ATUALIZANDO A DISCOTECA: Saxon, “Thunderbolt” (2018)

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Saxon Thunderbolt
Saxon: “Thunderbolt” (2018, Silver Lining Music, Shinigami Records) NOTA:9,0

Que me perdoem os fãs de Iron Maiden e Judas Priest, mas nos dias de hoje o Saxon é a maior bandeira do puro e sólido heavy metal britânico. Filho da NWOBHM que nos deu ao menos cinco discos que são clássicos supremos do gênero, e outros tantos excelentes, o Saxon nos apresenta seu vigésimo terceiro álbum de estúdio, “Thunderbolt”.

Claro que numa carreira tão longeva – seu primeiro e auto-intitulado álbum data de 1979 – é impossível não termos alguns escorregões (que o diga “Rock the Nations” [1986]), mas indiscutivelmente, desde de “Unleash the Beast” (1997), o Saxon vem em sequência, ao longo de vinte anos, reforçando e revitalizando os cânones do heavy metal!

“Thunderbolt” chega três anos depois de “Battering Ram” (2015), bem descrito pelo vocalista  Biff Byford como “uma coleção de faixas vigorosas, destruidoras e trovejantes”. Acredite, ele não foi exagerado em sua avaliação.

A energia da velha escola do heavy metal foi muito bem canalizada pela produção de Andy Sneap, que oxigenou as guitarras sincronizadas (à cargo de Paul Quinn e Doug Scarratt), encorpou a pulsação da seção rítmica (completada por Nibbs Carter [baixo] e Nigel Glockler [bateria]) e conferiu ainda mais espaço à voz característica de Biff, que deu um show em suas linhas.

O Saxon conseguiu mesclar neste novo trabalho muito bem as suas formas distintas de heavy metal hard rock, dialogando de modo eloquente e criativo com seu legado, mas sem soar como um auto-mimetismo.

A faixa título, por exemplo, que chega após a abertura climática e carregada de reverência metálica, nos remete diretamente ao já citado “Unleash the Beast” (1997),  enquanto “They Played Rock and Roll” (uma homenagem ao Motorhead) aglutina todo o apelo rock n’ roll que sempre existiu na carreira do Saxon. Apelo este que se encontra nas demais composições, entre um andamento e outro, ou passando de um solo de guitarra para outro.

Já “The Secret of Flight”, uma das melhores do disco, e “Sons of Odin” são a essência irresistível do metal inglês, com grandiosidade melódica, nobreza épica e peso bem calibrado. Peso que aliás vem mais evidente e veloz em “Sniper” e “Roadie’s Song”.

Essa essência britânica também aparece na quase gótica (mais em conteúdo do que na forma) “Nosferatu (The Vampires Waltz)”, com andamentos cadenciados e diferenciados, dramaticidade e climas bem criados, sendo a composição mais progressiva de “Thunderbolt”. Essa faixa ainda ganhou uma versão mais rústica fechando o álbum, com vibração que remete ao excelente “Killing Ground” (2001).

No geral, “Thunderbolt” é um disco de puro heavy metal, cativante em sua dinâmica vívida. Mas também cativante pelos elementos pontuais que dão sabor diferenciado em cada composição. Pegue, por exemplo, os vocais guturais de “Predator”, que são eficazes em contornar os clichês metálicos desta composição que possui uma pegada que lembra o Grave Digger.

Pra não dizer que esses desvios dos clichês funcionam sempre, ” A Wizard’s Tale” soa desinteressante dentro do contexto. Todavia, “Speed Merchants” vem na sequência com um heavy metal em estado bruto, colocando tudo nos eixos novamente.

“Thunderbolt” reflete um Saxon maduro, que já experimentou de tudo dentro do hard rock/heavy metal e soube escolher o que era bom para seu desenho musical, criando uma personalidade dotada de segurança para ousar em pontualidades, sem se descaracterizar.

Infelizmente, parece que este disco foi ofuscado por “Firepower”, do Judas Priest. Mas, na minha opinião, “Thunderbolt” é melhor se comparado a  “Firepower” simplesmente por ser mais honesto e orgânico em sua concepção, e, principalmente, por não soar como um pedido de atenção (para não dizer de desculpas) para seus fãs!

Confira o clipe de “Nosferatu (The Vampires Waltz)”…

Confira o clipe de “Thunderbolt”…

Confira o lyric vide de “They Played Rock and Roll”…

 

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