ATUALIZANDO A DISCOTECA: JEV, “JEV” (2017)

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JEV capa GDB
JEV: “JEV” (2017, Urca Music/Warner Chappel) NOTA:8,5

Fundado pelo vocalista Hebert Davis em São José dos Campos-SP, o quarteto JEV (nome que nasce da abreviação de Jevally, uma uma fusão das palavras Jerusalém com Vale ou ‘Vally’ em inglês) apresenta seu álbum de estréia calcado do Hard/Glam Rock ao longo de dez composições produzidas por Glauber Ribat (que deixou tudo bem orgânico, e “sujo” na medida certa) que completam o trabalho lançado pela Urca Music/Warner Chappel, num digipack graficamente caprichado, com letras e muitas fotos.

A sonoridade da banda foi lapidada nos shows regulares que faziam pela região, sempre apresentando suas músicas autorais, enquanto superavam as esperadas mudanças de formação que são ritos de passagem de toda banda em seu desenvolvimento, até se estabilizarem com Cleiton Soman (guitarra), Allan Tavares (baixo) e Jéssica Alessandra (bateria), além do próprio Hebert.

“Your Look”, sexta faixa do álbum teve a missão de apresentar a banda como primeiro single de divulgação deste homônimo álbum de estreia, sendo um cartão de visitas auspicioso para os fãs do Hard Rock, afinal, vêm construída sobre linhas de guitarras esmeradas, refrão cativante e melodias saborosas bem moduladas pelo peso controlado.

Confira o clipe de “Your Look”… 

Ou seja, pode esperar peso na medida certa, dando um pouco de adrenalina (já impressa na intro “The Racing”), mas sem agredir; e técnica apurada, mas revertida à manufatura de melodias que apimentam o Hard Rock relativamente crú de faixas como “Wildest Youth”, “When Is Love” (a grande estrela da companhia, típica balada de extremo bom gosto e aspecto bluesy nas guitarras), “Heaven”“Over This Time” (que tem até algumas melodias que remetem levemente ao pos-punk oitentista) e “Everytime I’lll Loose My Mind” (com algo de Alice Cooper nos backing vocals).

Só acredito que a escolha de “Driver” como “abertura” foi equivocada, afinal ela é mais cadenciada, com riffs esmagadores, mas ainda assim mais cerebral do que emocional, e todos sabem que a faixa que abre o disco tem que ser marcante e passional. E neste quesito, “Move It On” seria a sequência perfeita da introdução, pela velocidade, objetividade, potentes guitarras e melodias construídas para marcar, ou até mesmo o supracitado single funcionaria melhor, se era para buscar algo mais cadenciado.

Já no início de trabalho, os vocais de Herbert se destacam, lembrando uma mistura abrasileirada de Bon Scott (AC/DC) com Vince Neil (Motley Crue), que abusa do direito de exagerar em suas linhas e casa perfeitamente com as guitarras bem timbradas e inflamadas de Cleiton,  ambos bem sustentados pela bateria encorpada, grave, de onde Jéssica extrai linhas com muita personalidade, em comunhão ao baixo de Allan que dá a concisão necessária para a fórmula oitentista que não soa desgastada, desenvolvida com feeling, malícia, e destreza.

JEV banda

Em seu primeiro e auto-intitulado trabalho a banda JEV apresenta um Hard Rock com peso, melodia e organicidade,  usando suas influências apenas como pontos de partida para recriar sua versão do modo oitentista do gênero, sem muitas regras ou parâmetros pré-estabelecidos…

A banda JEV oferece o principal num primeiro trabalho: personalidade musical! Não é original? Não. Mas é fato que buscam usar suas influências apenas como pontos de partida para recriar sua versão do Hard Rock oitentista, sem muitas regras ou parâmetros pré-estabelecidos. Além disso, nota-se uma preocupação no encaixe dos vocais e do backing vocals que refletem o cuidado que a banda teve com a composições.

Só aconselharia uma dose a mais de adrenalina e vigor no próximo álbum, pois o resto necessário para manufaturar uma versão consistente e sem cheiro mofo do bom e velho Hard Rock eles já possuem!

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