ATUALIZANDO A VIDEOTECA: Massacration, “Live Metal Espancation” (2017)

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Massacration: “Live Metal Espancation” (2017, Shinigami Records) NOTA:9,5

A autoproclamada maior banda de heavy metal de todos os tempos está de volta!  E este DVD, singelamente intitulado “Live Metal Espancation” (ou seja, o inglês “macarrônico” da banda continua afiado assim como a mensagem divertida e de impacto), recém lançado via Shinigami Records, vem reafirmar este retorno da banda desde 2016.

Gravado em São Paulo, no Tropical Butantã, em 2017, o DVD contou com a produção da Bros Co, empresa responsável por lançar DVDs de renome nacional como “Ritualive” do Shaman e “Angels Cry 20th Anniversary Tour” do Angra. E quer saber? Esse é um dos melhores DVDs que assisti nos últimos tempos.

A imagética caricatural esta ainda melhor delineada, abusando da capacidade teatral que sempre envolveu o conceito do Massacration, sem esquecer de ser musicalmente competente. É divertido, o som é poderoso, e quem mais poderia colocar termos como “esculhambation”, “boiolation”, “pirocation”, “viadation”“frescuration” de forma pertinente ao universo criado pela música?

Ou ainda, quem poderia apresentar uma pérola como “Metal Milkshake”, com solo de guitarra desenhando a cantiga “Atirei o Pau no Gato” e ao mesmo tempo “parafrasear” o rei do pop, Michael Jackson, e ser coerente?

Aliás, aconselho fortemente assistir o DVD com as legendas ativadas para assimilar toda a “poética” pândega da banda, principalmente de faixas como “The Mummy” (um “metalzão” com direito a mascote no palco e a “participação” de Egypcio do Tihuana, interpretado por Franco Fanti, do Hermes e Renato), “The Bull”, ou “Let’s Ride To The Metal Land”.

Confira a clássica “Metal Bucetation”

O instrumental é pesado e grudento como poucos nomes do metal ousariam fazer, e até suas repetições de harmonias e bases em músicas diferentes fazem parte de sua crítica (afinal, existem aqueles bandas que lançam sempre o mesmo disco, lembra?). Críticas que mesmo involuntárias, existem permanentemente e funcionam, imprimindo verdades ao longo de piadas sucessivas.

No geral, tudo é muito bem ensaiado, sendo que os alívios cômicos mais escrachados (como a múmia, a caixa gigante de “Cereal Metal”, o demônio dentista) funcionam muito bem dentro do contexto do show, amplificados pela grande capacidade teatral dos envolvidos, assim como as participações especiais de Sabrina Boing Boing (na impagável “Metal Milf”), Kid Bengala e Fabiane Thompson.

Indiscutivelmente, Bruno “Detonator” Sutter é um showman, encarnando muito bem sua quimera exagerada de Eric Adams e Bruce Dickinson, com todos os excessos cômicos e performáticos que lhes são peculiares, e falsetes “aos tubos”.  A captação do som, feita por Alexandre Russo da Sound Labs, é sensacional, deixando tudo límpido e pesado.

E se o segredo do heavy metal é um bom riff de guitarra e um refrão épico, então estes caras detém o poder do gênero! Que o digam faixas como “Metal Bucetation”, “Evil Pappagali”, “Metal is the law”. Irresistíveis até pra quem não é acostumado ao heavy metal.

Confira a performance para “Metal Is The Law”…

O repertório é concentrado no álbum “Gates of Metal Fried Chicken of Death” (2005) e posso afirmar que me diverti tanto com aquele álbum quanto com este DVD (e a interação inflamada do público é um elemento contagiante também), fruto de um  trabalho sério – as dúvidas a respeito disso, se existirem, podem ser tiradas no pequeno making of que mostra como cada detalhe foi pensado.

A banda (a que realmente toca) competente é completada por Ricardo Confessori (apresentado com El Perro Loco) na bateria, e Marco Klein (El Mudo) no baixo, além de Marco Alves (Metal Avenger), que antes era baixista e agora toca guitarra após a morte de Fausto Fanti (Blondie Hammet, e homenageado na apresentação), e o já citado Bruno Sutter.

Agora, permita-me ancorar o final desta resenha numa reflexão acerca da banda no contexto do heavy metal. O Massacration é uma banda que divide opiniões. Existem aqueles que assimilam bem sua proposta, e outros que enxergam-na apenas como uma versão fabricada e “metaleira” do Mamonas Assassinas. Destes últimos inclusive já ouvi referências como “cada um tem o Spinal Tap que merece”.

A referência ao Spinal Tap, é certeira neste caso. Para quem não se lembra, essa era uma banda de heavy metal criada para o documentário fictício “This Is Spinal Tap”, lançado em 1984. Na época, o sucesso foi tamanho que a banda saiu do cinema para os palcos e chegou a lançar alguns discos, para a surpresa do diretor Christopher Guest.

Confira “Let’s Ride to Metal Land”… 

Naquele documentário existia uma sátira implícita a certas idiossincrasias do mundo metálico que foi ignorada, ou mesmo bem assimilada pelo público headbanger, ações que muitas vezes não são direcionadas ao Massacration em pleno século XXI, uma banda que nasceu no programa Hermes & Renato, da MTv, para ser “a maior banda de heavy metal de todos os tempos”, numa clara sátira a bandas como Manowar, Iron Maiden, Judas Priest e afins. Talvez por sua sátira moderna ser mais explícita que a do Spinal Tap.

E pra mim, o que incomoda alguns destes “headbangers metaleiros” (como diz Sutter no DVD) é que esta sátira vai além, ridicularizando os clichês e incongruências da postura ultrapassada que ainda permeia parte a cultura do heavy metal. Por mais que não seja comportamento generalizado, ainda existem mentes estreitas, talhadas em ideias exageradas, obtusas e antigas, imbuídas de preconceitos e conservadorismos.

Acredito que o que incomoda esta parcela de apreciadores do heavy metal nem é a piada, a mistura com refrãos de axé, sertanejo e afins, mas a “carapuça sob medida” das críticas incisivas travestidas de piadas.

Isso posto, “Live Metal Espancation” é altamente viciante, e recomendado em altas doses!

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