VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO: Glenn Hughes, “Burning Japan Live” (1994)

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Dia Indicado para ouvir: Quinta-Feira;

Hora do dia indicada para ouvir: Cinco da Tarde;

Definição em poucas palavras: Classudo, guitarra, pesado;

Estilo do Artista: Classic/Melodic Rock;

Glenn Hughes Burning Japan Live Hughes Thrall Deep Purple
Glenn Hughes: “Burning Japan Live” (1994, SPV, Shrapnel Records – 2018, relançamento Hellion Records)

Comentário Geral: Eis um clássico dos anos 1990! Glenn Hughes é um nome vinculado a bandas seminais do rock/metal como Black Sabbath e Trapeze, além de inúmeros projetos de destaque, como o Brazen Abbot, Hughes/Thrall, Black Country Communion, e Voodoo Hill.

Mas claro, não dá pra falar em Glenn Hughes sem lembrar que ele fez história no Deep Purple,  em álbuns como “Burn” (1974), “Stormbringer” (1974), e “Come Taste the Band” (1975), nas formações conhecidas como MKIII e MKIV.

Até por isso, não espanta que sete das quinze faixas deste “Burning Japan Live” (1994), primeiro disco ao vivo da sua carreira solo sejam composições suas da época de Deep Purple. Todavia, não se engane pensando que sua carreira solo é irrelevante, muito pelo contrário, ela é sólida e multifacetada.

O fato é que pouco antes Glenn Hughes acabava de retomar sua carreira solo com “From Now On…” (1994), a mesma que havia começado no longínquo ano de 1977, com “Play Me Out”. A diferença é que agora ele se encontrava na casa dos 50 anos de idade.

Ok! Existe também “L.A. Blues Authority Volume II: Glenn Hughes – Blues” (1992), mas este é um disco de blues que foge um pouco da identidade musical que Glenn Hughes desenvolvera na época, sendo que muitos demarcam o começo realmente relevante de sua carreira solo com  “From Now On…” (1994).

Tanto que o repertório de “Burning Japan Live” (1994) ignorou ambos os discos, dando espaço às faixas de “From Now On…” (1994) e à bagagem musical de mais de duas décadas que Glenn Hughes trazia a tiracolo.

Não há como negar que aquele era o momento perfeito para gravar seu primeiro disco ao vivo na carreira solo, que viria na forma de “Burning Japan Live”. Afinal, Glenn Hughes conseguira reunir uma banda de respeito no que tange tanto ao feeling quanto a técnica, com alguns membros do Europe.

show registrado em “Burning Japan Live” (1994) acontecera em 24 e 25 de maio de 1994, no Citta’ Kawasaki, e traz Glenn Hughes desfilando um repertório que contempla os grande momentos de sua carreira.

Cabe ressaltar um ponto interessante deste disco. Dentro deste contexto de importância ímpar dentro do rock, Glenn Hughes sempre se destacou pela técnica apurada no baixo, mas, principalmente, pela sua inflexão vocal poderosa e energética que lhe conferiu o título de The Voice of Rock.

E o que torna este “Burning Japan Live” (1994) tão instigante é o fato de Glenn Hughes se dedicar apenas ao vocais. A liberdade e desenvoltura de sua voz ficam nítidas a cada composição interpretada de forma inspirada, não sendo exagero afirmar que este live album é um dos marcos da sua trajetória, não só da fase solo.

Desde a abertura explosiva com “Burn”, até o desfecho com “Stormbringer”, ambas clássicos de sua fase no Deep Purple, temos em “Burning Japan Live” o puro rock n’ roll inflamado pelo peso do hard rock e pela malícia do funk/soul que sempre foi marcante no trabalho de Glenn Hughes, nos oferecendo versões intensas e classudas de suas melhores composições.

Além disso, as linhas precisas das guitarras  são, também, tempestuosas e carregam a vibração dos grandes discos ao vivo do rock, duelando, espelhando e se dividindo nos solos, e desenhando bases para que a voz de Glenn Hughes brilhe.

E é necessário aqui dar crédito à competência e ao feeling da dupla Larsson /Bojfeldt, com versatilidade para transitar com personalidade por estilos distintos de guitarristas que estiveram na história de Glenn Hughes, como Ritchie Blackmore (no Deep Purple), Tommy Bolin (também no Deep Purple), e Pat Thrall (no Hughes/Thrall), além de ir do melodic rock aos aspectos funkeados (ouça “Liar”) com desenvoltura.

Claro que o destaque das guitarras no instrumental de “Burning Japan Live” só é possível pelo trabalho estrutural de John Levén e Ian Haugland na seção rítimca, suportando as melodias com classe e vigor. Junto ao dois, o tecladista Mic Michaeli representa a “parcela Europe” da banda de apoio, e  Mic dá um show nos momentos de protagonismo (ouça os teclados de “Burn”).

Duas análises brotam da audição minuciosa de “Burning Japan Live”.

Primeiramente, é a inclusão de quatro composições do álbum “Come Taste the Band” (1975), do Deep Purple, o que me dá ainda mais certeza de que este é um trabalho que merece ser redescoberto pelos fãs da banda, afinal “This Time Around” (dedicada por Glenn Hughes a Tommy Bolin), “Owed to G”, “Gettin’ Tighter” (um hard rock de groove flamejante) e “You Keep On Mooving”, não devem em nada às demais do repertório.

Assim como as quatro composições de “From Now On…” (1994) não se deslocam em meio a clássicos da carreira precedente de Glenn Hughes, e aí se encaixa nossa segunda observação. “The Liar”, “Lay My Body Down”, “From Now On…” (um AOR irresistível, diga-se, com Hughes roubando a cena) e “Into the Void”, conseguem inclusive se destacar na primeira metade do repertório de “Burning Japan Live” pela essência melódica e classuda.

Na verdade, seguindo o molde de seu disco de estúdio, Glenn Hughes emplacou em “Burning Japan Live”heavy/hard rock de seu legado musical num formato hard rock/AOR que se encaixa perfeitamente em sua voz. Assim, cada releitura é impactante pelas diferentes medidas de melodia e sabor setentista que possuem, mesmo em clássicos com “Lady Double Dealer” “Stormbringer”.

No repertório diversificado e dinâmico de “Burning Japan Live”, onde cada faixa é uma pedrada mais impactante que a anterior, com energia cativante, ainda podemos destacar a faixa inédita “Still In Love With You” (uma balada emocional com Glenn Hughes sozinho ao teclado), e as faixas do projeto Hughes/Thrall, “Muscle and Blood”, “I Got Your Number” “Coast to Coast” (que tem sua primeira versão gravada no álbum “You Are the Music… We’re Just the Band”, do Trapeze), retiradas do excelente disco dos anos 80.

Acredito que não ficou dúvida de que “Burning Japan Live” um dos discos ao vivo obrigatórios da história recente do Rock.

Aproveite que a Hellion Records acabou de relançar este petardo no Brasil, pois é fato que VOCÊ DEVIA OUVIR ISTO!

Ano de Lançamento: 1994.

Formação: Glenn Hughes (vocais e teclados), Thomas Larsson (guitarra e backing vocals), Eric Bojfeldt (guitarra e backing vocals), John Levén (baixo). Ian Haugland (bateria), Mic Michaeli (teclado e backing vocals)

Top 3: “The Liar”, “Gettin’ Tighter”, e “Coast to Coast“.

Disco Pai: Deep Purple: “Made In Japan” (1976)

Disco Irmão: Trapeze: “Welcome to the Real World” (1993)

Disco Filho: Black Country Communion: “Live Over Europe” (2011)

Curiosidades: Na mesma apresentação que frutificou em “Burning Japan Live”, Glenn Hughes gravou uma versão para a faixa “Kiss of Fire”, presente no primeiro e clássico álbum do Phenomena, que mais tarde seria incluída no EP “Talk About It” (1997).

Pra quem gosta de: Soul com alma roqueira e vice-versa, vocalistas que soltam o gogó, cerveja, guitar heroes e discos ao vivo.

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