VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Paradise Lost, “Believe In Nothing”

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Confira a proposta desta seção aqui...

Dia Indicado Pra Ouvir:  Quinta-Feira;

Hora do dia indicada para ouvir: Cinco da Tarde;

Definição em um poucas palavras: Gótico, áspero, e classudo.

Estilo do Artista:  Gothic Rock/Metal

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Paradise Lost: “Believe In Nothing” (Relançamento 2018 – Nuclear Blast, Shinigami Records)

Comentário Geral: A trajetória do Paradise Lost até chegar em “Believe In Nothing”, ao longo de dez anos, foi do death/doom metal ao experimental eletropop, passando pelo pioneirismo do gothic metal, sendo uma das bandas mais influentes da década de 1990.   

“Host”,  álbum anterior (que resenhamos aqui), lançado em 1999, cruzou as fronteiras da ousadia e chegou a chocar os fãs, pois não mascararam a mudança e nem disfarçaram as influências de pop rock. Os teclados ganharam o primeiro plano em melodias que passaram da abordagem pesada e depressiva para o tom confortavelmente melancólico, e mais experimental.

Sem dúvidas “Host” foi o pico de ousadia do Paradise Lost dentro de sua fase mais experimental que seria fechada em “Believe In Nothing”, álbum seguinte, lançado de 2001, o segundo e último disco da banda lançado pela EMI.

A frieza das texturas eletrônicas e sintetizadas ainda dão as caras já na abertura, “I Am Nothing”, ou mais à frente em “Never Again” (com passagens ousadas de violino), e até na bônus “Leave This Alone”, mas se antes remetiam  diretamente ao Depeche Mode, agora, as guitarras retomavam o protagonismo, ainda muito distantes do peso do passado, mas com mais sujeira, lembrando algo de Killing Joke e Fields of the Nephillim.

Indo além do que convencionamos a chamar de gothic rock/metal, esse disco sempre soou como uma fusão da verve alternativa do Faith No More, da fase entre 1995 e 1997, com a melodia melancólica e cheia de climas do Sisters of Mercy ou do The Mission, com uma pincelada pontual de hard rock à lá The Cult.

Uma fórmula que pode ser desconstruída e plenamente percebida já no início do trabalho, em “Fader” (com passagens climáticas bem feitas e até pinceladas de orquestrações), passando por “Illumination” e a introspectiva “Divided” mais à frente, até “Control”, e“No Reason” (com guitarras preciosas) já no fim do álbum. Em termos de melancolia, o ápice vem na bônus “Gone”.

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Paradise Lost: “Believe In Nothing” (2001, EMI)

Esta abordagem musical era popularíssima à época, sendo desdobrada, renovada e remodelada por nomes como Sentenced, Type O Negative, H.I.M.,  Poisonblack, Tiamat, Anathema, Moonspell, e Samael, principalmente no que tange à mistura de guitarras distorcidas com a grandiloquência pop melancólica do gothic rock. 

Todavia, o Paradise Lost sempre teve uma identidade própria bem definida, e neste “Believe In Nothing” deu continuidade à sonoridade de “Host” tendo as guitarras contribuindo com o peso que emoldura os vocais graves e empostados de Nick Holmes.

Creio que não seria absurdo dizer que “Believe in Nothing” é uma mistura de “Host” com “One Second”.

Afinal, tiraram o tom sintético de “Host” em prol de texturas mais orgânicas e graves, mesmo que exista uma sujeira alternativa, quase industrial dando aspereza às texturas, que em sua maioria “pintam” arranjos melódicos saborosíssimos, como vemos no clássico “Mouth”, em “Look at me Now”“Something Real”, e na belíssima “World Pretending”.

“Believe in Nothing”  é um disco envolvente,  principalmente nas linhas de guitarra, que eleva a capacidade da banda em compor algo tão relevante para a música de sua época com tanta naturalidade, fato escancarado no contraste das melodias e linhas de bateria bem lineares, mas não menos eficientes, com as orquestrações discretas, bem inseridas, e muita criatividade nas estruturas.

Claro que o quase dark/pop/metal impresso nestas faixas incomodou alguns fãs do Paradise Lost mais ortodoxos, que já estavam perdendo as esperanças quanto a um retorno às origens.

Todavia, um olhar exterior a este nicho deixa claro como o Paradise Lost estava à frente de seu tempo no heavy metal, caminhando na dianteira da vanguarda do novo milênio. Ouça “Sell It to the World” e se pergunte se não era exatamente isso que acontecia.

Um detalhe interessante neste disco é que o Paradise Lost nunca renegou essa sua fase mais experimental como muitas outras bandas  fizeram, mas eles sempre odiaram a arte de capa original, e a produção também nunca os satisfez, tanto que neste relançamento de 2018 trocaram toda a arte final, além de remasterizar e remixar totalmente o trabalho junto ao produtor Jaime Gomez Arellano.

Aproveite que a Shinigami Records está disponibilizando esse relançamento no Brasil e corra atrás, pois VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO!

Ano: 2001

Top 3: “I Am Nothing”, “World Pretending, e “Fader”

Formação: Nick Holmes (vocais), Gregor Mackintosh (guitarra, teclados, programação e arranjos de cordas), Aaron Aedy (guitarra), Stephen Edmondson (baixo), e Lee Morris (bateria)

Disco Pai: Sisters of Mercy  – “First and Last and Always” (1985)

Disco Irmão: Tiamat – “Skeleton Skeletron” (1999)

Disco Filho: Beyond Surface  – “Destination’s End” (2004)

Curiosidades: Numa era onde a internet engatinhava em termos de “pirataria musical”, o álbum vazou seis meses antes, sem a mixagem final após a banda disponibilizá-lo para alguns DJ’s como forma de divulgação.

Pra quem gosta de: Castelos góticos, profundidade, seres notívagos, vinho tinto e ditar tendências.

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