FILME: “Grave” (Raw, 2016)

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Por Ricardo Leite Costa

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Grave” (Raw, França – 2016); Direção: Julia Ducournau; 98 min. Nota:7,0

O filme francês “Raw” (no Brasil “Grave” – 2016) da cineasta Julia Ducournau, vem sustentando muita polêmica e gerando uma série de críticas negativas graças à presença de cenas envolvendo canibalismo. É notório que as produções de horror francesas investem sem parcimônia no gore, no incômodo, sem receio de polemizar.

Mas será que “Raw” é realmente digno de toda controvérsia que vem alimentando?

Pois bem, o filme está sendo “vendido” por aí como aquele que fez as pessoas desmaiarem e vomitarem durante a sessão de exibição. Obviamente, isso gera uma mórbida curiosidade, até mesmo em quem não é fã do gênero.

Temos que ponderar o seguinte: vivemos em uma época onde tudo é ofensivo, onde absolutamente tudo gera polêmica e discussões acaloradas, onde tudo é polarizado. Sendo assim, as pessoas são mais susceptíveis e muito mais facilmente impressionáveis.

Bom, não sou nenhum sociólogo, antropólogo, psicólogo ou qualquer coisa do tipo, mas posso garantir que todas as críticas que o longa vem colecionando, em grande parte, não tem razão alguma de existir.

Puro estardalhaço sensacionalista.

Certamente “Raw” tem cenas incômodas, bastante gráficas, mas nada que não possamos assimilar e aceitar (os filmes italianos do início dos 80 são muito mais perturbadores. Acredite!).

Confira o trailer do filme… 

A narrativa foca na história de Justine (Garance Marillier), jovem vegetariana radical, que está prestes a ingressar na faculdade de veterinária, onde já se encontra sua irmã Alexia (Ella Rumpf).

Estando na faculdade, a garota é submetida ao famigerado trote onde, além de tomar um banho de sangue de porco no melhor estilo “Carrie”, é obrigada a comer carne crua. Relutante, mas forçada pelos veteranos – incluindo sua irmã -, Justine ingere a carne, tendo início assim uma série de acontecimentos que afetarão drasticamente sua rotina e a de seus companheiros de curso.

Como um zumbi exposto a um vírus sintético, a jovem passa por uma mudança de comportamento brutal, refletida principalmente em seu paladar, mas não entrarei em detalhes para não estragar a surpresa.

No decorrer da trama, temos um clima crescente de suspense, uma atmosfera angustiante, e começamos a questionar até onde tudo aquilo pode chegar.

Além disso, após o acidente no alojamento da faculdade envolvendo sua irmã (essa seqüência é um tanto incomoda) e o bizarro acidente na estrada, começamos a questionar o real propósito de Alexia na trama.

Seria alguma predisposição genética familiar? Seria alguma moléstia contagiosa? Além disso, a mudança brusca no cotidiano de Justine, aliado a novas descobertas próprias da idade (amor, independência, solidão), cria um implacável conflito interno na protagonista. Assista e descubra.

Como quase todo filme francês do gênero, a narrativa investe num clima obscuro, sujo, valendo-se de linguajar obsceno, sexo, consumo de drogas e violência gráfica. O roteiro é heterogêneo, apresenta falhas, mas nada alarmante e também não se perde em minúcias desnecessárias.

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Justine é uma jovem vegetariana radical que, após um famigerado trote na faculdade de veterinária onde é obrigada a comer carne crua, se vê diante de uma série de acontecimentos que afetarão drasticamente sua rotina.

Agora, o que todos querem saber: “Raw” é tudo isso mesmo? Depende de quem vai “consumi-lo”.

Se for uma pessoa emocionalmente frágil, vai ter algum problema de origem gástrica e até psicológico. Quem já é calejado no segmento, vai levar numa boa e vai se lembrar de pelo menos uns cinco momentos mais brutais que isso.

Tenho uma teoria a respeito do filme: creio que a trama apresente um significado subliminar, metaforicamente falando.

O problema enfrentado por Justine reflete o consumo de carne como algo deletério, nocivo à saúde, e a faculdade de veterinária seria como a exploração comercial animal, da manipulação até a morte.

Pode ser só teoria conspiratória da minha cabeça, mas creio que “Raw” talvez não tenha a intenção só de chocar, mas também servir de mensagem ativista pró-veganismo.

De qualquer modo, é um filme pra se assistir uma vez e só. Não é bonito, não é divertido. É uma tentativa de posicionar o ser humano como um animal enclausurado que, em uma fração de segundo, rompe as correntes e mostra sua verdadeira face.

Assista e tire suas próprias conclusões.

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