueles que não são adeptos de seu Rock Clássico.

Confira a performance para “Caroline”… 

Apesar do Status Quo só ter nascido em 1967, seu embrião surgiu numa escola londrina, em 1962 (alguns dizem que até um pouco antes do Rolling Stones) atendendo pelo nome de The Scorpions. Ali já estavam Francis Rossi (guitarra e vocal) e Alan Lancaster (baixo e vocal) dando início a uma das mais longevas histórias do Rock!

Logo mudaram seu nome para The Spectres e começaram a mergulhar no afluente psicodélico em que o Rock desaguava, além de já ter um contrato com a  Piccadilly Records, até que em 1967, quando Rick Parfitt (guitarra e vocal), entrou para o time se rebatizaram definitivamente como Status Quo.

E Parfitt foi um dos sustentáculos da banda, ajudando a construir a identidade que viria na próxima década. Neste sentido, “The Last Night of The Electrics” é, também, uma homenagem à ele, afinal, o show registrado em 11 de dezembro de 2016, no O2 de Londres, vinha desfalcado de sua guitarra, por ordens médicas. O guitarrista, único membro remanescente da fase áurea junto com Rossi, faleceria na véspera de natal daquele mesmo ano.

Voltando no tempo vemos que a trajetória do Status Quo não teve começo fácil. Até lançarem “Dog of Two Head” (1971), seu quarto álbum, quando adotaram uma estética mais pesada e intransigente, tanto visual quanto sonora, eram uma banda de bons singles, mas de álbuns que ainda careciam de certo impacto.

“The Last Night of The Electrics” é a última valsa do Status Quo, e merece toda a nossa atenção! 

Mesmo que trouxessem bons momentos como “Pictures of Matchstick Men” e “Shy Fly”, se comparados à combinação de Hard Rock, Blues e Country de “Dog of Two Head”, estes três primeiros trabalhos soam como boogie rock entremeado à psicodelia sessentista do Bee Gees.

Mas a partir dali temos uma das grande sequências de álbuns de Classic Rock que uma banda forjou, com títulos do quilate de “Piledriver” (1971), “Hello” (1973), “Quo” (1974, e um dos mais pesados da discografia), “On The Level” (1975. O melhor!) e “Blue For You” (1976). Uma fase muito bem representada no setlist deste “The Last Night of The Electrics” em clássicos como “Paper Plane”, “Roll Over Lay Down”, Caroline”, “Down Down”, “Bye Bye Johnny” (de Chuck Berry), “Gerdundula”, e “Rain”. 

De 1977 para frente, enquanto o Punk Rock tomava de assalto a cena roqueira, a banda resolveu arrefecer sua rebeldia, se tornando mais acessível em “Rockin’ All Over The World” (1977), “Whatever You Want” (1979) e “Just Supposin'” (1980), os grandes momentos de sua fase pós “Quo Live” (1977), um dos grandes discos ao vivo da história do Rock.

Em “The Last Night of The Electrics” este momento mais acessível de sua história está devidamente representado pelas faixas-título dos álbuns de 77 e 79, além de “Somethin’ Bout You Baby I Like”, “Hold You Back” e no “Proposin’ Medley”, que faz uma ligação entre estas duas fases principais da banda, com destaque ao trecho de “Down the Dustpipe”, além de “In the Army Now” uma composição do álbum homônimo de 1986, trazendo nesta versão ao vivo um pouco da estética oitentista junto a uma “pegada Neil Young”, sendo uma composição que ganhou força novamente na última década!

Confira a performance para “In The Army Now”… 

E se o Status Quo se manteve produtivo no novo milênio, nada mais justo que faixas como “Beginning Of The End”, de “In The Search of the Fourth Chord” (2007), além de “The Oriental” e Creepin’ Up On You” do ótimo “Heavy Traffic” (2002) estejam presentes no setlist. Claro que as composições da era setentista se destacam pelo peso, o que transforma o CD 2 na melhor parte do registro, pois o CD 1 se divide entre peças antigas e novas.

Ou seja, “The Last Night of The Electrics” não é um trabalho gratuito, muito pelo contrário, é a celebração de um dos grandes nomes da cena setentista, de quando o Rock parecia envolto numa magia, e o Status Quo era um de seus mais proeminentes magos, conjurando um Rock N’ Roll básico, bem temperado por peso, energia, e atitude.

E é de impressionar como um senhor da idade de Francis Rossi consegue incendiar uma festa Rock n’ roll em cima do palco, em ritmo acelerado e energia contagiante de seu Rock encharcado de boogie, a marca registrada do Status Quo que sempre teve sua música fincada nas raízes do Blues. Não faltam em “The Last Night of The Electrics” pianos maliciosos, momentos de “improviso”, e todo o estoque de elementos que agradam aqueles que buscam a essência do Rock n’ Roll.

Claro que faltam clássicos como as vigorosas “Backwater” e “Big Fat Mamma”, ou a primeva “Pictures of Matchstick Men”, mas esta é também uma celebração de como superar a invariável ação do tempo: se tornando eterno por sua arte!

“The Last Night of The Electrics” é a última valsa do Status Quo, e merece toda a nossa atenção!

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