ATUALIZANDO A DISCOTECA: Jupiterian, “Archaic: Process of Fossilization” (2017)

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Jupiterian: “Archaic: Process of Fossilization” (2017, Cold Art Industry) NOTA:9,0

Impactante! Não existe outro adjetivo que se encaixe melhor nesta megalítica, titânica e viajante versão de Doom/Sludge atmosférico, de urgência Death Metal, praticada pela banda paulista Jupiterian. Ao mesmo tempo em que sonoridade apresenta a sujeira do Sludge, junto aos aspectos sombrios e pesadíssimos dos riffs de guitarras, temos climas bem inseridos por teclados em meio a toda a densidade sorumbática, perfurada por microfonias e dissonâncias, levando a música do quarteto a uma adimensionalidade arcana, quase lovecraftiana, num panorama sonoro que extrapola o sentido da audição.

Este “Archaic: Process of Fossilization” é uma compilação lançada pela Cold Art Industry, que inclui os dois EP’s lançados pela banda: “Archaic”, de 2014, e “URN”, de 2017, além da faixa “Drag Me To My Grave”, que esteve presente no debut de 2015, e também em single, mas aqui vem em versão demo inédita, com arranjos de violinos. Sem dúvidas, a melhor faixa desta compilação, remetendo à melancolia pesada do My Dying Bride, indo além da abordagem “repetitiva” (longe da conotação pejorativa do termo) das composições de “Archaic”.

Confira um vídeo para a faixa “Archaic”… 

Enquanto o primeiro EP, que vinha à época como cartão de visitas da banda, traz uma maior seriedade e maturidade desde a produção, passando pelas composições, e nos pormenores de timbragens e texturas bem feitas, o segundo soa levemente como um trabalho mais experimental, um laboratório para o novo álbum talvez, trazendo releituras de dois covers com sua identidade sonora.

As vibrações fúnebres de faixas como “Archaic”, “Procession Towards the Monolith”“Currents of IO” parecem invocar alguma entidade obscura por suas dissonâncias e seção rítmica hipnótica, ou pelos vocais guturais que parecem saídos das fossas abissais da garganta, que chegam envoltos numa névoa criada pelo contraste com as passagens climáticas e melancólicas.

A banda Jupiterian possui uma energia hipnótico-ritual envolvente em sua massa sonora, que evidencia musicalidade e senso harmônico pelos riffs musculares desenvolvidos numa afinação grave e tempo no limite para a execução das dobras melódicas.

Isso tudo confere uma energia psicodélico-ritual envolvente à  massa sonora esfumaçada, mas que evidencia musicalidade e senso harmônico pelos riffs musculares desenvolvidos numa afinação e tempo no limite para a execução das dobras melódicas. Uma característica indisfarçável nas versões de “Mine Is Your To Drown”, do Anathema, e “Behind The Wall of Sleep”, do Black Sabbath, sendo que nesta última, a troca da psicodelia original pelo aspecto épico-macabro e a inserção dos vocais assustadores, potencializou o peso, não só musical, desta composição.

Só para registrar uma obviedade que não influencia o sucesso do material, afinal se espera isso em uma coletânea nestes moldes, as produções diferentes deram uma textura heterogênea ao todo, sendo possível diferenciar as faixas de cada trabalho simplesmente por suas particularidades.

No mais, “Archaic: Process of Fossilization é um registro obrigatório para quem gosta das variações mais pesadas e atmosféricas do Doom Metal, e que me fará olhar com mais curiosidade para o próximo full lenght“Terraforming” (2017).

Confira o cover para “Behind The Wall of Sleep”… 

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