ATUALIZANDO A DISCOTECA: Seventh Sign from Heaven, "Judgement of Egypt" (2017)

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Seventh Sign from Heaven: “Judgement of Egypt” (2017, EP, Independente) NOTA:8,0

Não há como negar, o nordeste está se revelando como o atual celeiro do heavy metal nacional, abarcando as mais variadas vertentes com qualidade e competência. E a mais recente contribuição deste cenário musical para o gênero vem do estado do Piauí, batizada como Seventh Sign from Heaven e praticando uma forma moderna de heavy metal tradicional, pesado e bem construído, como já nos mostram os primeiros momentos da faixa “Judgement of Egypt”, que batiza e abre este primeiro EP da banda.

Com cinco faixas completando algo em torno de vinte minutos de música, o quarteto formado por Mark Neiva (Vocal/Guitarra), Álvaro Mkbrian (Guitarra), Filhin Nascimento (Bateria e destaque instrumental), e Zinha Soares (Baixo) desenha melodias bem equalizadas com peso em passagens trabalhadas, gerando uma dinâmica instrumental tipicamente metálica.

A produção é crua um pouco além da medida, principalmente em momentos em que as linhas vocais e as guitarras de Mark Neiva aparecem em primeiro plano, soando como se o restante do instrumental estivesse “atrás” na sonoridade, tirando a homogeneidade do instrumental como banda, dando a impressão de que o trio restante está ali para desenvolver a base para que Neiva desfie seu rosário metálico. Claro que essa sensação está isolada em momentos pontuais, e convenhamos que Neiva, nitidamente o líder da banda, tem a exata dimensão do que quer para a sua música.

No geral, as composições são boas, técnica e melodicamente diversificadas dentro de uma remodelação conceitual sombria (com referências bíblicas aos antigo testamento em suas letras) dos ensinamentos da NWOBHM, se dividindo entre influências de Iron Maiden e Judas Priest, além de algo de Metallica e Iced Earth, mas com personalidade própria e técnica apurada, com destaque à balada ao violão com sabor hard rock, “Pain in Yours Eyes”, “The Devil Fears Your Name”, faixa que aos meus ouvidos seria brilhante dentro do gênero que se propõe se fosse melhor polida nos vocais.

Confira o clipe de “The Return”… 

E exatamente são os vocais que acredito precisarem da atenção da banda com  foco no seu crescimento e amadurecimento. Mesmo que bem desenhados em suas linhas, o heavy metal aos moldes tradicionais que se propõem carece de mais técnica e força na execução dos vocais.

O que não significa que Neiva seja um vocalista ruim, muito pelo contrário, sua versatilidade fica evidente na faixa “Paid on the Cross” (que aliás, com uma produção mais lapidada ficaria ainda mais eficiente em sua forma cadenciada e dramática). Mas é fato que três destas cinco composições ficariam ainda mais impactantes com vocais mais fortes, agressivos e dramáticos. Creio que este seja o ponto principal que a banda precisa trabalhar para aparar as arestas de sua sonoridade.

Por fim, o EP cumpre a missão de apresentar a banda, mostrando fagulhas do brilhantismo a ser apresentado no futuro, com alguma lapidação e esmero que já é explícito no digipack que embala este trabalho e mostra a preocupação da banda com sua obra.

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