ATUALIZANDO A DISCOTECA: Kee of Hearts, “Kee of Hearts” (2017)

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Kee of Hearts: “Kee of Hearts” (2017, Frontiers Music srl, Musik Records) NOTA:8,0

A gravadora italiana Frontiers tem agitado o mercado do Hard/Melodic Rock com projetos mais do que interessantes, reunindo nomes relevantes da cena clássica do gênero entre meados das décadas de 1980 e 1990. O mais  novo projeto atende pelo nome de Kee of Hearts, numa clara alusão à dupla Tommy Heart, vocalista do Fair Warning, e Kee Marcello, guitarrista do Europe.

Tanto Heart quanto Marcello marcaram o estilo em suas respectivas bandas. O primeiro com o clássico auto-intitulado álbum de estréia do Fair Warning, que trazia um cativante blend  de Hard Rock e AOR guiado pela sua habilidade vocal, enquanto o guitarrista, junto ao Europe, registrou os marcantes dois álbuns finais da primeira fase da banda, “Out of This World” (1988) e “Prisoners in Paradise” (1991), que iam numa direção mais amadurecida do que a marca musical criada em “The Final Countdown” (1986).

Confira o clipe de “The Storm”… 

Desta forma, é natural esperar que a bagagem de ambos convirja em músicas mais cadenciadas, classudas, numa forma como a que Marcello imprimiu em sua fase no Europe, que dava mais elegância ao Rock, combinada ao apelo melódico advindo da dramaticidade da voz de Tommy Heart. Mais ou menos, como nos mostra de saída a dramática e cadenciada faixa de abertura, “The Storm”.

Nesta faixa já podemos perceber uma forte preocupação com a construção das linhas vocais, por melodias cativantes que deságuam em refrãos “grudentos”, além de guitarras cheias de técnica e adrenalina, num diálogo musical sustentados por uma seção rítmica sólida – completando o line up temos o baixista Ken Sandin (ex-Alien)  e o baterista italiano Marco Di Salvia -, mas num aspecto coadjuvante ao lado de alguns teclados climáticos. Tudo como bem manda o manual do Melodic Rock… Mas falta algo!

Confira o clipe de “A New Dimension”… 

Mesmo numa faixa cativante como “A New Dimension”, falta um pouco do brilho da espontaneidade, como se tudo estivesse deveras friamente calculado, usando de elementos diversos dentro do universo roqueiro oitentista para construir momentos envolventes, com ganchos milimetrados e melodias desenhadas estrategicamente, como em outros trabalhos da gravadora italiana.

Veja bem, não é ruim! Muito pelo contrário, faixas como “Crimson Dawn”, “Bridge To Heaven”, “Mama Don’t Cry”, “Edge of Paradise” (o refrão desta vai grudar de primeira), e a vibrante “Learn to Love Again” (a melhor do álbum) são o que todo fã do gênero espera, mas aos meus ouvidos faltou um pouco de “verdade” nesta prática do atual modo europeu do Hard/Melodic Rock, dando mais espaço aos aspectos do AOR, e menos à pujança melódica da escola alemã (de onde saiu Tommy Heart).

Confira o clipe de “Crimson Dawn”… 

Além disso, o trabalho como um todo é bem direcionado pela produção competentíssima de Alessandro Del Vecchio, que compôs dez das onze faixas embasadas num contundente Melodic Rock, que traz bons solos de Kee Marcello e vocais bem feitos de Tommy Heart, mas que mesmo assim não conseguiram colocar sua alma no álbum todo, apenas em momentos pontuais.

Talvez se a dupla tivesse composto as faixas isso poderia ser sanado, pela identidade dos músicos que fatalmente apareceria mais. No fim, soa como se a gravadora tivesse juntado a dupla simplesmente pelo apelo que possuem (claro, além do talento de cada um) no meio do Hard/Melodic Rock e ofereceu uma lista de composições prontas para que simplesmente as registrassem em estúdio. Este modus operandi tem deixado muitos dos lançamentos da Frontiers com o sabor de produção em série!

Por fim, reforço: não é ruim! Muito pelo contrário. Mas se você não é um fã incorruptível do gênero como este que vos escreve, talvez ache tudo genérico e se divirta um pouco menos!

Confira o clipe de “Bridge To Heaven”… 

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