ATUALIZANDO A DISCOTECA: Indiscipline, “Sanguínea” (2017)

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Indiscipline Sanguinea
Indiscipline: “Sanguinea” (2017, Shinigami Records) NOTA:8,0

As mulheres já apresentaram sua armas há muito tempo, provocando sua revolução dentro do campo minado do Rock N’ Roll, e as formações exclusivamente femininas não são mais novidade dentro do gênero. As Runaways desbravaram o terreno que foi pavimentado por nomes como Girlschool, Vixen e L7, para citar as formações mais rebeldes, e fortuitamente, nosso Brasil também foi território atingido pela força roqueira feminina. O nome mais recente a despontar no cenário é o power trio carioca Indiscipline.

Surgido em 2012 pelas mãos das experientes Alice D’Moura (vocal e baixo), Maria Cals (guitarra) e Ale De La Vega (bateria), apresentaram a demo “In My Guts” (2014), que gerou expectativa para o primeiro full lenght que chega em 2017. Batizado de “Sanguinea”, o álbum de estreia foi financiado através de uma bem-sucedida campanha de crowdfunding, e apresenta 10 faixas do mais puro, sujo, e instigante Heavy Rock, numa fusão de tradicionalismos associados a Motorhead, Black Sabbath e AC/DC, com a aspereza do Rock noventista, principalmente o grunge, além da intransigência punk, e do despojamento garageiro.

Confira o clipe de “Fear In Your Eyes”… 

“Fear In Your Eyes”, faixa de abertura, vai surpreender logo de imediato pela inteligência e força da fórmula adotada pelo trio, de detalhes e passagens variadas (tem até um clima noventista desértico à lá Palm Desert em certo momento). E isso vai se repetir ao longo de todo o trabalho, num dinamismo impressionante dos arranjos, homogeneizando riffs e solos versáteis, que transitam livre e fluidamente pelas diversas escolas da guitarra roqueira, além do baixo gorduroso que não tem medo de assumir o protagonismo nos momentos que a guitarra precisa ganhar fôlego, e uma bateria que pulsa concisa e explosivamente.

O mais importante numa proposta como a praticada pela banda Indiscipline é prender o ouvinte pela constante surpresa, pois o risco de cair na previsibilidade existe se não houver sagacidade na hora de construir as composições. E aí está o segredo de faixas como “Take It or Leave It”, “Nasty Roar”, a arrastada “Burning Bridges”, “Higher” (seria esta faixa um exemplar de Stoner/Blues Rock?), e o furioso desfecho com “Poison”, indiscutíveis destaques do trabalho: a imprevisibilidade!

O power trio Indiscipline apresenta seu primeiro full lenght, “Sanguínea”, com uma  uma explícita identidade que dialoga fluentemente com tradicionais influências, criando uma fusão mais que interessante de Heavy Metal, Punk e Grunge, numa versão intransigente, áspera, particular, e acachapante do Stoner Rock. 

Claro que o fato das faixas serem curtas e potentes ajuda na assimilação, porém, a impossibilidade de prever onde estão as curvas das mudanças dos arranjos provoca uma infalível envolvência, que é amplificada pela exploração melódica dos vocais de Alice D’Moura, cujas linhas seguem muito o estilo ESTRUTURAL (e não de timbragem, obviamente) hipnotizante de nomes como Layne Stanley, Scott Weiland e Chris Cornell, com notas alongadas e variando da fúria à melancolia.

Ouça as ótimas “Degrees of Shade” e “Born Dead”, e entenda como ela consegue imprimir sua personalidade, mesmo escancarando estas influências. Todavia ela extrapola dentro destas ascendências noventistas em seus vocais, com muita personalidade, e pode até soar estranho, mas senti uma sombra melódica estrutural (novamente, não estou falando de timbre vocal) à lá Alanis Morisette em linhas mais acessíveis, como as de “Losing My Mind”.

Confira a performance de “Burning Bridges” em estúdio… 

“Sanguinea” foi gravado no estúdio Casa do Mato, no Rio de Janeiro, sob a produção de Felipe Eregion (Unearthly), ao lado do experiente Gus Monsanto. Vi alguns comentários negativos quanto a produção estar abafada demais, mas acredito que este é o enquadramento ideal para o tipo de sonoridade encorpada que o trio pratica, sem limar sua organicidade.

Além disso, a mixagem e a masterização ficaram à cargo do renomado Arkadiusz “Malta” Malczewski, no Sound Division Studio, em Varsóvia, na Polônia. Malta é conhecido pelo trabalho com bandas mais extremas, como o Behemoth e o Decapitated, e sua mão no trabalho é claramente percebida, mesmo que numa abordagem diferente daquela que costuma embalar seus trabalhos. Este staff deu o suporte técnico exato que o Indiscipline precisava para extravasar toda a sua crueza orgânica.

Desta forma, “Sanguinea” é um exemplar cartão de visitas, que deixa explícita a identidade da banda e dialoga fluentemente com suas influências, criando uma fusão mais que interessante de Heavy Metal, Punk e Grunge, numa versão particular e acachapante do Stoner Rock.

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