ATUALIZANDO A DISCOTECA: Matakabra, “Prole” (EP, 2016)

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Matakabra: “Prole” (2016, EP, Independente) NOTA:8,5

Acredito que as altas temperaturas do clima nordestino contribuem para a entropia musical que gera o metal extremo, haja vista a quantidade de bandas de grande qualidade surgindo naquela região do Brasil praticantes das mais variadas vertentes do extremismo metálico. O quarteto pernambucano Matakabra vem manter este alto nível, mostrando criatividade já no nome que consegue soar violento, original e referencial.

Nascida em 2015, a banda investe numa fusão extremamente agressiva e moderna do Metal Extremo, com riffs tão instigantes quanto bem elaborados, além de uma bateria cavalar alicerçando as harmonias junto com o baixo que vai além de preencher os espaços deixados pelas linhas iracundas e titânicas da guitarra de oito cordas.

Podemos dizer que a banda esbarra violentamente no Deathcore, porém, mais alinhavado com os tradicionalismo do Death Metal, com pitadas de Black Metal, como manda a tradição brasileira. Quase como um Suffocation no modo Killswitch Engage, ou uma versão Project 46 do Krisiun, tomadas as devidas proporções.

Matakabra Imagem

A banda Matakabra investe numa fusão extremamente agressiva e moderna do Metal Extremo, quase como um Suffocation no modo Killswitch Engage, ou uma versão Project 46 do Krisiun, tomadas as devidas proporções...

“Prole” é o primeiro EP da banda que em pouco tempo se mostrou altamente produtiva, afinal, antes deste lançamento de 2016, tivemos duas demos apresentadas com sucesso e que alçaram a banda aos palcos de festivais e eventos pelo nordeste.

Devotos do “do-it-yourself” registraram parte do trabalho em seu home studio e encabeçaram a produção das três faixas apresentadas com vigor e energia neste EP. Claro que o resultado da produção poderia ser mais robusto e titânico, mas se mostra eficiente para o gênero que imprime.

“Executado” abre o trabalho com peso caótico, guitarras tempestuosas, mudanças de andamentos e passagens ora “climáticas” ora groovadas. Nesta faixa já podemos perceber que mesmo extremamente agressivos, os vocais guturais de  Rodrigo Costa são inteligíveis, nos permitindo absorver a mensagem em meio a brutalidade instrumental.

Os guitarristas Blico Paiva e Fernando Marques estudaram todas as minucias dos riffs pesados do Death Metal, de afinação baixa, executando com maestria um trabalho moderno, mas fiel ao extremismo metálico, como nos provam as linhas desenvolvidas em “Pesadelo”, uma composição mais densa.

Confira o lyric video da faixa-título… 

É impressionante ver uma banda como o Matakabra transformar um gênero que em suas gênese era mais radical e pouco feito a misturas em algo quase progressivo, com técnica instrumental saindo pelos poros dos breakdows e das passagens raivosas de “Prole”, fatalmente a melhor faixa do EP, com destaque às linhas de baixo de Rafael Coutinho e ao clima épico que cresce no segundo plano da composição, cheia de reviravoltas e texturas.

E mesmo que passando como um ataque rápido (são menos de quinze minutos para as três composições), percebemos que existe um conceito, uma mensagem a ser passada nas letras em português que versam sobre os infortúnios sociais causados pela brutalidade e pela violência cotidianas. E tanto instrumental quanto letras refletem a experiência revertida em maturidade pelo time composto de nomes conhecidos do underground metálico recifense, completado pelo versátil e técnico baterista Theo Espíndola.

E nada melhor que as próprias palavras da banda para elucidar o engajado conceito destas três faixas: o casamento realizado pelo poder econômico entre o estado e a mídia gerou incontáveis frutos. Os excluídos do consumo, da educação e das leis, como em um show de horrores, todos os dias são exibidos como a causa dos “Pesadelos” e perigos da vida em sociedade. E são. São os “Executados” pela força repressora do estado e políticas negligentes. São a Prole Maldita que se reproduz a cada noticiário, capa de jornal e narrativa mórbida da rádio matinal.

Ouça já!

Confira o EP na íntegra via Bandcamp 

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