ATUALIZANDO A DISCOTECA: Manilla Road, “To Kill A King” (2017)

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Manilla Road: “To Kill A King” (2017, Golden Core Records, Hellion Records) NOTA:8,0

Quatro décadas de estrada e dezoito álbuns de estúdio na bagagem, são números impressionantes para uma banda injustamente rotulada como de “segundo escalão”, como é o caso do Manilla Road. Ou você vai me falar que quando pensa numa banda de Heavy Metal Clássico, de influências épicas, versando sobre batalhas, guerreiros, reis, e correlatos medievais lembra-se do Manilla Road antes do Manowar?

Se a sua resposta foi sim, então este “To Kill a King” vai ser satisfação garantida. Caso contrário, ele poderá também ser a porta de entrada para uma das discografia mais interessantes do Heavy Metal, colecionando clássicos como “Open The Gates” (1985) e “Mystification” (1987), capaz de colocá-los entre nomes tão relevantes para o Epic Metal como Virgin Steele, Cirith Ungol, Heavy Load, Brokas Helm, e o próprio Manowar.

Sempre liderada pelo vocalista e guitarrista Mark Shelton, construíram uma identidade crua, agressiva, variando peso e velocidade, sendo que no abrir do novo milênio trouxeram um “novo” elemento para a banda, o vocalista Bryan Hellroadie Patrick, dono de uma interpretação versátil, dinamizando ainda mais o trabalho do Manilla Road em decorrência dos duetos com Mark, amadurecendo sua proposta clássica a cada lançamento.

Em “To Kill A King”, seu 18º álbum, a banda Manilla Road traz intacta sua abordagem crua, agressiva, variando peso e velocidade dentro do Metal clássico de influências épicas, versando sobre batalhas, guerreiros, reis, e correlatos medievais…

Em “To Kill A King” temos tudo no lugar, sentimento old-school, riffs, solos e melodias carregando o apelo dramático do gênero, baixo preenchendo os espaços, e a bateria sustentado as harmonias e se concentrando na força bruta do Heavy Metal, mesmo que resvale em viradas levemente progressivas, mas sem omitir os padrões agressivos.

A faixa-título é a épica abertura com mais de dez minutos, riffs metálicos, mudanças de andamentos e passagens diferenciadas, cadenciadas, remetendo à NWOBHM, e com linhas vocais destacáveis. Uma faixa que carrega todo o espírito artístico do Classic Metal, mas com oxigenação e espontaneidade, mesmo que se mostre cerebral, adjetivo que cabe em todo o trabalho, principalmente nas linhas de guitarra de Mark Shelton, o destaque individual do trabalho.

Acredito que banda mostre certa ousadia ao abrir o álbum com uma composição menos poderosa e mais épica como essa, afinal, quase sempre, a abertura de um disco traria as guitarras flamejantes e vívidas, tipicamente metálicas, como as que guiam a ótima “Conqueror”, segunda faixa do repertório. Todavia,  “To Kill A King” é uma composição tão marcante que não a vejo em outra posição no tracklist.

Confira a faixa “To Kill a King”… 

Nesta dupla inicial podemos inferir que veremos composições maduras mesclando sem muitos floreios diferentes nuances do Rock/Metal, como em “Never Again”, que tem um sabor mezzo Hard Rock mezzo alternativo em sua cadência de power ballad metálico-melancólica que explode em intensidade instrumental de seu meio para o final (um artifício também presente em “In The Wake”)

Por estas três faixas de abertura percebemos uma dinâmica ousada em três composições de naturezas diferentes evidenciando uma banda que sabe exatamente a música que deseja conjurar, sem se ater a padrões estéticos, e numa continuidade da tradicional oscilação de velocidade e intensidade, temos “The Arena”, “The Other Side” e “Blood Island”, faixas de espírito oitentista encarnado com bravura, e fatalmente outros destaques de “To Kill A King”.

Confira a faixa “Blood Island”… 

Vale ressaltar que além de compor todas as dez faixas, Mark Shelton também produziu e mixou o álbum em seu estúdio, e a masterização ficou à cargo de Steve Falke, nome comum nos mais recentes álbuns do Manilla Road.

Ou seja, pode esperar a produção orgânica e crua de “Mysterium” (2013) e “The Blessed Curse” (2015), agora, imprimindo com eficiência o clima carregado, de vibração austera e melodicamente sombrio, quase introspectivo, entremeando nestas faixas um certo saudosismo daquela era em que o Heavy Metal em estúdio era mais “honesto”.

Um novo álbum interessante, de uma banda clássica!

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