ATUALIZANDO A DISCOTECA: Luneta Mágica, “No Meu Peito” (2015)

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Lunata Mágica No Meu Peito
Luneta Mágica: “No Meu Peito” (2015, Independente) NOTA:9,5

Prepare-se para a mirabolante viagem que a banda Luneta Mágica preparou em seu segundo álbum, “No Meu Peito”, extrapolando toda a sua capacidade artística, que já abraçava a banda desde a escolha do nome, pois foi extraído do romance de Joaquim Manoel de Macedo.

Formada no ano de 2007, em Manaus, conseguiram estabilizar a formação em 2011, com Pablo Henrique (voz e violão), Erick Omena (voz e guitarra), Daniel Freire (baixo) e Eron Oliveira (bateria), o que contribiu na concretização do projeto independente do primeiro trabalho, “Amanhã Vai Ser o Melhor Dia da Sua Vida” (2012), que foi muito bem aceito pela crítica especializada.

Em 2015 conseguiram superar as expectativas criadas naquele momento com “No Meu Peito”, segundo álbum, que abre com a faixa título, mostrando o lirismo solitário e minimalista da MPB (gênero que será onipresente na confecção dos versos do álbum), entrecortado por efeitos bem contextualizados, mais melancólica e sombria, construída em pouco mais de um minuto, envolvendo o ouvinte numa emocional versão indie de Caetano Veloso, que é explodida pelas guitarras de espirito “garageiro” , baixo marcado e vocais mais que interessantes, da grudenta “Lulu”, uma faixa crua e de melodias tão envolventes quanto inocentes.

“No Meu Peito” é um álbum ligado por um fio condutor, mas extremamente variado e nada repetitivo, numa mirabolante viagem que a banda Luneta Mágica transformou em seu segundo trabalho… 

À medida que as composições evoluem, vemos elementos naturais à história da música pop, utilizados de modo criativo e inteligente, mesclados a uma psicodelia moderna e experimental, criando uma instigante identidade dentro da música brasileira atual. Ou seja, tiveram a sagacidade de fugir do lugar do comum do tão saturado indie, por elementos usuais manipulados com criatividade.

Esta criatividade ecoa uma variabilidade musical interessante, aspergindo detalhes imprevisíveis, pincelando passagens diferenciadas, desconstruindo tradicionalismos (confira a composição “Tua Presença”), além de realizar uma exploração de climas e texturas, ora mais próxima ao pop/rock, ora viajando pela poeira do space/pop.

Todavia, é de impressionar como conseguem tornar tudo bem assimilável, através de melodias envolventes, que oscilam do aconchego para a abrasividade, como bem exemplificam as ótimas composições  “Acima das Nuvens”, “Mantra” “Sem Perceber”. Já “Mônica” “Lembra?” transitam pela normalidade do pop/rock britânico sessentista, sem o acre aroma da obsolência,  com evoluções menos engajadas, mas não menos interessantes. Pelo contrário, pode anotá-las dentre os destaques!

Confira o clipe de “Lulu”…

Para se ter uma ideia da abrangência e liberdade das fronteiras dos gêneros musicais, misturam psicodelia brasileira com pop/rock britânico e pos-punk, com pontuais e perceptíveis passagens que lembram nomes como Beatles, Caetano Veloso, Radiohead, New Order, Clube da Esquina, Of Montreal, Mutantes, Pink Floyd, Flaming Lips, Jean-Michael Jarre, e até mesmo o Sigur Rós, nos momentos mais viajantes e experimentais.

Como destaques máximos, temos as faixas “Preciso” “Só Depois”, sendo esta segunda uma exploração da psicodelia eletro/pop, que pulsa acidamente pelos arranjos cheios de desconstruções das referências, numa geometria musical tão assimétrica, que me lembrou ainda mais o Sigur Ros.

Confira o álbum na íntegra, via Bancamp… 

Mesmo com toda essa abrangência, “No Meu Peito” é um álbum ligado por um fio condutor, mas exalando diversidade em atributos como tons, cores, formato, tamanho, sonoridade, e longe da repetição.

Cada canção tem sua particularidade dentro de um repertório altamente nivelado, numa dinâmica que advém desta oxigenante ousadia, e de uma bem vinda produção extremamente orgânica e límpida.

É música sensível, moderna e de possibilidades ilimitadas, para ouvidos modernos, corações sensíveis e mentes sem fronteiras…

 Confira aqui nossa resenha para o álbum de remixes de “No Meu Peito”…

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