ATUALIZANDO A DISCOTECA: Paralamas do Sucesso, “Sinais do Sim” (2017)

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Paralamas do Sucesso, “Sinais do Sim” (2017, Universal Music) NOTA:8,5

O Paralamas do Sucesso possui uma importância gigantesca para o Rock nacional à partir dos anos 1980, não só pelos álbuns clássicos que foram sucesso, mas também pelo apadrinhamento de bandas novas no eixo Brasília-Rio de Janeiro. Sendo assim, sempre desperta curiosidade quando temos um novo trabalho seu em mãos, o que não é diferente com “Sinais do Sim”, primeiro álbum de inéditas desde “Brasil Afora” (2009), lançado em 2017.

E de saída já posso dizer que temos o melhor disco da banda desde o emocional “Long Caminho” (2002), primeiro álbum da banda após o trágico acidente com o vocalista Herbert Vianna, sendo que agora vão totalmente contra contra a corrente das fusões e misturas usuais no pop rock nacional atual.

“Sinais do Sim” é um disco multifacetado e essencialmente roqueiro, seguindo a tradição crua e concreta dos power trios, por texturas secas, sem o amaciado lascivo dos metais (aqui eles estão mais comportados, com menos protagonismo) ou o conforto sintetizado dos teclados.

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“Sinais do Sim” é o melhor disco do Paralamas do Sucesso desde o emocional “Long Caminho” (2002), com roupagem mais seca, texturas cruas, e espírito roqueiro…

De fato, a faixa-título abre os trabalhos com bateria seca e guitarras cheias de ganchos melódicos, além de timbragem mais áspera e tradicional (Herbert caprichou nos riffs de todo o álbum), ligados pelo baixo que preenche os espaços.

E nesta faixa já dá pra sentir a mão do produtor Mario Caldato Jr, principalmente na diminuição das brasilidades musicais, e da clássica mescla de reggae com ska inglês (que aparece mais proeminente na ousadia tropical de “Sempre Assim”), mesmo que “Sinais do Sim” dialogue momentaneamente com a new wave dos primeiros álbuns (“Blow The Wind” traz harmônias que remetem a “O Passo do Lui” (1984)), ou com o Pop Rock mais conciso de meados dos anos 1990 (“Não Posso Mais” me lembrou algo do “Hey Na Na” (1998)).

Neste panorama, “Sinais do Sim” se revela versátil, afinal temos os insights de Hard Rock em “Contraste” (com destaque à performance de Barone), passando pelo groove soul/funk metalizado de “Itaquaquecetuba” (com letra interessante, e Herbert ousando em vocais mais sincopados e silabas que travam a língua), ou pelo Blues Rock de “Corredor” (uma das melhores do álbum). Temos até mesmo a psicodelia moderna remodelada por guitarras “fuzzeadas” de “Medo do Medo”. Aliás existe uma psicodelia disfarçada em pontualidades ao longo de todo o álbum!

Confira o clipe de “Sinais do Sim”… 

Claro que todos estes elementos estão diluídos pela musicalidade acessível da banda que vem mais puramente desfilada em “Teu Olhar” (remetendo ao já citado álbum de 2002, e evidenciando fragilidades na voz de Herbert, ao mesmo tempo que expõe seu alto feeling para solos), “Cuando Pase el Temblor” (mantendo a tradição de letras em espanhol), e “Olha a gente aí”.

“Sinais do Sim” é, de fato, um álbum mais sisudo e cinza, longe da melancolia de outrora, mas com harmonias mais fortes, e multifacetado ao remodelar suas estruturas e autorreferência. Além disso, vem envolto na mesma emoção miraculosa de todos os álbuns da banda que se seguiram ao acidente de Herbert.

Vale muito a pena conferir!

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