Personagens da Cultura Pop: JACK O ESTRIPADOR

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“You’ll soon shake with fear
Never knowing if I’m near
I’m sly and I’m shameless
Nocturnal and nameless
Except for ‘The Ripper’
Or if you like ‘Jack The Knife'”

“The Ripper”, Judas Priest.

Lançada em 1976 no álbum “Sad Wings of Destiny” a música “The Ripper”, do Judas Priest, dava contornos roqueiros à história do mais famoso serial killer de todos os tempos: Jack o Estripador.

Claro que entre agosto e novembro de 1888, quando, num intervalo de setenta dias ele teria assassinado prostitutas no bairro de Whitechapel, em Londres, o termo serial killer  ainda não havia sido cunhado para qualificar o criminoso que comete, individualmente ou em grupo, o assassinato de duas ou mais vítimas em eventos distintos.

O termo só seria inventado pelo agente do F.B.I., Robert Ressler, por inspiração nos filmes em série, mas se encaixa perfeitamente no modus operandi de Jack, o assassino em série que nunca foi desmascarado, e que mutilava mulheres no rosto, abdome e genitais, além de usurpar órgão e marcar cortes profundos  no pescoço de suas vítimas, num padrão de ação que crescia em brutalidade e e intensidade enquanto aumentava o número de vítimas.

Implacável e evasivo, ele zombava da capacidade da força policial em capturá-lo e teria enviado três cartas de próprio punho, mas existia a suspeita de que duas foram forjadas por jornalistas.

A terceira e mais famosa trazia o singelo título de “Do Inferno”, que trazia o emblemático trecho: “envio a metade de um rim preservado que tirei de uma das mulheres”.

Inclusive seu nome, Jack O Estripador, veio da assinatura destas cartas, afinal sua primeira alcunha foi Avental de Couro.

A terceira carta praticamente confirmou a autenticidade das duas anteriores, pois ela veio como resposta à dúvida inicial de suas autenticidades e o meio rim que a acompanhou era de Catherine Eddows (que traria a solução do caso mais de 100 anos depois), vítima atacada quarenta e cinco minutos após o ataque “frustrado” (pois ele “só” teve tempo de cortar a garganta da vítima) a Elizabeth Stride, e pela qual o legista detectou a falta de meio rim.

Jack o estripador

“Do Inferno”, carta enviada por Jack O Estripador para George Lusk: “Senhor, envio-lhe metade do rim que tirei de uma mulher e preservei-o para você, a outra parte fritei e comi, estava muito boa. Talvez lhe mande a faca ensanguentada com que tirei se você esperar um pouco. Assinado: apanhe-me se puder Senhor Lusk”

 

 “Do Inferno” e o pedaço de rim foram recebidos por George Lusk, o presidente do comitê de vigilância formado pelos moradores de Whitechapel, bairro pobre londrino onde Jack atacava.

Com este artifício vislumbravam ajudar a polícia a solucionar este mistério com patrulhas particulares.

Mas a história mostrou que este foi um caso insolúvel e que suscitou uma quantidade infindável de teorias. A escritora norte-americana Patricia Cornwell, por exemplo, gastou quase quatro milhões de dólares de sua fortuna pessoal para poder provar sua tese sobre a suposta verdadeira identidade de Jack O Estripador.

O resultado foi o livro “Retrato de um Assassino”, trazendo uma teoria refutada e desacreditada pelos pesquisadores do caso.

Claro que o caso colecionou inúmeros suspeitos enquanto teorias desenrolavam ao longo dos anos. Dentre eles estavam Montague John Druitt, Seweryn Klosowski, Aaron Korminski, Michael Ostrog, Jonh Pizer, James Thomas Sadler, e Francis Tumblety.

As suspeitas sobre Druitt se deram pois após o brutal assassinato de Mary Kelly as mortes cessaram.

Esta suposta última vítima foi a única encontrada num recinto fechado, onde o Estripador teve privacidade para remover parte de seu rosto, seus seios, parte da coxa, além de intestinos e coração.

Montague John Druitt era um estranho advogado encontrado morto no Rio Tâmisa algum tempo depois do assassinato de Mary Kelly.

Ele fazia parte de uma sociedade chamada “Os Apóstolos”, um grupo de confrades aristocratas que o acusaram de odiar mulheres. Para alguns estudiosos existiu uma conspiração do grupo para que Druitt se matasse e a associação não fosse ligado aos assassinatos.

O médico que fez a autópsia de Mary Kelly, Dr. Thomas Bond, e ajudou a estudar o comportamento do assassino, traçando seu perfil, sugeriu que buscassem um aristocrata, com conhecimento básico de medicina. Um homem quieto e inofensivo, provavelmente na meia-idade e caprichosamente vestido.

Sua descrição ainda previa um homem de vinte e cinco a trinta e cinco anos (o que não desacredita o fator de meia idade, pois basta pensar que no século XIX apenas dois países tinham um expectativa de vida maior que 40 anos: Reino Unido e Holanda), com média entre 1,65m e 1,70m, e corpulento.

Para Patrícia Cornwell, Jack O Estripador seria Michael Ostrog, um médico considerado louco e que conseguiu se safar de diversas acusações.

Já Alan Moore, mestre inglês da nona arte, defende que o serial killer era Sir William Gull, o médico da família real. Vale a indicação da obra “Do Inferno”, clássico visceral e épico de Moore que conta a história do Estripador em detalhes nauseantes, mas não menos artísticos.

Jack O Estripador foi acusado de ao menos outros quatorze assassinatos além das cinco vítimas iniciais, e com o passar do tempo surgiram outros suspeitos, como o Príncipe Alberto Victor, neto da Rainha Victória, Lewis Carroll, matemático e escrito de “Alice No Pais das Maravilhas”, e Walter Sickert, um personagem ligado a conspirações com a família real britânica.

Em 2006 os jornais de todo o mundo apresentaram um retrato falado do Estripador, gerado com tecnologia moderna, e baseado em fatos da época.

No texto, os investigadores assumiram que a polícia deveria estar procurando o tipo errado de suspeito: “o verdadeiro Jack devia ser assustadoramente normal, embora capaz de crueldades extremas”. 

Naquele mesmo ano Jack O Estripador foi eleito como o pior britânico de todos os tempos!

Recentemente, com o recurso do exame de DNA, um aficionado pelo tema, Russel Edwards, autor do livro Naming Jack The Ripper confirma que o assassino era Aaron Kosminski, um imigrante judeu de 25 anos, que veio do então Império Russo, que vivia com sua mãe e irmãs.

Kosminski, oficialmente, trabalhava como cabeleireiro, mas estava sem emprego fazia anos. Na época, ele já era considerado suspeito pelos assassinatos, e os médicos haviam observado seu comportamento delirante, com abusos depravados contra si mesmo. Sem dúvida, sabiam que era louco.

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