ATUALIZANDO A DISCOTECA: Marilyn Manson, “Heaven Upside Down” (2017)

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Marilyn Manson: “Heaven Upside Down” (2017, Loma Vista Recordings) NOTA:9,0

Amado por muitos e odiado por outros tantos, Marilyn Manson (na verdade uma marca registrada por Brian Hugh Warner, que juntou os nomes de Marilyn Monroe e Charles Manson)  é mais conhecido do que ouvido, e as lendas a seu respeito, mesmo que algumas sejam estapafúrdias, continuam ganhando voz dentro da cultura pop. Sim, ele é um ícone da cultura pop, um descendente direto do shock rock de Alice Cooper, mas com raízes temáticas especuladas no satanismo de Anton Lavey.

“Heaven Upside Down” é o décimo primeiro álbum de sua carreira, que chega para reforçar a grande fase atual que Marilyn Manson experimenta , iniciada em “Born Villain” (2012) e mantida em após o ótimo “The Pale Emperor” (2015), dentro de uma discografia que oscila bastante em qualidade e concisão.

Mas as comparações com “The Pale Emperor” são mais imediatas, pois até os conceitos gráficos são similares, além da presença do compositor Tyler Bates, que produziu e tocou todos os instrumentos exceto a bateria que ficou à cargo de Gil Sharone. O que nos leva a questionar quais as parcelas de Manson e Tyler nestas composições?

À julgar pelas ótimas linhas vocais de Marilyn Manson, além sua interpretação mais intensa e agressiva, muito do sentimento que suporta e aclimata “Heaven Upside Down” é responsabilidade dele, sendo o que de melhor sua amadurecida persona tem a oferecer.

Além disso, existe um tom mais pessoal nas letras densas, sem conceitos ou máscaras teatrais, como na ótima “JE$U$ CHRI$T$”, que traz um aspecto transgressivo e infernal pareado apenas por “SAY10”.

“KILL4ME” também entra nesse time de composições, mas de uma forma mais acessível em suas guitarras e batidas preciosas, brilhando em arranjos pop, em contraste à voz carregada.

Por estas composições fica claro como ele exorciza e desabafa em cada berro (como o que dá cores finais ao álbum) e cada verso cortante que profere, ao mesmo tempo que usa arquétipos satânicos como forma de se opor ao establishment. 

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“Heaven Upside Down” é o décimo primeiro álbum de sua carreira, que chega para reforçar a grande fase atual que Marilyn Manson experimenta , iniciada em “Born Villain” (2012) e mantida em após o ótimo “The Pale Emperor” (2015)…

Na verdade, “Heaven Upside Down” é um disco que leva a abordagem de “The Pale Emperor” a um patamar mais rústico e pesado, numa alta entropia, sentimento caótico, e  evoluções insanas, elementos deixados às claras já em “Revelation #12” ou em partes de “WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE”.

Se por um lado  “Heaven Upside Down” é mais agressivo, crú e cáustico, por outro faixas como “Tattooed in Reverse”, “KILL4ME” (com participação de Johnny Depp no clipe)“Blood Honey” conseguem manter essa estética provocadora, tanto em música quanto em discurso, por momentos mais cadenciados, remetendo aos seus álbuns da década anterior, até pelos efeitos eletrônicos.

Ou seja, “Heaven Upside Down” pode ser visto como uma fusão de “The Pale Emperor” com “Mechanical Animals” (1998), o que nos dá um tom libertino e ameaçador ao áspero e cinzento rock alternativo desenhado no disco anterior, forjando um rock pesado lascivo, moderno, psicótico, urbano, noturno, sensual, e instável em sua “sanidade mental”.

Muitos arranjos flertam com a quadratura do industrial, ainda que mantenham o poder climático e dramático tão usual na sua carreira, uma herança clara de Alice Cooper, que se mostra ainda mais evidente em “Threats of Romance”, uma das melhores do trabalho com sua cadência burlesca e eficiência na simplicidade rock n’ roll, ao lado de “Heaven Upside Down”, e as já citadas “JE$U$ CHRI$T$”,“SAY10”, “KILL4ME” (tente em vão resistir ao refrão desta música!).

Em suma, “Heaven Upside Down” é um disco musicalmente maduro de Marilyn Manson, mesmo em sua rebeldia crua!

Assista o clipe de “Tattooed in Reverse”… 

Assista o clipe de  “KILL4ME” com participação de Johnny Depp…  

Assista o clipe de “WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE”…  

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