ATUALIZANDO A DISCOTECA: Glowing Tree, “Bucolic” (2018)

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Glowing Tree Bucolic CAPA
Glowing Tree: “Bucolic” (2018, Independente) NOTA:8,0

Afirmo, sem medo, que o rock progressivo é a parcela de maior excelência no rock brasileiro, desde os anos 1970.

Pense bem, faça uma lista séria de grandes nomes do rock nacional e lá certamente teremos Mutantes, Casa das Máquinas, Som Nosso de Cada Dia, O Terço, Violeta de Outono, etc., todas representantes  das diversas facetas da música progressiva. Isso se dá até no metal nacional, pegue o Angra, por exemplo.

Voltando ao rock progessivo, ao contrário do que parece baseado no que a mídia nos mostra, a cena está mais viva do que nunca e a banda paulista Glowing Tree (nome inspirado pela mitologia do escritor J. R. R. Tolkien) vem reforçar o time, mas por vias que elevam nomes como Rush, Porcupine Tree, Soundgarden e Frank Zappa em “Bucolic”, primeiro disco da banda.

Claro que rotular a sonoridade do Glowing Tree é complicado, e reduzi-los ao progressivo ainda cerceia a sonoridade por mais amplitude que o gênero permita, todavia, pelas mudanças de tempos, e variações de texturas e arranjos é mais fácil encaixá-los   por ali.

Nas dez faixas que completam “Bucolic”, vemos experimentações e ousadia, mas sem tecnicismos desnecessários nos arranjos bem trabalhados, com letras cotidianas e explorando nuances do ser humano e questões pessoais como a própria capa insinua.

A técnica inerente ao gênero existe em algo lembrando vagamente a versatilidade técnica do King Crimson, os aspectos ousados do Porcupine Tree, e o emocional do Pain of Salvation.

Mas essa técnica vem atrelada à dinâmica do hard rock e do metal (a coesão do Rush e do Fates Warning, e a assertividade do Evergrey) e à organicidade envolvente e moderadamente angustiante do rock alternativo (do peso melódico noventista do grunge de Soundgarden e Alice In Chains, da desconstrução do Radiohead e do histrionismo do Foo Fighters – ouça “Reasons to Cry”)).

Uma mistura de eras do rock que ainda traz vozes inspiradas, harmônias brilhantes e doses precisas de virtuosismo (com pontual classicismo sinfônico à la Kansas e Yes nos teclados – ouça “Goodbye”) e até pinceladas da vibe climática e emocional do shoegaze.

Essa receita que no primeiro momento soa desconexa já aparece bem harmonizada  entre o nostálgico e o moderno na abertura com “Animals”, uma faixa multifacetada, além de “Psycho Papper” “Slacker Generation” (essa traz até algo que lembra os movimentos climáticos e acústicos, de certa introspeção melódica, do Angra).

As canções não são extensas, apesar de esmeradas aos detalhes, e possuem direção bem definida, sendo espontâneas, longe dos circunlóquios e digressões, e a fusão dos elementos é coesa, assim como a variação nos andamentos das canções torna a audição fluida e confortável, ficando claro que os músicos sabem manusear sua fórmula musical.

Falta só um pouco de lapidação em algumas arestas, que permita-os fugir das repetições, principalmente nos movimentos mais pesados, aqueles que dão a impressão de “já ter ouvido isso em outra faixa”.

E olha que a própria banda mostra como ser mais imprevisível com sua fórmula em “Seeing Red” (com seu “q” de Fates Warning), uma das mais interessantes composições ao lado de “Johnny Parker” (com linha de baixo precisa),e “Half Dead Boy” (a melhor do álbum).

“Bucolic” é um cartão de visitas que chama a atenção e me fará seguir os passos do Glowing Tree.

Tracklist:

01. Animals (This Sound Black!)
02. Johnny Parker
03. Reasons To Cry
04. Psycho Paper
05. Slacker Generation
06. Half Dead Boy
07. Unfinished Subjects
08. Pictures of Life
09. Seeing Red
10. Goodbye

Formação

Jean Felipe – voz e guitarra
Fábio Fiore – teclado e backing vocals
Scott Denis – baixo e backing vocals
Ryan Marcel – bateria

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