ATUALIZANDO A DISCOTECA: Nervochaos, “Nyctophilia” (2017)

Assinar blog por e-mail

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

nervochaos_nyctophilia_web
Nervochaos, “Nyctophilia” (2017, Cogumelo Records, Voice Music) NOTA:10

Indiscutivelmente um dos mais importantes nomes do Death Metal brasileiro, o Nervochaos chega a seu sétimo álbum, “Nyctophilia”, dando oxigenação à sua proposta extrema por uma bem vinda ousadia obscura e brutal, reafirmando o negrume que vive no âmago do gênero. E essa sombra musical esta presente já no nome do álbum (afinal nictofilia nada mais é do que a atração pela noite ou pela escuridão) e na paleta de cores muito bem escolhida para a capa de Alcides Burn.

Neste sentido, fica claro que o aspecto sombrio destas novas treze composições é deliberado, assim como o trânsito desenvolto e dinâmico pelas diferentes nuances do metal extremo, reforçando ainda mais sua identidade sonora calcada na geração clássica do Death Metal, mas agora, alheio a rótulos e livre de regras, expandindo seu espectro criativo.

Imagem relacionada

O Nervochaos chega a seu sétimo álbum, “Nyctophilia”, dando oxigenação à sua proposta extrema por diferentes nuances do metal extremo, expandindo seu espectro criativo e reafirmando o negrume que vive no âmago do Death Metal…

Além disso, a produção seca e pesada de Alex Azzali (que também mixou e masterizou o álbum), mergulha  “Nyctophilia” dentro da forma old school do Metal Extremo, com agressividade natural, intensidade, e geometria simétrica, quase punk (mais evidente em “Live Like Suicide”, por exemplo, mas também nos backing vocals bem encaixados), além de flertes com Thrash Metal e Doom Metal (como na ótima “World Aborted”) que deram um movimento envolvente às faixas.

Claro que existem remissões diretas a cânones do Death Metal, como nas ótimas “Stained With Blood”Moloch Rise” (que me lembrou algo de Morbig Angel em seus riffs cortantes), “Ritualistic”, “Lord Death”, ou em “Waters of Chaos” (com seu groove pesado e vocais que mostram ascendências de Obituray), mas com muita personalidade e engenhosidade, mesmo nas auto-referências aos álbuns “Battalions of Hate” (2010) e “To the Death” (2012), principalmente, que perpassam algumas das composições.

Confira o clipe de “Ritualistic”… 

Todavia, não espere mimetismos, na verdade, espere até mesmo por algumas reinvenções destes classicismos, como em “An Maiorem Satanae Gloriam”, melhor do álbum, com elementos de Rock n’ Roll usados de maneira assustadoramente pesada e brilhante, remetendo ao Celtic Frost.

E são exatamente nestas faixas destacadas que percebemos como a formação se entrosou de modo a potencializar a unicidade e coesão sonora do Nervochaos. Isoladamente, a mão da guitarrista Cherry Taketani pode ser sentida em elementos que enriquecem ainda mais as composições, junto aos vocais agressivos, mas cativantes, de Lauro Nightrealm (também guitarrista). Mesmo assim, o sistema vital na engrenagem do Nervochaos está fixado no encaixe do baixo de Thiago Anduscias e da bateria de Edu Lane.

Confira o clipe de “An Maiorem Satanae Gloriam”…

Ainda merecem menção faixas como “Seasons of the Witch”, um Death/Black que se torna grandioso pela sobreposição de simplicidades, assim como o Thrash/Death Metal de “Rites of the 13 Cemeteries”, e a “esporrenta” Black/Thrash “Vampire Cannibal Goddess”.

Enfim, temos uma banda que mostra força para superar as adversidades através de novas e poderosas composições, sendo guiada há mais de vinte anos por Edu Lane que agora reuniu em torno de si, quiçá, a melhor formação do Nervochaos em sua história. Sem dúvidas, “Nyctophilia” briga pelo posto de melhor trabalho da sua discografia.

Vá atrás deste petardo metálico nacional, pois acredito que o tempo o colocará dentro os clássicos do gênero na cena Death Metal brasileira.

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *