ATUALIZANDO A DISCOTECA: Riviera, “Aquário” (2018)

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Por Laira Arvelos

“Entre o ser e o que convém 

Descontrolo todos os meus instintos 

Em contínuo vai e vem 

Ao mover se torna previsível “

Riviera - Aquario
Riviera – “Aquario” (2018, Independente) NOTA:9,0

Você tem, teve, ou conhece pessoas que estão com depressão?

Passou ou conhece o sentimento de angústia?

O olhar para nossa sociedade e relações ou falta delas, e o crescente número de pessoas desoladas por esta doença, marca o momento onde acredito que precisamos de mais informação, precisamos falar sobre saúde mental.

Precisamos falar de sentimentos. Precisamos conversar.

Muito além de um medo ou ansiedade pelo futuro, a angústia nos incapacita para o presente, nos emaranha em um estado sufocante de compressão, dor e agonia. Um sentimento de vazio de falta de sentido a existência, incapacidade de possibilidades e interação.

Diante disso, o que me provoca admiração por este “Aquário”, novo álbum da banda Riviera, é a força do vocalista e guitarrista Vinícius Coimbra que luta esta batalha interior e externa abertamente sobre este assunto, e transforma este nó em música, hoje em momentos que minha cabeça se enche de pensamentos, espontaneamente como um mantra eu canto “tão maior que eu, tão maior que eu”.

E o encanto se fortalece ainda mais por saber que é uma produção autoral pensada e criada do zero, arte, música, e principalmente rock para mim é algo muito além, é atitude.

Riviera é um sólido nome da cena independente mineira. A banda de rock alternativo chama atenção pela profundidade das letras e a variação das sonoridade e peso do som, e traz em “Aquário” (2018) um ensaio sobre sentimentos contemporâneos, de medo e angústia.

O álbum está disponível nas plataformas de música digital e este nome escolhido traduz no trabalho um grupo experiente que usa este aquário como símbolo deste lugar bonito, de contemplação, lar, abrigo, carceragem e martírio que é nossa mente.

Destaque para o belíssimo conceito, criação e fotografia que assevera o bom gosto e cuidado de produção que transmitem esta sensação de beleza e sufocamento.

“Do Céu Ao Mar”, consegue nos transportar aos incontroláveis extremos da angústia o som pungente e pesado, espelha o que a letra exprime, a minha ressalva, e talvez seja a única em relação ao trabalho está no início, onde o vocal está mais lento e sem força, a sensação que fica é que parece ser tirada de um trabalho diferente, porque até mesmo quando a proposta é ser mais “down”  como em “Sereno” o vocal está mais  encorpado,  nesta há um grito embargado de luta, de sofrimento, de fim, de busca por algo, por esperança; Seremos?

Em “Temporário”, a combinação do drive na voz, as nuances de climas, backing vocal, e a temática do tempo e efemeridade constroem para mim a melhor música do disco, junto a “Indefinível”, onde Rapha, Rafa e David mostram o peso das músicas mostrando uma banda e voz maduras com sonoridade impactante expondo temáticas que não podem ser controladas. O clipe de “Temporário” consegue espelhar o fastio que acomete quem está casado e sem estímulos.

 “Garganta” é um desabafo, movidos pela carga musical cantamos como se houvesse chances de desatar o nó, cansados das falhas das mentiras, das condições e da sensação de fracasso, grita se um basta, não quero ouvir mais nada “se ponha em meu lugar”.

“Entre o ser e o que convém” traz uma melodia compassada, um refrão que também não vai sair da sua cabeça, “Eloquente”, como o nome diz, convence, remete a um lugar de suspiro e solidão, reafirmando minha impressão de que quando Vinícius impõe energia no vocal as músicas se condessam.

“Aquário” é imperativo, um trabalho sensível e astuto que ganha seu espaço por difundir temas importantes, e usa individualidades para alcançar o coletivo, promovendo a empatia através de rock de qualidade.

Ouça “Aquário”: http://bit.ly/AquarioRiviera

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