ATUALIZANDO A DISCOTECA: Paulo Miklos, "A Gente Mora no Agora" (2017)

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Paulo Miklos, “A Gente Mora no Agora” (2017, DeckDisc) NOTA:9,0

Mesmo que sua saída da banda tenha mais de um ano, muitos ainda associam a imagem de Paulo Miklos com a banda Titãs. Fato compreensível, afinal ele este esteve como um dos comandantes da nau titânica desde sua gênese. Longe das drogas há quase dez anos, Miklos dá continuidade a sua carreira apresentando seu terceiro álbum solo, “A Gente Mora no Agora”, banhado em sobriedade e coragem artística, tendo nascido como uma barragem para sentimentos e lembranças difíceis de um passado recente e turbulento em sua vida pessoal.

Neste panorama, Miklos tinha uma tela branca em suas mãos, livre das obrigatoriedades estéticas de uma banda de Rock, gerando um terreno fértil para novas ideias e parcerias. “A Lei desse Troço” (em parceria com Emicida), faixa de abertura de “A Gente Mora no Agora”, vai deixar claro que a parcela Rock N’ Roll da alma de Paulo está adormecida, mesmo que com sono entrecortado pela virilidade roqueira de “Samba Bomba” (que parece um samba feito por uma banda londrina dos anos 1960), enquanto as brasilidades musicais tomam o protagonismo da composição.

Ou seja, é fato que a fertilidade deste novo terreno musical vem semeado com brasilidades atuais, que dialogam com as novas gerações, mesmo que com os olhos em pontualidades do passado da nossa música pop. Neste sentido, as parcerias deram um tom multifacetado ao álbum, numa dinâmica saborosa, sem se apegar a questões estruturais ou estéticas.

Paulo Miklos apresenta seu terceiro álbum solo, “A Gente Mora no Agora”, primeiro como ex-membro dos Titãs, banhado em sobriedade e coragem artística, quase como o recomeço de um artista, sem amarras físicas com o passado!

Também percebemos uma voz mais emocional, bem modulada pelas ondulações sonoras variadas de faixas como “Vigia” (com voz diferente do que estamos acostumados), “País Elétrico” (uma parceria com Erasmo Carlos que brinca com expressões populares, e traz uma dose interessante de psicodelia eletrônica moderna em seu espírito revolto e roqueiro), “Não Posso Mais”“Afeto Manifesto” e no frevo flamejante de “Deixar de Ser Alguém”

Essencialmente, “A Gente Mora no Agora” é um álbum mais alto astral, mesmo nos momentos mais introspectivos de “Princípio Ativo”, ou nas baladas deliciosas como “Risco Azul”, “Vou Te Encontrar” (composição brilhante de Nando Reis, com letra emocional e contemplativa), “Estou Pronto” (uma balada ao piano em parceria com Guilherme Arantes), e no confessional e esperançoso desfecho de “Eu Vou” (uma parceria com Tim Bernardes, d’O Terno).

Confira o clipe de “Vou Te Encontrar”, música composta por Nando Reis… 

Além disso tudo, este terceiro álbum solo de Paulo Miklos é dono de alta musicalidade, esmerado em seus detalhes, enquanto traz um forte apelo estético pop extremamente brasileiro, típico dos anos sessenta e setenta, com remissões requintadas e rejuvenescidas a nomes como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, e Guilherme Arantes.

Quase sempre, nestas treze músicas, as guitarras são trocadas por arranjos de violões, o baixo vem mais elegante, e a bateria mais amena e confortante, além de pinceladas de pianos e instrumentos de sopro, numa dança inteligente emoldurando letras que refletem seu universo, tanto interior quanto exterior.

Não espere a pujança dos tempos de Titãs, mas a eloquência artística Paulo Miklos que já mostrava de modo versátil naqueles tempos, fatalmente agradando os fãs com a cabeça mais aberta, além de acenar com sucesso para as novas gerações!

Confira o primeiro single para a faixa “A Lei desse Troço”… 

Pode ser que ele volte ao Rock de seu primeiro disco solo nos próximos passos, quem sabe o que a arte musical inquieta de Miklos nos proverá? Mas certamente este será um dos grandes álbuns de sua carreira, principalmente pela investigação musical que ele se propôs, quase como o recomeço de um artista, sem amarras físicas com o passado!

Só por isso, “A Gente Mora no Agora” é um dos discos mais interessantes do ano!

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