PHILIP K. DICK: 3 Livros Pra Conhecer

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Philip K. Dick assistiu e viveu grandes eventos do século XX, e talvez por isso tenha adquirido uma forma diferente de contestar os acontecimentos à sua volta, exercitando, por questionamentos, sua imaginação e criando uma necessidade de investigar a natureza humana e seu impacto nas mais diversas realidades, que foram pano de fundo sútil das suas grandes obras literárias.

Frequentemente transportadas para o cinema, algumas de suas histórias se tornaram tão nominalmente conhecidas quanto não lidas, um fenômeno comum na modernidade.

São mais de 120 contos e 36 romances, que investem em questionamentos metafísicos, sociais e religiosos, bem como o conceito de realidade (alguns de seus personagens existem e não existem simultaneamente), o destino do homem e sua ligação com as forças do Universo, e poderes para-psicológicos. Como pano de fundo, envolvia suas reflexões filosóficas em parábolas adornadas por aventuras espaciais, consiparações ou em mundos distópicos.

Hoje, apresento três livros que considero essenciais para compreender seu universo. E para criar um critério de escolha, fugiremos de obviedades como “Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?”, “O Homem Duplo”, a coletânea “Realidades Adaptadas”, ou “O Homem do Castelo Alto”, que recentemente virou série pela Amazon. Se bem que para este último temos um texto inteiro para ele aqui

1) “Os Três Estigmas de Palmer Eldritch” (1964)

Resultado de imagem para Os Três Estigmas de Palmer EldritchPara alguns este é o ápice da obra de PKD, numa intrincada trama interplanetária cheia de reviravoltas que parece camuflar a real discussão do livro: o futuro da humanidade e do planeta Terra. Ou seja, seu cerne ainda é atual, e sua discussão não perdeu eloquência com o passar dos anos, continuando pertinente nos dias de hoje.

No futuro não tão distante os humanos foram obrigados a deixar a Terra e colonizar Marte em decorrência de um aquecimento global irreversível e contínuo. Nesse ambiente “a única coisa que faz a vida dos colonizadores suportável são as drogas. Única em sua finalidade, a Can-D “traduz” aqueles que a consomem para uma outra realidade.”

E num cenário de disputa mercadológica PKD consegue dar sua voz crítica, perspicaz e incômoda à trama que talvez mais se afine à ficção científica clássica de sua carreira.

2)“Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial” (1974)

Resultado de imagem para flow my tears the policeman saidEscrito em 1974, “Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial” apresenta uma trama desenvolvida num futuro não muito distante de quando foi escrito, afinal estamos num distópico 1988, discutindo temas típicos da literatura de PKD no âmbito social, existencial e político, onde ele reflete por linhas objetivas os conceitos de identidade e a perda dela, bem como o status de celebridade de modo mais subjetivo, num todo que discute as nuances entre percepção e realidade.

Na trama, “Jason Taverner, um dos apresentadores mais populares da TV, um dia acorda sozinho num quarto de hotel e percebe que tudo mudou; que se tornara um ilustre desconhecido. E pior. Descobre que não há qualquer registro legal de sua existência. Dividido agora entre duas realidades, ele vê-se obrigado a recorrer ao submundo da ilegalidade enquanto tenta reaver seu passado e entender o que de fato aconteceu, dando início a uma estranha busca pela própria identidade. “

Um dos livros mais emocionantes da obra do escritor, “Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial” foi indicado ao Prêmio Nebula de 1974 e o Prêmio Hugo de 1975, e no Brasil já foi lançado com o título de “Identidade Perdida – O Homem que Virou Ninguém”.

3)”Valis” (1977)

Resultado de imagem para philip k dick valisLogo após escrever “Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial” (1970) Dick experimentou uma série de estranhas coincidências em sua vida, de aspectos transcendentais, entre fevereiro e março de 1974. Esta experiência permeou muito de sua obra à partir de então, sendo esmiuçado no ensaio “How to Build a Universe that Doesn’t Fall Apart Two Days Later”, incluído em sua coletânea de contos “I Hope I Shall Arrive Soon”.

No entanto, foi em “Valis”, obra de 1977, onde ele retratou suas conclusões no que seria o início de sua trilogia inacabada, completada por “The Divine Invasion” (1980). Ainda temos em “A Transmigração de Timothy Archer” (1982) um aparte do tema central explorado na trilogia que foi truncada pela morte do escritor em março de 1982. O último volume seria “The Owl in Daylight”.

VALIS é um anacronismo para “Vast Living Intelligence System”, representando a visão de PKD do que seria Deus, explorando uma intrincada e própria teia teológica e filosófica, resultado de interpretações e reflexões sobre gnosticismo, rozacrucianismo, budismo, zoroastrismo, e até mesmo a Bíblia Sagrada.

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