ATUALIZANDO A DISCOTECA: Prong, “Zero Days” (2017)

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Prong, “Zero Days” (2017, SPV/Steamhammer, Shinigami Records) NOTA:9,0

Tommy Victor, mentor intelectual do Prong, gravou sete álbuns nos últimos três anos, cinco com o Prong e dois com o Danzig, o que nos leva a inferir que a qualidade esteja caindo, pois haja criatividade para não se repetir em tão pouco tempo. E a medir pelo vimos em em “X: No Absolutes” (2016), essa conjectura está muto longe da verdade, afinal, ali se encontrava uma perfeita alquimia de energia metálica, numa das melhores justaposições de Thrash Metal, Hardcore e Metal Industrial que a banda realizara em sua carreira, e o próprio Victor admite que seu processo criativo funciona melhor quando pressionado por um prazo.

Balizados por estes argumentos, nossa expectativa gira 180 graus e se tornam as melhores possíveis para “Zero Days”, mais recente trabalho. E se prazos apertados aguçam a criatividade e a veia de compositor de Tommy Victor, a nossa ansiedade brota fácil e viçosa como mato para ouvir este novo trabalho concebido em apenas quinze meses desde o lançamento de seu antecessor.

E a abertura com “However It May End” não só vai aplacar nossa ansiedade com energia, groove, guitarras poderosas, quebradas envolventes de andamentos e refrão imperativo, como também assustará pelo peso que usaram pra imprimir esta abertura de seu décimo quarto álbum.

Ouso dizer que “Zero Days”, é o ápice da discografia do Prong desde “Rude Awakening” (1996), destacando-se tanto em solidez e consistência, quanto em criatividade e envolvência!

Na verdade, quando “Reasons to Be Fearful” der acordes finais ao trabalho teremos a certeza de que “Zero Days” se apresenta mais pesado que o álbum anterior, com agressividade acentuada nas guitarras,  vocais mais fortes, além de velocidade e intensidade na seção rítmica, para moldar sua sonoridade clássica, com mais groove do que melodias grudentas (que aparecem com mais cor em “Divide And Conqueer”, “Blood Out of Stone”, “The Whispers”), estrategicamente disposto como forma de dar envolvência às composições.

A energia emanada de composições como “Forced into Tolerance” (uma pedrada Thrash Metal tipicamente americana!), e“Self Righteous Indignation” (que faixa é essa!) que vêm impulsionadas pelo peso atordoante, daria para iluminar o inferno por um mês. E mesmo em composições mais voltadas ao Punk/Hardcore, como a faixa-título, ou “Off The Grid”, este peso aparece diluído na fórmula proto-Groove Metal característica, retrabalhando seus tradicionalismos com perspicácia pelo Thrash metal, através de melodias e apelo alternativo (como na ótima “Wasting of the Dawn”).

O produtor Chris Collier, que trabalhou lado-a-lado com Victor também em “X: No Absolutes” (2016), mostra ainda mais sua mão neste novo álbum, que tem um sabor mais frenético, sem perder a dinâmica que dá ainda mais espaço à  energia e à atitude por uma produção orgânica e brilhante, deixando todos os instrumentos audíveis e detalháveis, além de conseguir espremer de Tommy Victor toda sua versatilidade nas seis cordas, e variação vocal.

Confira o lyric video de “Divided And Conquer”… 

Neste sentido, é impressionante perceber como a banda se mantém dentro de sua zona de conforto, mesmo que carregando no peso, sem soar auto-indulgente. Provas disso? Ouça “Interbeing”, “Operation of the Moral Law”,  “Rulers of the Collective” e “Compulsive Future Projection”, e perceba como ainda são marcantes as mutantes influencias de Killing Joke que o Prong bebeu de seu primeiro álbum.

E se em “X: No Absolutes” (2016), Art Cruz era fundamental pela sua ousadia nas viradas estratégicas que davam a oxigenação e dinâmica necessárias, agora, além disso tudo, ele é responsável por ser termômetro do peso e da intensidade das composições, mostrando ainda mais sua versatilidade.

Se Tommy é uma máquina de riffs poderosos, e o baixista Jason Christopher é a liga entre a bateria e as guitarras (fato escancarado na ótima “The Whispers”), então ouso dizer que Art é o coração dessa engrenagem, controlando o pulso e a pressão da máquina Prong.

Depois de uma sequência de cinco álbuns em cinco anos, mantendo a alta qualidade, só podemos agradecer ao Prong pelo Heavy Metal moderno e empolgante que nos oferece nesta fase recente de sua carreira! Mas ainda quero dizer que, para mim, “Zero Daysé o ápice de sua discografia desde “Rude Awakening” (1996), tanto em solidez e consistência, quanto em criatividade e envolvência!

 

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