ATUALIZANDO A DISCOTECA: Marillion, “Marbles In The Park” (CD, 2017)

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Marillion, “Marbles In The Park” (2017, earMUSIC, Shinigami Records) NOTA:9,5

O grande trunfo do Marillion dentro da música progressiva foi sempre ter abusado da emoção e do sentimento dentro de suas composições, dando mais espaço a exploração de texturas climáticas e atmosféricas do que às estruturas técnicas e evoluções complexas. Nos quatro primeiro álbuns ainda existia uma parcela teatral dentro do progressivo do Marillion, muito pelas mãos do vocalista Fish, um discípulo de Peter Gabriel. Todavia, com sua saída em 1989, a carga emocional e climática aumentou de modo que a música do Marillion se tornou um oásis da exploração melódica com muito feeling e densidade, amplificada pela voz magnífica de Steve Hogarth.

Inversamente proporcional ao crescimento de qualidade musical dos álbuns da banda, que evoluiu numa discografia impressionante e de altíssimo nível, o sucesso diminuiu ao longo dos anos, sendo que poucos conhecem um álbum como “Marbles” (2004), sem dúvidas, uma das obras-primas do Rock Progressivo do novo milênio, que consegue ser complexo por vias mais emocionais e atmosféricas.

O grande trunfo do Marillion dentro da música progressiva foi sempre ter abusado da emoção e do sentimento dentro de suas composições, e “Marbles In The Park”, traz a execução na íntegra de um dos álbuns mais emocionais da carreira da banda, “Marbles”, de 2004.

A performance de Hogarth em “Marbles” é uma das melhores de sua carreira, sendo o elemento principal para o brilhantismo das composições, com um alto poderio interpretativo, dando vida e cor aos versos entoados, emoldurados por um trabalho impressionante de guitarras e teclados, à cargo de Steve Rothery e Mark Kelly, respectivamente, com uma sensibilidade que lembra vagamente a era dourada do Pink Floyd.

Obviamente, “Marbles” (2004) é um álbum que merece um texto inteiro para si, assim como mereceu uma execução na íntegra, num show em 21 março de 2015, no Center Parcs, Port Zélande, na Holanda, registrado neste álbum duplo, intitulado  “Marbles In The Park”, recentemente lançado no mercado brasileiro, via Shinigami Records. O show fez parte do evento intitulado Marillion Weekend, que é realizado desde 2002, onde a banda apresenta, em três noites sucessivas, três setlists diferentes, com álbuns tocados na íntegra, músicas favoritas dos fãs e raridades.

Confira a performance de “You’re Gone”… 

Todavia, este não é um show qualquer onde uma banda executa um de seus álbuns na íntegra. O Marillion presenteou os fãs com o tracklist da edição dupla, de luxo, de “Marbles”. Isso posto, a atmosférica “The Invisible Man” abre o álbum, assim como abria a Marbles tour, refletindo uma voz mais madura de Steve Hogarth, mas sem vacilar na interpretação brilhante ao longo de todo o registro.

Nesta primeira parte, “The Damage”, os três andamentos da faixa “Marbles”, e “Fantastic Place” são faixas que se destacam dentre as demais, mas, no geral, a banda apresenta uma unicidade impressionante na forma, um entrosamento e técnica altíssimos, além de um domínio completo do público, cuja interação com a banda esta registrada em diversos momentos.

Já o segundo CD abre com os dois singles de “Marbles”, “You’re Gone” e “Don’t Hurt Yourself”, responsáveis por recolocar o Marillion nos charts europeus daqueles primeiros anos da década de 2000, mas é a beleza inacreditável de “Neverland”, que emociona nesta segunda parte, fechando a execução do álbum “Marbles”. 

Confira a performance da belíssima “Fantastic Place”… 

Confesso que o primeiro CD chamou mais a minha atenção, mesmo com a inclusão das ótimas “Out of This World”, “King” (ambas do álbum “Afraid of Sunlight”, de 1995, o mesmo que contem o sucesso “Beautiful”) e “Sounds That Can’t Be Made” (do álbum homônimo de 2012) no fim do repertório do show e, consequentemente, do CD, em performances intensas.

A produção está brilhante, com límpida captação de som, e a banda oferece uma performance bem superior à registrada no álbum “Marbles Live” (2005), conseguindo captar toda a mágica da versão de estúdio destas composições, dando ainda mais vida e cor às emoções de cada andamento que evolui no show. Hogarth consegue soar ainda melhor ao vivo enquanto interpreta estas composições, numa performance muito honesta com suas fase atual, e, pela alta carga emocional, alguns momentos funcionam mais nas versões ao vivo, como na faixa “Genie”.

Um álbum mágico, que vale ter um espaço de honra na sua coleção!

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