JOHNNY WINTER: 5 Discos Pra Conhecer

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 Ouça nossa playlist especial com o melhor de Johnny Winter, enquanto confere nossa lista! 

Apesar do cenário ter mudado um pouco após o advento da cena britânica na década de 60, o blues sempre foi associado aos músicos negros. Neste contexto, um guitarrista albino precisava mostrar uma técnica mais que apurada, junto a um feeling particular, para ser respeitado como um verdadeiro músico de blues dentre os grandes nomes do estilo.

Johnny Winter realizou tal feito, construindo uma discografia irrepreensível, tanto como músico, quanto como produtor musical e desfilou seu estilo único e raivoso ao lado de nomes como Muddy Waters, Sonny Terry e Big Walter Horton, três dos maiores nomes da história do blues.

Em meados da década de 60, Johnny Winter colocaria seu nome na constelação das seis cordas, sendo pareado a guitarristas do quilate de Jimi Hendrix, Jeff Beck e Duanne Allman, se tornando um dos maiores expoentes do blues rock, intercalando o blues genuíno com elementos do hard rock setentista, o que o fez ser respeitado e admirado dentro da cena mais pesada do gênero.

Hoje, apresentamos cinco álbuns que servem de iniciação para a música de Johnny Winter, um dos únicos guitarristas do blues tão alvos quanto o algodão dos campos que assistiram o nascimento do estilo.

 

1) “The Progressive Blues Experiment” (1968)

O primeiro álbum de um artista é sempre importante para uma iniciação e aqui não será diferente. O debut de Johnny Winter já causou frisson no cenário blues rock.

Pouco lembrado dos entusiastas de sua música, temos aqui a essência de Johnny Winter em estado puro, como fica evidente na composição “Black Cat Bone”.

A banda principal que gravou o álbum e que acompanhou Johnny Winter era completada em power trio por Tommy Shannon (que mais tarde integraria o Double Trouble de Stevie Ray Vaughan) no baixo e “Uncle” John Turner na bateria.

O que faz deste álbum brilhante é o estado bruto da interpretações que seriam lapidadas já no próximo álbum, onde Winter poderia transformar toda a potência dos sentimentos de uma vida diferente dos demais em música.

Além das cinco canções de autoria do guitarrista, ainda somos agraciados com cinco honestos covers de nomes como B. B. King e Sonny Boy Willianson. Após o lançamento deste primeiro álbum, Johnny Winter se dirigiu até a Inglaterra para conhecer e absorver a cena musical que crescia enraizada  no blues.

Dentre os destaques temos um visceral cover para Rolling And Tumbling, uma homenagem a Muddy Waters em Tribute To Muddy calcada em fortes elementos clássicos do blues, a absurdamente fenomenal Bad Luck And Trouble em tons acústicos e o já citado clássico Black Cat Bone.

Para muitos esta obra era a experiência americana em resposta ao que Jimi Hendrix experimentava numa ilha do outro lado do Atlântico.

 

2) “Johnny Winter” [Black Album] (1969)

Quando este álbum foi lançado a platéia interessada no blues-rock foi tomada de assalto pela qualidade apresentada naquelas canções.

Acordes dignos das maiores mágicos do  blues fizeram com que sua técnica fosse comparada aos grandes nomes das seis cordas que se estabeleciam no crepúsculo da década de sessenta.

Talvez o êxito como bluesman venha do fato de Johnny Winter ter experimentado todos os sentimentos que alimentam os bons acordes do blues desde sua segunda infância. Por consequência, canções como “Mean Mistreater”, “I’m Yours, and I’m Hers”, “Leeland Mississippi Blues”, “Good Morning Little School Girl” e “Be Careful With a Fool” transpiram emoção latente em cada nota exposta por uma das seis cordas da guitarra de Winter.

Como se toda a técnica instrumental do guitarrista não fosse o bastante, ainda temos as ilustres presenças de Willie Dixon (tocando seu baixo acústico na canção Mean Mistreater), Big Walter Horton (desfilando toda a sua técnica e malícia na harmônica presente na canção Mean Mistreater) e seu irmão Edgar Winter (que tocou piano em Mean Mistreater e sax alto em  Good Morning Little School Girl).

Outro detalhe que não pode deixar de ser observado é a produção a cargo do próprio Winter, função que também se destacaria ao ponto de produzir grandes álbuns de Muddy Waters.

Numa primeira audição, tudo neste álbum parece remeter a um simples blues texano, mas a cada nova degustação o sabor vai se sofisticando e o que antes era apenas mais um disco de blues capitaneado por um guitarrista albino, se torna tão raro e belo quanto uma pérola negra.

 

3) “Second Winter” (1969)

Resultado de imagem para Second WinterEste álbum tem a peculiaridade de ser duplo na versão em vinil, mas ter apenas três lados, deixando a última face do segundo disco em branco.

Estranho, mas providencial! Afinal, após a intensidade das composições apresentadas, um tempo de silêncio se faz necessário para recuperar da performance acachapante de clássicos do Rock como “Highway 61 Revisited”, de Bob Dylan, “Miss Ann”, de Litte Richards, e “Johnny B. Goode”, de Chuck Berry.

Nestas três releituras já temos a exata dimensão de como Winter lapidou suas influências de Muddy Waters, principalmente no uso do slide, como bem evidenciam as ótimas  “I Love Everybody” e “Slippin’ and Slidin” (que traz seu irmão Edgar Winter num lascivo e tempestuoso arranjo ao piano).

Este álbum elevou o patamar de Johnny Winter dentro da cena de guitarristas de destaque no fim dos anos 1960, dando mais identidade a seu estilo rústico de ferir as seis cordas, além de ser seu ponto de virada artístico e comercial.

 

4) “Still Alive and Well” (1973)

Resultado de imagem para Still Alive and WellSó ouça a faixa-título, um Blues/Hard Rock pegado, e me responda, tem como um álbum que tem essa música ficar de fora desta lista? Instigante, furiosa, e intransigente, esta faixa é o puro estilo Blues de Johnny Winter, que também aparece em “Rock Me Baby” e “Rock & Roll”.

Todavia, nosso albino do Blues também já se mostrava aberto a novos elementos em sua música, como o country (em “Ain’t Nothing to Me”), o AOR (em “Cheap Tequila” com um dos melhores trabalhos melódicos que realizou em sua carreira), e progressivo (“Too Much Seconal” traz arranjos de flauta e e bandolim).

Esta versatilidade é inspirada pela liberdade de um músico que havia conseguido abandonar o vício em heroína, e tinha suas habilidades criativas amplificadas e personalidade musical fortificada, mesmo no já citado cover de B. B. King (“Rock Me Baby”) e no desfecho com “Let It Bleed”, dos Rolling Stones, reformulando-as à sua maneira.

 

5) Muddy Waters, Johnny Winter & James Cotton: “Breakin’ It Up, Breakin’ It Down”. (2007)

Com uma prolífica carreira, Johnny Winter já era um renomado e gabaritado guitarrista quando se recolheu do cenário para tratar dos problemas com drogas.

Voltou à cena na primeira metade dos anos setenta, mas somente conseguiu retomar o respeito de público e crítica, após se aliar à lenda do blues Muddy Waters.

Se tornou o  produtor do retorno aclamado da lenda viva, que resultou em alguns dos melhores lançamentos de Muddy. Neste álbum ao vivo temos gravações desta fase que, após o álbum Hard Again, os dois, Muddy e Winter, junto de James Cotton, se viram em uma histórica turnê que envolvia três grandes nomes do estilo.

A energia que emana destas gravações, lançadas em 2007, teria capacidade para iluminar uma cidade inteira, tamanha a força das execuções das canções e da performance de cada músico.

A abertura com Black Cat Bone/Dust My Broom é de arrepiar qualquer ser humano que tenha um sopro de vida e um coração a bater, enquanto, Caledonia e Rocket 88 nos fazem querer agitar como se não houvesse amanhã.

Não bastante, ainda somos presenteados com impecáveis execuções de Can’t Be Satisfied e Goy My Mojo Workin’, dois clássicos máximos da história do blues. Indispensável como quase toda a obra dos três nomes principais estampados na capa deste álbum.

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