ATUALIZANDO A DISCOTECA: Heavenless, “Whocantbenamed” (2017)

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Heavenless: “Whocantbenamed” (2017, Rising Records) NOTA:8,0

A cena potiguar do Heavy Metal impressiona pela qualidade das bandas que revela  e junto a nomes de peso como Lord Blasphemate, Daimonos, e Revanger, o Heavenless chega engrossando esse grupo com “Whocantbenamed”, um álbum forte, criativo, obscuro, pesado e dinâmico, num ziguezague entre classicismo e vanguarda, envolto numa produção orgânica e obscura.

A simplicidade mórbida da capa esta atrelada de modo eloquente ao conceito do álbum, numa consistente mensagem anti-religiosa. “Onde há religião não há espaço para racionalidade”, corrobora nossa observação Kalyl Lamarck, baixista e vocalista, que completa a formação do Heavenless junto aos ex-integrantes do Bones In Traction, Vicente Andrade (bateria) e Vinicius Martins (guitarra).

“Whocantbenamed”, primeiro álbum do Heavenless, se mostra robusto, impactante e empolgante, com referências óbvias, mas diluídas numa forma bem definida, sem pudor em desequilibrar o peso extremo, muito menos abdicar da perversão musical…

Trio que trabalhou por três meses nestas composições, conseguindo forjar uma música robusta, impactante e empolgante, com referências óbvias, mas diluídas numa forma bem definida, sem pudor em desequilibrar o peso extremo (como em “Deceiver”) por guitarras que dialogam com a contemporaneidade do Deathcore, muito menos abdicar da perversão musical além das fronteiras de gênero (como em “Hatred”, e “Odium”).

Além disso, temos fortes tintas de Doom/Death Metal conferindo uma densidade megalítica aos arranjos, dando o tom macabro e obscuro presente desde a abertura de “Enter Hades” (com uma espécie de oração dita ao contrário, até explodir um Death/Thrash de guitarras carnudas, timbragem áspera, groove bem medido e vocais ensandecidos), e mais ainda na rastejante “Soothsayer” (com vocais que lembram os bons tempos do Entombed).

Confira o clipe de “Hatred”… 

O produto final reflete compositores esmerados e habilidosos como instrumentistas, em busca da determinação de uma personalidade musical dentro do Metal Extremo.

Destaque individual ao fluido e criativo trabalho do baterista Vicente Andrade, que ajuda a estruturar a dinâmica envolvente das composições, como explicitado na impecável “The Reclaim”, que traz aquela melancolia pesada do Death/Doom bem trabalhada, com riffs vibrantes dialogando com a cadência hipnótica das viradas de bateria.

De longe, está composição é uma das melhores do trabalho ao lado de “Hopeless” (que traz um pouco da insanidade do Hardcore para a sonoridade), e “Uncorrupted” (e seu sincopado viril).

Confira o clipe de “The Reclaim”… 

Impressiona como conseguiram uma sonoridade bruta, selvagem, com estrutura e detalhes modernos, mas de aroma old-school, formando um contorno musical técnico e variado, sem soar clínico ou gratuitamente retrô.

Claro que existem pontos a serem ajustados, como no registro dos vocais, ou na mixagem, mas nada que comprometa este poderoso cartão de visitas de força musical primitiva e poderosa.

Por fim, o Heavenless se mostra no caminho certo do autoconhecimento, ainda buscando a qual senhor servir dentro de sua proposta musical. É só estabilizar a reação química entre Doom, Sludge, Crust-Punk, Death e Hardcore que teremos mais um grande nome a seguir no metal nacional.

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