ATUALIZANDO A DISCOTECA: Prophets of Rage, “Prophets of Rage” (2017)

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Prophets of Rage: “Prophets of Rage” (2017, Hellion Records) NOTA:9,0

Na década de 1990 existia um Prophets of Rage. Um trio que se dedicava ao west-coast hip hop e que lançou dois discos ainda naquela década – “No More Patience” (1995) e “Brand New World” (1997).

Ao mesmo tempo, o Rage Against The Machine sacudia o mundo do rock com seus dois primeiros discos, e emplacava turnês que eram quase rebeliões contra o establishment ao lado de Public Enemy, em 1992, e o Cypress Hill em 1994.

Desses três nomes combativos da música surgiu uma longeva amizade entre alguns de seus integrantes que frutificou, em 2016, num novo grupo de profetas da raiva contra o sistema.

O Prophets of Rage do novo milênio traz Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk do Rage Against The Machine (também do Audioslave), Chuck D e DJ Lord do Public Enemy, e B-Real (que inclusive participara do clipe de “Killing in the Name”, no início dos anos 1990) do Cypress Hill.

A raiva contra o sistema ressurgiu com tenacidade nos envolvidos quando os discursos conservadores de Donald Trump  ganharam força na eleição norte-americana.

Foi motivado pela contestação que a banda se apresentou de surpresa executando releituras das três bandas das quais eram membros originais.

Logo os shows começaram a pipocar, os improvisos a aparecer e um EP brotou das sementes do inconformismo, com o rumo da política norte-americana ajudando a regá-las em pleno palco.

Os frutos foram sons de revolta compostos tão rapidamente que bastou um mês no estúdio, ao lado do produtor Brendan O’Brien, para trabalhar doze músicas que completam este primeiro full lenght.

Impacto certeiro na cena musical quando lançado, “Prophets of Rage” dividiu opiniões.

As comparações com o Rage Against the Machine são inevitáveis, pois o trio Morello-Commerford-Wilk criou basicamente uma versão mais menos distorcida de sua antiga banda, com  Chuck D e B-Real nos vocais. “Fired a Shot”, “Hail to the Chief”, “Smashit” e “Strenght In Numbers” são provas disso!

Nem o Audioslave, pontualmente, foi privado destas comparações, e até acredito que por isso algumas opiniões sobre este disco são negativas.

Mas não compactuo com elas, pois “Prophets of Rage” é um disco excelente! Pode não ser original, ou ter potencial de clássico, épico. Mas tem feeling e emoção aos borbotões. É contagiante!

Na verdade, o menor uso da distorção nas guitarras fez esse disco ser mais puxado para o ritmo do funk e do soul, e talvez isso tenha incomodado quem esperava a tensão bombástica de outrora.

De fato, a sonoridade é menos explosiva e a forma de expressar a mensagem menos agressiva que a do Rage Against the Machine, mas não menos combativa e profunda. Isso já é visto na ótima abertura “Radical Eyes”.

Estão, de fato, mais próximos da cadência do hip hop, de forma orgânica, do que da distorção e violência do metal alternativo.

Todavia, o poder dos riffs de guitarra de Morello e o groove do baixo de Tim Commerford estão intactos, guiando composições como “Legalize Me” (com groove de rachar o assoalho) e “Take Me Higher” (que sincopado é esse? Daria orgulho a James Brown!), mas todas remetendo a grandes momentos da black music norte americana mais provocativa.

Aliás, se você não é só fã de heavy metal, mas também de soul funk, vai certamente encontrar excelentes momentos neste álbum do Prophets of Rage. “Living on the 110” (Uma das melhores do disco!) e “Hands Up”, por exemplo, possuem algo do rock à moda setentista, misturado ao groove do soul/funk e com vocais de hip hop (gênero que constrói a curta “The Counteroffensive”).

Parece que buscaram alicerçar seu protesto mais nas idéias, no conteúdo do discurso, do que pelo ritmo primitivo e pela virulência, talvez pela ausência dos vocais primitivos de Zack de la Rocha, que sempre soa iracundo e inconformado, às vezes quase como um chato rebelde patológico!

Neste sentido, “Prophets of Rage”, o álbum, soa emocionalmente mais positivo, e até mais maduro e palatável em certos aspectos de discurso (ainda sobre política, racismo, drogas e  e capitalismo) e solidez musical, como mostram “Unfuck the World” “Who Owns Who” (tensa, pesada, com solo característico de Morello,  e outro dos destaques).

Mais do que música vibrante, o Prophets of Rage, entrega um álbum que marca tanto pela música quanto pela reunião dos nomes envolvidos, e prova que existe vida para os membros do Rage Against the Machine sem Zack de la Rocha.

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