ATUALIZANDO A DISCOTECA: Heretic, "The Errorism" (2016)

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Heretic: “The Errorism” (2016, Independente) NOTA:8,0

A diversidade aliada à qualidade na cena metálica brasileira é algo ímpar no mundo. Geralmente, em cada país com força nas ramificações do heavy metal, algum nicho se sobressai, mas o fato é que a cena nacional talvez seja a mais plural e qualificada na atualidade, sendo uma pena que alguns ainda tenham preconceito com o rock/metal produzido em terras verde-amarelas.

E confirmando essa diversidade temos a banda goiana Heretic, que investe numa intrincada dança entre regionalismos e vanguardismos musicais,  mesclando referências orientais e o que há de mais moderno dentro do vasto espectro metálico. Uma receita exótica que rendeu, dentre outros, um produto final de sabor interessante  em 2015, intitulado “λειτουργία”, seu segundo álbum.

Ali já eram perceptíveis a capacidade técnica necessária para homogeneizar de modo eficiente a abordagem metálica com arabescos e orientalismos, e o destemor em explorar e ousar enquanto alternava, dentro de um intrincado conceito musical, o protagonismo das texturas e melodias orientais e ocidentais dentro de cada composição.

Confira o clipe de “Summoning the Greek”… 

“The Errorism” é o quarto full lenght do Heretic, que chega apenas um ano após “λειτουργία”, mostrando o quão prolífica é a banda liderada por Guilherme Aguiar (guitarras), principal compositor e produtor do álbum, que entre 2015 e 2017 lançou quatro full lenghts e um EP. Claro que essa alta produção, além de criatividade, se deve ao sabor de jam session que algumas composições possuem.

Mas isso também pode, por outro lado, vir a saturar o público já escasso da música instrumental (esse termo me incomoda por diversos motivos, mas por simplicidade vou usá-lo). Por mais exótica e cativante que seja a proposta, e por mais esmerados que sejam os arranjos, fato é que em dado momento algumas passagens soam repetitivas neste “The Errorism”, que é um álbum duplo, com dezessete músicas dispostas em quase noventa minutos.

Talvez essa seja o único porém do trabalho: sua extensão! Pois até a produção foi ajustada, se mostrando mais límpida e polida, conferindo mais brilho à sonoridade, em comparação ao que ouvimos em “λειτουργία”,  dando ainda mais coesão à mística gerada pela sinuosidade dos instrumentos egípcios, árabes, gregos e indianos, cuja característica rítmica percussiva ajuda a dar envolvência à sonoridade.

Confira a faixa “Trampled by War Elephants”… 

Falando friamente, o que temos nessas dezessete composições é um jazz metal étnico e técnico, de geometria avant garde, com dinâmica metálica progressiva, sendo que pontualmente podemos perceber limites sendo quebrados, seja nos efeitos eletrônicos, ou no toque western de “Sitar Fusion”, uma investigação musical construída por slides e aflorado experimentalismo. Além desta, são destacáveis “Trampled by War Elephants”, “Sumerian Counsel” (atenção às linhas de baixo desta música), “Summoning the Greek” (multifacetada e viajante), e ” Echoes” (hipnótica).

O caráter superlativo deste álbum extrapola o âmbito musical, já se destacando pelo layout e apresentação do digipack, com as dimensões de um DVD, arte gráfica caprichadíssima e um título muito bem elaborado, que dialoga com o conceito regionalista musical, além de ter a fonética da palavra “terrorism”.

Aceito que para alguns pode ser difícil encarar um trabalho longo e tão particular quanto esse, que é sim de difícil digestão (pelo alto teor experimental e complexidade), afinal, mesmo com toda a riqueza musical, a falta de linhas vocais (substituídas na estrutura por alguns instrumentos orientais, principalmente os de corda) pode incomodar alguns fãs de heavy metal.

Todavia, “The Errorism” possui algo que poucas obras no gênero hoje podem dizer de si e que marca as verdadeiras expressões artísticas: ele nunca lhe diz a mesma coisa em sucessivas audições!

Confira o álbum na íntegra, via Bandcamp… 

 

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