LIVRO: “Prisioneiros do Inverno”, de Jennifer McMahon.

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Jennifer McMahon:”Prisioneiros do Inverno” (2015, Editora Record)

SINOPSE: Muitos acreditam que a pequena cidade de West Hall seja mal-assombrada. Ao longo de sua história, vários casos de pessoas desaparecidas foram registrados na região – mistérios nunca desvendados. Alguns moradores inclusive juram que o espírito de Sara Harrison Shea, encontrada morta em 1908, ainda vague pelas ruas à noite.

A jovem Ruthie acredita que tudo não passa de uma grande bobagem. Porém, quando sua mãe desaparece sem deixar vestígios, ela começa a desconfiar de que aquela região guarda algum mistério, e suas suspeitas são reforçadas quando ela e a irmã encontram uma cópia do diário de Sara escondido em casa. Na busca pela mãe, Ruthie encontra respostas perturbadoras, e ela pode ser a única pessoa capaz de evitar que um grande mal aconteça.

Este livro foi uma grata surpresa neste ano, pois eu não apostava muito nele quando escolhido em um grupo de leitura do qual participo. Mas a mistura de florestas amaldiçoadas, cidades assombradas, lendas urbanas, e morto-vivos por uma narrativa misteriosa prende a atenção do leitor do início ao fim, sendo dificílimo parar a leitura.

Desde o clássico “A Mão do Macaco”, de W. W. Jacobs, passando pela modernidade de “O Cemitério”, de Stephen King, sabemos que reviver mortos é uma das tentações mais perigosas dentro do gênero terror/suspense/mistério, tanto para os personagens, quanto para o escritor, pois os clichês perseguem o criador assim como os “reanimados” o fazem impiedosa e cruelmente com suas vítimas.

Desde o clássico “A Mão do Macaco”, de W. W. Jacobs, passando pela modernidade de “O Cemitério”, de Stephen King, sabemos que reviver mortos é uma das tentações mais perigosas dentro do gênero terror/suspense/mistério…

Todavia, mesmo que já largamente utilizado, esse gatilho desenvolve uma trama refinada, intercalando lendas urbanas interioranas, diários misteriosos, e bruxaria nos três enredos paralelos, com sabor de thriller, mistério policial e terror clássico, separados por décadas, mas que sabemos que irão se entrelaçar de alguma maneira.

Neste caminho não existe nada de repugnante e/ou chocante, mas o mistério rústico, frio, crú e acinzentado apura as emoções do terror através do que a mente é capaz de delinear, sendo este o real trunfo do romance de Jennifer, que amarra todas as pontas soltas ao longo do desenvolvimento, abraçando certos clichês e desviando imprevisivelmente de outros.

Se olharmos friamente, após desconstruída, a trama se mostra simples, estando na nossa construção mental a potência da narrativa, e isso é o mais impressionante, revelando a grande contadora de histórias que a autora é. O terror aqui é amorfo, abstrato, envolvente, mas assustador, e sem ser repulsivo, investindo mais no terror psicológico, inserindo uma grande carga emocional e alta tensão entre seus personagens.

O mistério rústico, frio, crú e acinzentado apura as emoções do terror através do que a mente é capaz de delinear, sendo este o real trunfo da obra…

E por mais intrincada e fantástica que seja a parcela de mistério, existe uma explicação racional para tudo (e aí onde mora o única porém do livro: o final), que até mesmo a racional e cética a agente Scully de Arquivo X conseguiria elucubrar facilmente.

Em suma, é um conto de horror que nos faz virar as páginas de modo incontrolável, mas que causou um leve desapontamento em seu desfecho. Pois é… No final Jennifer derrapa! Ao meus olhos, faltou que, como no conto clássico de Jacobs em “A Pata do Macaco”, ela não  nos deixasse ver o que “existia atrás da porta”!

Um livro que vale cada minuto de sua leitura, e vai te fazer olhar para os lados enquanto a trama desenrola…

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