VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Ramones, “Adios Amigos!” (1995)


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Dia Indicado Pra Ouvir: Quinta-Feira

Hora do dia indicada para ouvir: Cinco da Tarde

Definição em um poucas palavras: Alternativo, América Querida, Baladas, Contra Tudo Isso Que está aí, Grudento, Guitarra, Punk, Som de Macho, Urbano.

Estilo do Artista: Punk Rock

Ramones Adios Amigos Johnny Ramone
Ramones – “Adios Amigos” (1995, EMI)

Comentário Geral:  Em sua autobiografia (cuja resenha detalhada pode ser lida nesse post), Johnny Ramone nos confessa que, em 1995, no saguão de um hotel, enquanto assistia a um programa da ESPN, tivera sua aceitação da aposentadoria.

Todavia, o próprio Johnny Ramone afirmaria que em sua cabeça a banda nunca esteve acabada até Joey Ramone falecer, em abril de 2001. Para o líder dos Ramones, “não havia mais Ramones sem Joey”. 

A dupla era a metade fundadora que ainda permanecia na banda que ajudara a construir as fundições do punk rock. Antes de sair de cena, Johnny Ramone tinha um último trabalho a fazer: “senti que podíamos fazer mais um álbum, que seria Adios Amigos, um de nossos melhores.”  

Tudo bem, Adios Amigos, lançado em 18 de junho de 1995, pode não ser melhor do que algum dos quatro primeiros álbuns da banda, mas supera, em larga escala, muito do que foi lançado em meados da década de 1980 pelo Ramones.

Parafraseando o guitarrista, alguns destes álbuns tinham três ou quatro boas canções e o resto era bastante fraco, mas em Adios Amigos, até a faixa menos valorosa é decente.

Os dinossauros presentes na capa vão além da auto-referência como dinossauros do rock, representando uma raça em extinção dentro do estilo, ainda sem par mesmo na década de 1990, após tantas transmutações que o rock experimentou após o advento dos Ramones.

Em 1995, o mainstream musical norte-americano abraçava o punk rock praticado por nomes como Green Day, Offspring e Rancid, ou seja, uma variação mais comercial da contravenção musical de décadas anteriores, dando um banho de loja nas harmonias diretas, brutais e rústicas do Ramones.

Talvez por isso seja tão difícil discordar quando Johnny Ramone diz que “se os Ramones nunca tivessem existido e aparecessem agora (anos 1990), ainda iríamos pirar as pessoas. Ninguém tomou o lugar dos Ramones.”  

Em Adios Amigos,  faixas como “Born To Die In Berlim” , “I Love You” (singela e quase inocente ode ao amor, tão tradicional da banda), “I Don’t Want To Grow Up” (cover de Tom Waits, sugerido por C. J. Ramone) e “The Crusher” (dueto de C. J. com Joey, forjado em melodias rebeldes) são provas da relevância que o Ramones ainda experimentava eu seu décimo quarto, e último, álbum.  

Produzido por Daniel Rey, que também tocou todos os solos de guitarra, e gravado em Nova York, Adios Amigos, apesar de ser um álbum de reciclagem musical, apresenta uma banda mais tranquila e liberta, que resultou numa das melhores performances em disco do Ramones.

Johnny Ramone conseguiu seu melhor som de guitarra, Joey mostrou versatilidade vocal dentro de sua limitação, descortinando a seus detratores que era um artesão das linhas vocais pop.

O jovem C. J., além de cantar em quatro composições, mostrou que tinha futuro dentro do estilo, tomando certo protagonismo dentro do trabalho.

A notável performance da banda foi conseguida com muita emoção e intensidade. Dentre os destaques isolados, ainda podemos citar “Making Monster From My Friends” (canção de Dee Dee Ramone, cheia de rusticidade e melodia), “Life’s A Gas” (composição de Joey, com ecos do pop dos anos 1950), “Crettin Family” e “Scattergun” (melodias grudentas).

Todavia, o tesouro maior do álbum se encontra na balada sombria e melancólica de Joey, “She Talks To Rainbows”. Dentro da vasta discografia do Ramones, que se entrelaça à história do rock, dizem que tudo soa igual.

Talvez, este seja o álbum que mude este parâmetro, por soar mais melódico e cadenciado, abusando de progressões simples e cativantes, como retrato de um Ramones mais maduro e inteligente, menos provocativo e de exuberante construção musical.

Definitivamente, uma banda com a sensação de dever cumprido, em seu histórico álbum de despedida!

Definitivamente, você devia ouvir isto…  

Ano: 1995 

Top 3:The Crusher”, “She Taks To Rainbows” e “Born To Die In Berlin”.

Formação:  Joey Ramone (vocal),  Johnny Ramone (guitarra), C. J. Ramone (baixo e vocal),  Marky Ramone (bateria). 

Disco Pai:  The Clash: Cut The Crap (1985)

Disco Irmão:  Dee Dee KingStanding In The Spotlight (1989)

Disco Filho:  C. J. Ramone: Last Chance To Dance (2015)

Curiosidades: Na contra-capa do álbum, o Ramones simula seu próprio fuzilamento, uma clara alegoria para sua aposentadoria. Johnny Ramone pediu que fosse colocado o nome da gravadora nas costas do pelotão fuzilamento, o que foi, obviamente, negado. O resultado final foi o quarteto de costas, encarando o paredão de fuzilamento. 

Pra quem gosta de: Finais felizes, revolução, odiar o sistema, acordar de ressaca, sair de cena com classe e leite com bolachas (não é Johnny Ramone? – saiba porque na resenha da autobiografia dele, aqui).

 

 

Comentários

1 comentário Adicione o seu

  1. Will disse:

    Sensacional, pra mim o álbum mais maduro deles ao lado de “Mondo Bizarro”

    1. Sem dúvidas, ainda incluiria nesta lista o “Brain Drain”, como os mais interessantes e maduros álbuns da banda! Todavia, em termos históricos, não podemos nos esquecer dos quatro primeiros discos, que, mesmo crus e menos maduros, definiram muito da sonoridade punk… Abraços e volte sempre!

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