ATUALIZANDO A DISCOTECA: “Minds That Rock – Brazilian Heavy Music Compliation”

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Vários: “Minds That Rock – Brazilian Heavy Music Compilation” (Shinigami Records, Metal Media) NOTA:

As coletâneas sempre tiveram um papel importante no desenvolvimento do Heavy Metal, seja internacional (como as históricas Metal Massacre e Metal For Muthas) ou nacional (como as não menos históricas SP Metal e Warfare Noise). E se naquele período esta modalidade de lançamento servia para as bandas contornarem as dificuldades de se conseguir um contrato com uma gravadora, ou os gastos de produção de um álbum completo, hoje em dia, o papel delas é divulgar de modo mais direcionado alguns nomes de uma cena inchada pela quantidade de lançamentos diários impossível de ser acompanhada.

O mais novo destaque deste modelo é a coletânea que a Shinigami Records, uma das principais gravadoras especializadas da América do Sul, em parceria com a Metal Media, uma das maiores empresas de comunicação em atividade voltada ao Heavy Metal, lançam no mercado, intitulada “Minds That Rock”, contando com dezessete bandas brasileiras que percorrem diversas vertentes do Rock/Metal, mas predominantemente com bandas mais pesadas.

Confira o lyric video da faixa “Atos Terroristas”, da banda mineira Pato Junkie… 

E de cara, destaco o dinâmico, imperativo e engajado Metal Punk das bandas The Wasted, Pato Junkie e Chafun di Formio. E enquanto a primeiro esbarra no Metal Tradicional na ótima “Heritage”, a banda mineira Pato Junkie vem mais ousada e madura, com melodia bem regrada para não perder a atitude das linhas groovadas que invadem o cérebro, ou o pujante tom revolto da empolgante “Atos Terroristas”. Já o Chafun di Formio equilibra com insanidade o Thrash/Crossover e o Hardcore novaiorquino na visceral “Discurso”.

Junto a esses destaques, encontramos, na ala “extrema”, o irrepreensível Black/Heavy Metal vampírico dos pernambucanos da Elizabethan Walpurga, com força, requinte, e pompa neoclássica na rápida “Infernorium”, que está muito bem acompanhada de “Enlighten”, da banda As Dramatic Homage, que explora uma forma liberta e progressiva de Heavy Metal, sobrepondo gêneros e texturas de modo impressionante, sem desmerecer o peso e a alta musicalidade.

Confira a faixa “Enlighten”, da banda As Dramatic Homage…

Já numa linha mais chapada, brutal, e groovada, temos o Endrah que espanta pela pressão apresentada em “Priced Out Of Paradise”, e o Losna com o Death/Thrash “podrão” e old school de “Mesmerized By Rotten Meat”,  também se firmando perto dos destaques desta coletânea, que ainda tem isolado, no fim da fila, o peso sabático e psicodélico da suja e quase “cerimonial” “The Last Sound Of Silence”, da banda Yekun.

Seguindo dentro das variantes do Metal Extremo, ponto para a banda paulista Gestos Grosseiros (que ataca com seu Death Metal cavernoso na faixa “Ambition”, marcando pelos breakdowns vibrantes e pela injeção de Thrash), para o Encéfalo (quebrando tudo no insano Death Metal da faixa “Blessed By The Wrong Choice”) e para o Thrash/Heavy Metal moderno do Vetor em “In The Sound Of The Wind”.

Ainda temos por aqui o Death/Thrash contestador, trampado e cantado em português do Bloody, ou a versão mais energética e dinâmica do gênero (e tão pesada quanto) à cargo do Dysnomia e do Maverick (com a empolgante “Upsidown”).

Confira a faixa “Upsidown” da banda Maverick… 

Claro que numa coletânea como essa a heterogeneidade das produções amplifica as qualidades, bem como escancara os defeitos de cada banda. E neste sentido, o Cerberus Attack sai perdendo, mesmo com seu Thrash Metal iracundo e tipicamente oitentista em “Face Reality”, que mostra alto potencial se bem trabalhado em estúdio.

O mesmo acontecendo com o multifacetado Darkship, que apresenta boas idéias em “Eternal Pain”, numa forte consciência pop ao passear por gêneros mais melodiosos do Rock/Metal, e que merecia uma produção melhor, assim como a banda Sacrificed, que soa abafada demais na interessante “Shame”.

Confira a faixa “The Last Sound Of Silence”, da banda Yekun… 

A coletânea foi lançada num digifile de extrema qualidade gráfica e pode ser adquirida no site da Shinigami Records e com as bandas participantes. Fica aqui uma última observação aos organizadores da coletânea, para que repensem (já estamos esperançosos para os próximos volumes) a ordenação das faixas, dando mais envolvência na disposição de um tracklist não tão truncado como acontece quando simplesmente enumera-se as bandas em ordem alfabética.

No mais, fica aqui mais um registro da riqueza e da força de nosso Heavy Metal, bem como do reconhecimento do trabalho dos envolvidos para manter a cena viva! Alguns com maior êxito em suas propostas, outros ainda carecendo de algum aparar de arestas e ajustes de produção, mas todos estão de parabéns pelo esforço e dedicação a um gênero abandonado pelo grande público e grande mídia de nosso país!

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