ATUALIZANDO A DISCOTECA: Rotting Christ, “Abyssic Black Cult” (2017)

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Rotting Chist: “Abyssic Black Cult” (2017, Heavy Metal Rock) NOTA:9,00

Não tenho dúvidas de que uma das melhores discografia do Black Metal pertence à banda Rotting Christ. Tão badalada quanto suas congêneres escandinavas, a banda sempre alternou entre a agressividade e o experimentalismo atmosférico, dando protagonismo sazonal a cada uma destas nuances, mas sempre conjurado álbuns de alto nível, e nunca cortando totalmente a ligação com suas raízes que se aprofundam até as históricas demo-tapes “Satanas Tedeum” (1989) e “Ade’s Winds” (1992), ambas relançadas nesta coletânea intitulada “Abyssic Black Cult”. Ou seja, por si só, temos em mãos um material histórico, contendo rico material gráfico, com as capas originais e letras das músicas.

Ambas as demo tapes nos dão uma ideia de como a banda soava antes de lançarem seu clássico e primeiro full lenght, “Thy Mighty Contract” (1993), sendo separadas cronologicamente pelo EP “Passage to Arcturo” (1991).

Confira o raro EP “Promo 95” incluído nesta histórica compilação… 

A primeira, “Satanas Tedeum”, vinha com cinco faixas que, se não traziam a excelência e requinte que veríamos na década seguinte, já explicitava alto potencial em faixas como “The Hills of The Crucifixion”, “Feast of the Grand Whore” e “The Sixth Communion” (trazendo algo de Celtic Frost nos arranjos iniciais) com fortes traços de Death/Doom Metal, principalmente no vocal, mas já afinadas à podreira áspera do Black Metal, variando velocidade dos arranjos e pontuais coros climáticos.

Era de se esperar uma produção não das melhores, muito até em decorrência da própria fórmula decadente e primitiva do Black Metal, mas a banda já se mostrava mais profissional mesmo dentro destes parâmetros estéticos mais rotos, com certa originalidade carregada de cores Death/Thrash preenchendo o contorno musical ligado à segunda onda do Black Metal.

Ainda é perceptível alguma remissão ao Death Metal/Grindcore (podemos ver resquícios em “Restoration of the Infernal Kingdom” “The Nereid of Esgaulduin“) praticado nos primeiros dias após sua gênese em 1987, na capital grega, pelos irmãos Sakis “Necromayhem” Tolis (guitarra e vocal) e Themis “Necrosavron” Tolis (bateria).

Já “Ade’s Winds”, mesmo limpando um pouco da sujeira, assusta pela produção abaixo da demo anterior, com alterações de volume consideráveis, mas mesmo assim não escondendo a clara evolução técnica e de entrosamento entre os músicos que já traziam mais identidade nas duas faixas que a completava.

Oldie

“Abyssic Black Cult”  é uma compilação lançada em 2017 pela banda grega de Black/Death Metal Rotting Christ, contendo as demos “Satanas Tedeum” (1989), “Ade’s Winds” (1992) e a Promo “Snowing Still” (1995), com exclusividade para o mercado nacional… 

“Fgmenth, Thy Gift” “The Fourth Knight of Revelation (I & II)” já deixavam a rispidez e agressividade do Death/Grindcore para traz, dando a seu Black Metal texturas obscuras, criando uma atmosfera decadente, mas envolvente, investindo em ritmos hipnóticos, desde as linhas de bateria até as de guitarra e por teclados pontuais. “Ade’s Winds” soa como um protótipo do que se seguiria na carreira da banda com maior lapidação e maturidade.

Além disso tudo, ainda temos o registro raro intitulado “Promo 1995”, aqui denotado como “Snowing Still”, uma demo tape registrada no Storm Studio em Atenas (mesmo estúdio onde os álbuns  “Thy Mighty Contract” e “Non Serviam” foram gravados) e lançada em 2013 em cópias limitadas e numeradas em Mini LP e K7.

As três composições deste registro estariam mais tarde melhor acabadas no álbum “Triarchy of the Lost Lovers” (1996), uma obra-prima do gênero, diga-se, aqui em versões mais arrastadas, obscuras, longas e primitivas, cheia de crueza gélida, mas longe do radicalismo escatológico.

Este “Promo 1995” traz uma produção cavernosa e mais coesa que a anterior, e tecnicamente é inegável a evolução final do Rotting Christ, que volta a usar de artifícios harmônicos do Death/Thrash Metal noventista, mas com identidade impressa nos climas e nos arranjos talhados nos detalhes, ainda mais refinada e trabalhada em faixas preciosas como “Snowing Still”“One With The Forest” (um Doom/Black Metal interessante cheio de climas obscuros) e “The Opposite Bank” (com sua variação vocal arrepiente) que se sobressaem no material por já conseguirem dar contornos artísticos ao que havia de mais abjeto na música ocidental. Aqui fica claro que o Rotting Christ já estava pronto para a sequência de obras-primas que se seguiriam.

A partir daqui, a banda demonstraria muita inteligência e criatividade ao evoluir desta estética musical, sem apresentar álbuns iguais, se renovando constantemente e se tornando um dos nomes mais relevantes e interessantes dentro do metal extremo atual, com alta técnica, ousadia e melodia.

“Abyssic Black Cult” vai além de um registro histórico de um dos maiores nomes do Black Metal, é um presente para os fãs de Death/Black Metal brasileiros, afinal é um álbum exclusivo para o Brasil, lançado pelo selo Heavy Metal Rock.

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