ATUALIZANDO A DISCOTECA: Kadavar, "Rough Times" (2017)

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Kadavar:, “Rough Times” (2017, Nuclear Blast, Shinigami Records) NOTA:9,0

O Kadavar não é só mais uma banda a praticar o revival do classic rock que praticamente virou moda na cena roqueira atual. Mesmo com oscilações de qualidade nas composições que preenchiam seus primeiros três álbuns de estúdio, seus pontos altos empolgavam, o que deu notoriedade ao power trio alemão, criando expectativa para seu novo e quarto trabalho, “Rough Times” (2017).  E enfim podemos dizer que eles conseguiram lançar seu melhor e mais coeso álbum da carreira!

As influências mais que óbvias de Led Zeppelin e Black Sabbath ainda estão aqui,  mas diversificadas por elementos fortes do rock sessentista e distorcidas com o peso gravitacional de um buraco negro que remodela de modo maciço as raízes do rock. Neste sentido, moldaram sua personalidade imperativa, impressa por uma produção lapidada, através de agressividade orgânica, rústica e chapada, de geometria poligonal, com arestas propositais na musicalidade pesada e simples, com batidas quase primais.

Os classicismos explorados outrora chegam arejados nos riffs bem sacados, ora dissonantes, ora melódicos, das guitarras sempre “fuzzeadas” de onde Christoph “Wolf” Lindemann desenha solos demoníacos, e no baixo encorpado e gorduroso de Simon ‘Dragon’ Bouteloup, com protagonismo estrutural que guirá o álbum como um todo, com peso absurdo e gravidade ctônica, principalmente em faixas como “Rough Times”, “Into the Wormhole” (com bela melodia no refrão), “Tribulation Nation”.

Confira o clipe de “Die Baby Die”… 

E por falar em riffs“Skeleton Blues”“Words of Evil” (melhor do álbum!) se destacam neste quesito, principalmente por estarem mais afinadas aos aspectos setentistas do rock n’ roll, quando as linhas de guitarra se sobressaíam em meio ao caos criativo instrumental, bem oxigenado por passagens mais limpas, que dinamizam e aliviam a saturação, como bem feito em “Vampires” “You Found the Best in Me” (esta com remissão certa aos Beatles, sendo o mais próxima que chegarão de uma balada).

Nesta entropia musical com rigor alemão existe um tom de insanidade kraut rock nos arranjos, com precisão fatal e mudanças de arranjos que beiram a psicopatia musical, com um surrealismo rústico de controlado sabor onírico. E o que mais impressiona aqui é a foma com “complexidade” e imprevisibilidade são criadas pela sobreposição de timbragens e texturas nos arranjos, construindo um stoner personalíssimo e estranho, como se espera de um herdeiro do rock alemão.

Confira o clipe de “Tribulation Nation”… 

Uma estranheza cativante e atraente, mesmo que sisuda, com atitude roqueira saindo pelos poros ao mesmo tempo que evidencia  um destemor em ousar nas timbragens e nos efeitos (que aparecem até mesmo nos vocais incisivos e melódicos de “Wolf” Lindemann), não economizando na lisergia agressiva que perpassa todas as composições, principalmente na sonoridade das guitarras.

São faixas como “Skeleton Blues”, “The Lost Child” (viajante, enigmática e dramática, com um “q” de The Doors) e “A l’ombre du temps”, que deixam essa acidez lisérgica ainda mais evidente. Em contrapartida, também mostram sua capacidade em forjar um  hard rock bruto e rústico em “Die Baby Die”, provando a dinâmica bem ajambrada do álbum.

Posso dizer que “Rough Times” soa como uma rebelião dentro do vintage rock, de chapação maciça, sem repetir o passado, usando-o apenas como matéria-prima para exprimir sua arte musical expressiva e moderna!

 

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