ATUALIZANDO A DISCOTECA: Joe Bonamassa, “Blues of Desperation” (2016)

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Joe Bonamassa Blues of Desperation
Joe Bonamassa – “Blues Of Desperation” (2016, Provogue Records/ J&R Adventures/ Voice Music)

O guitarrista Joe Bonamassa certamente é o melhor nome do Blues de sua geração, sendo que seu incansável talento superou nomes como Kenny Wayne Sheperd e Gary Clarke Jr. E incansável é o adjetivo mais que indicado a um artista que nos últimos dezesseis anos lançou doze álbuns de estúdio, quinze álbuns ao vivo, além de gravar seu nome em parcerias com Beth Hart, Mahalia Barnes (que faz os backing vocals neste novo álbum de Bonamassa) e na banda Black Country Communion, ao lado de Glenn Hughes.

Gravado em apenas cinco dias, na cidade de Nashville, “Blues of Desperation” diminui os espaços dos naipes de metais nos arranjos, dando mais voz às guitarras, mas sem deixá-las grandiloquentes, além de expandir as influências em comparação ao álbum anterior, “Different Shades of Blue” (2014). Mas não se preocupe, pois as digitais do workahoolic nerde do Blues Rock deixou estas canções impregnadas com suas digitais musicais.

“This Train” abre os trabalhos formatada em um Blues N’ Roll cadenciado e menos virtuoso, mas embebido em espírito clássico, enquanto “Mountain Climbing”, melhor faixa do álbum, tem espírito Hard Rock aos moldes do antigo Whitesnake e do novo Europe, com arranjo brilhante de guitarra. Este sabor Hard Rock ainda se repete nas fenomenais “Distant Lonesome Train” e “How Deep This River Runs”.

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O guitarrista Joe Bonamassa certamente é o melhor nome do Blues de sua geração!

“Drive” talvez seja a faixa mais diferenciada do álbum, investindo numa psicodelia desértica e estradeira, que consegue remeter simultaneamente à fase inicial do Dire Straits, bem como a certos momentos mais modernos do genial Leonard Cohen, refletindo toda a versatilidade deste novo álbum, que investe em doses precisas de Classic Rock aliadas a claras referências à Muddy Waters na faixa-título.

 “Drive” talvez seja a faixa mais diferenciada do álbum, investindo numa psicodelia desértica e estradeira

Todavia, Bonamassa mostra sua melhor forma quando resolve desfiar o Blues puro e levemente oxigenado por tonalidades modernas, nas faixas “No Good Place For The Lonely” (um blues épico e rejuvenescido, com guitarras vibrantes e viscerais, além de teclados bem encaixados), “You Left Me Nothin’ But the Bill and the Blues” (blues acelerado que remete vagamente a Stevie Ray Vaughan), “Livin’ Easy” (que flerta com o dinamismo burlesco do Dixieland) e “What I’ve Known for a Very Long Time” (balada bluesy de belíssimos arranjos).

 “Mountain Climbing”, melhor faixa do álbum, tem espírito Hard Rock aos moldes do antigo Whitesnake e do novo Europe

Neste contexto, somos agraciados com um álbum multivariado, com detalhes roqueiros bem amalgamados ao blues de arranjos sustentados por uma bateria sólida e um baixo pulsante que preenche os espaços. Já Bonamassa, além da técnica extraordinária em seu instrumento, imprime apenas o que a música pede, sem exibicionismos mirabolantes e um vocal acima da média, se mostrando mais ousado e variado neste álbum, que conta ainda com a participação ilustre de Reese Wynans, tecladista que tocou na no Captain Beyond e na banda Double Trouble de Stevie Ray Vaughan, além de dividir os palcos com Buddy Guy, John Mayall e Kenny Wayne Sheperd.

Se o próprio Bonamassa se declara atualmente em sua melhor forma, com este álbum só podemos concordar com ele!

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