ATUALIZANDO A DISCOTECA: Paul Cauthen, “Have Mercy” (2018, EP)

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Paul Cauthen Have Mercy
Paul Cauthen: “Have Mercy” (2018, EP, Lightning Rod Records) NOTA:9,0

“Lil Son”, segunda faixa disponibilizada do novo lançamento de Paul Cauthen, já nos dava uma pista do que estava por vir neste mais recente trabalho: o estilo conhecido como americana  mais puxado para um country/gospel,  de vozes épicas e empostadas, como se Johnny Cash, Elvis Presley e Percy Sledge (confira a ótima “Tumbleweed”) se fundissem em meio a arranjos melódicos, áridos e rústicos.

Muito da impressionante técnica vocal de Paul Cauthen vem da herança do avô, um compositor texano dedicado ao gospel e que teve no currículo canções gravadas por Buddy Holly e Sonny Curtis, e que ensinara Paul e suas duas irmãs sobre harmonia vocal.

Seu primeiro álbum, intitulado “My Gospel” (2016), trouxe uma versão cheia de alma do alternative country, com inserções de órgãos, pianos, corais, steel guitars, e doses homeopáticas de naipes de metais, fazendo-o se destacar junto a nomes importantes da efervescente cena country atual, ao lado de Chris Stapleton, Cody Jinks, Sturgill Simpson, e Ryan Bingham.

Paul Cauthen Have Mercy
Paul Cathen é um verdadeiro trovador moderno, se dividindo com personalidade entre as influências de Elvis Presley e Johnny Cash.

Em “Have Mercy”, aos primeiros movimentos de “Everybody Walkin’ This Land” (que letra tem essa música!), podemos perceber que a criatividade para os detalhes dentro de uma instrumentação minimalista está apurada, numa faixa inspiradíssima, de forte implicações dramáticas e introspecção climática.

Uma música impressionantemente moderna que dá espaço a um banho de saudosismo em “Resignation”, com aquela malícia setentista típica das trilhas sonoras dos filmes de Quentin Tarantino.

Cauthen consegue mesclar muito bem antiguidades da música pop em composições concisas, nada datadas, entre o country/rock, country/folk country/blues, e de ritmo contagiante, seja pela animação ou pela inteligência do minimalismo que aplica através de uma produção aconchegante, orgânica, com aromas familiares para embalar canções melódicas como “Have Mercy”“My Cadillac” (com groove e certo experimentalismo no desfecho. Uma das melhores!) e “In Love With a Fool” (impossível não pensar em Elvis Presley).

São sete faixas em vinte e seis minutos neste EP que além evidenciar maturidade (principalmente nas letras) em relação a seu disco de estréia, deixa um gosto de quero mais para o próximo álbum completo deste verdadeiro trovador moderno que é Paul Cauthen.

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