ATUALIZANDO A DISCOTECA: Lucifer’s Child, “The Wiccan” (2015)

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Lucifer’s Child: “The Wiccan” (2015, Dark Essence, Heavy Metal Rock) NOTA:8,5

Sei que já se tornou quase redundante quando falo de Black Metal, mas é impossível não se impressionar com a imponência do estilo quando ele é manufaturado com requinte sombrio, energia carnal e técnica instrumental entrelaçada à brutalidade e à variabilidade de arranjos.

E quando esses elementos são construídos sobre uma produção límpida, mas não saturada, chegamos às raias do desenvolvimento erudito, principalmente pelo temor emanado de cada movimento da marcha agressiva e imperiosa.

E é exatamente isso que temos neste primeiro trabalho dos gregos do Lucifer’s Child, banda que traz o guitarrista George Emmanuel, que integrou a tradicional banda Rotting Christ, e se cercou de nomes experientes da cena grega, com biografias vinculadas a nomes como Chaostar e Nightfall, para compor o line up.

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A banda grega Lucifer’s Child traz o guitarrista George Emmanuel, que integrou a tradicional banda Rotting Christ, ao lado de nomes experientes da cena grega. Mas não espere aquele Black Metal ríspido, ultrajante, crú e virulento. Aqui tudo é mais racional, mais reverente, e menos selvagem. Pode até não parecer Black Metal! Mas é. E dos bons…  

Todavia, o destaque individual vai para o vocalista Marios Dupont, que confere toda a alma Black Metal às composições que, por vezes, estruturalmente, extrapolam as fronteiras do gênero, com corpo quase Heavy Rock em algumas passagens.

Mesmo assim, desde as duas primeiras faixas, “Hors de Combat” e “A True Mayhem”, o obscurantismo que vive no âmago do Heavy Metal é reafirmado, num derramamento de vocais vigorosos, em meio a uma tempestade de guitarras cortantes, modernas e frias, sustentados por linhas de baixo que preenchem os espaços e dão gravidade infernal às composições, e por um trabalho conciso e orgânico de bateria.

Confira o clipe da faixa Lucifer’s Child… 

Em “Spirits of Amenta”, terceira faixa e, quiçá, a melhor do álbum ao lado de “Lucifer’s Child”, podemos perceber que o fascínio luxurioso do Black Metal está, também, alicerçado sobre terreno progressivo, de onde brota toda a elegância da música da banda.

Este fato ainda está mais nítido em “He, Who Punishes and Slays”, “The Wiccan” e na já citada “Lucifer’s Child” (um riquíssimo Doom/Black Metal), que praticamente subvertem os princípios do gênero, através de um véu gótico que embaça a fronteira entre as naturezas melódica e agressiva desta formatação musical que passeia, de modo contínuo, por nuances diferentes, e bem administradas, do Metal sombrio.

Ouça a faixa “King ov Hell” e note como este conjunto de opostos se completam, se anulam e se aproximam, num contexto musical que estaria no ponto médio entre o Behemoth e o Rotting Christ, adicionado de espirito mais progressivo do que melódico, e flertes com a cena post-Rock/Metal, como melhor expõem as dissonâncias rastejantes da faixa “Doom”.

Confira a faixa “Hors de Combat”… 

Não espere aquele Black Metal ríspido, ultrajante, crú e virulento, pois aqui a proposta é mais pormenorizada e trabalhada, mais cadenciada, com andamentos inspirados, detalhados, explorando texturas e sentimentos através de timbragens vívidas. Mais racional e menos selvagem, como corroborado pelo excelente trabalho gráfico do encarte, que remete aos livros ocultistas.

Num contexto geral, “The Wiccan” é um debut muito acima da média, que revela compositores maduros, além de músicos competentes, com personalidade, e exata visão do que querem para sua música dentro das artes negras do Heavy Metal.

Pode até não parecer Black Metal! Mas é. E dos bons…

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