ATUALIZANDO A DISCOTECA: H.E.A.T., "Into The Great Unknown" (2017)

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H.E.A.T.: “Into The Great Unknown” (2017, Gain Records, earMUSIC, Shinigami Records) NOTA:6,0

Todo artista/banda, em algum momento de sua carreia decidiu que era hora de arriscar, renovar e buscar novos ares para sua identidade musical. O Megadeth lançou “Risk”, o Metallica, “Black Album”, já o Kiss apresentou “The Elder” e os Beatles foram ao ápice com “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” (1967). Algumas aventuras fracassam como os casos de Megadeth e Kiss se usarmos os exemplos acima, enquanto outras foram sucesso e até mesmo revolucionaram a música moderna (vide o álbum do Beatles).

Ou seja, arriscar mudanças sonoras é um ato de coragem, e pelas músicas que foram disponibilizadas antes do lançamento parecia que chegara a hora do H.E.A.T. de arriscar inovações em “Into the Great Unknown”, seu quinto disco de estúdio, fato bem ilustrado na capa de motivos espaciais que usa a alegoria do desconhecido existente em um buraco negro.

Não que a banda sueca estivesse almejando mudar a história da música, suas pretensões eram mais modestas, mas são irrefutáveis o crescimento e a maturidade atingidos por seu Hard Rock/AOR em álbuns como  “Freedom Rock” (2010) e “Address the Nation” (2012).

Acredito que ali, já haviam atingido o ápice de sua fórmula e a inquietude os movia para um redirecionamento que frutificou em “Tearing Down the Walls” (2014), um álbum com mais adrenalina e desavergonhadamente (no bom sentido) mais acessível em certos momentos, acompanhado de um novo guitarrista, Eric Rivers. Mas funcionou e este foi um dos meus discos favoritos daquele ano.

Confira o clipe de “Eye of the Storm”… 

Todo esse preâmbulo serve somente para para justificar a expectativa altíssima criada quando fora anunciado o novo álbum, “Into the Great Unknown”. Eu inclusive dizia após a dupla “Address the Nation”/“Tearing Down the Walls” que se Jon Bon Jovi não houvesse virado uma caricatura de si mesmo na tentativa de se tornar uma versão de Bruce Springsteen, o Bon Jovi estaria compondo algo nos moldes destes trabalhos.

Mas parece que Erik Grönwall (voz), Dave “Sky Davis” Dalone (que retornou para guiar as seis cordas apos a saída de Rivers), Jimmy Jay (baixo), Jona Tee (teclado) e Crash (bateria e percussão) andam ouvindo demais as presepadas insossas que o Bon Jovi chama de álbuns nos últimos anos (“Time On Our Side”, “Eye Of The Storm” que o digam!).

Ok! Aplausos para a tentativa de se “modernizar” e sair da zona de conforto, afinal claramente buscaram ser imprevisíveis por detalhes diferentes e inesperados, e o exagerado apelo acessível de “Tearing Down the Walls” já sinalizada (onde inclusive ironizaram no riff de “Mannequin Show”) ainda mais grandiloquência pop no próximo passo da discografia, mas não há como ignorar que em “Into the Great Unknown” eles abusaram e cruzaram os limites “aceitáveis”, se é que podemos cobrar algum artista quanto a sua obra.

O que mais chama a atenção neste novo álbum é que a personalidade da banda está aqui, em cada melodia, cada harmonia e ritmo, mas vestida de uma forma estranha que parece não encontrar lugar na produção “inorgânica” do reconhecido Tobias Lindell.

No geral, a energia soa artificial, falta adrenalina, a criatividade é ofuscada pela pretensão e a vibração vem em doses regradas. É como aquele seu amigo de longa data que resolve ser “algo que não é” repentinamente. Causa estranheza e descrédito, sendo que no caso de “Into the Great Unknown”, a faixa-título resume muito bem esse desenhoAté os usuais exageros do talentoso  Grönwall estão mais comedidos.

Confira o clipe de “Redefined”… 

Faixas como “Bastard of Society”, “Shit City”, “Best Of The Broken” e “Do You Want It?” até acenam com um pouco do H.E.A.T. que gostaríamos de ouvir, e “Blind Leads The Blind” é a salvação da lavoura, sendo faixas com refrãos incisivos e ritmos frenéticos, mas mesmo assim não possuem cacife nem pra bônus dos dois álbuns anteriores, afinal não se pode ignorar que apesar de boas, as guitarras de Dave soam deslocadas nas composições, como se cumprissem uma obrigação de estar ali para justificar o rótulo, afinal toda a eficiência melódica foi dada aos teclados.

Ou seja, são “destaques” que carecem de guitarras “honestas”, e sobram em teclados em meio a toda a pasteurização da produção que tenta criar um sentimento épico artificial, gerando faixas ainda mais presunçosas e preguiçosas como “Redefined” (um pop/rock sintetizado e sem vergonha), a já citada “Time On Our Side”, e “We Rule”, que é ainda pior em sua tentativa ruborizante de construir algo nos moldes épicos que o Queen fez nos seus últimos anos com Freddie Mercury.

Confira “Time Is On Your Side”… 

Enfim, tentaram modernizar sua abordagem, renovar e ampliar suas referências de modo mais cerebral e acessível aos ouvidos contemporâneos. Até aí nenhum problema, pois era o caminho apontado pela evolução discográfica. O que incômoda é perceber, ao despir as músicas desta massa estéril da produção de Tobias Lindell, que as composições tinham potencial para construir um dos melhores álbuns do H.E.AT..

Duvida? Então façamos um exercício de reconstrução: preste atenção aos solos, à construção melódica, tire o protagonismo dos teclados e encaixe suas harmonias nas guitarras. Agora injete adrenalina e energia por uma produção orgânica. Voilà! Está aí o álbum que esperávamos.

Claro que a arte não segue regras e prima pela inquietude, desta forma, “Into the Great Unknown” é como é, e às vezes a maturação provocada com o passar do tempo ajude compreender o trabalho, mas por ora, tirando (com forte condescendência de fã) as pontualidades mencionadas acima, no geral, não funcionou e por muito tempo, ao olhar para a discografia da banda com “minhas retinas tão fatigadas” e encarar este álbum lembrarei do grande Dummond: “tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra”.

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