ATUALIZANDO A DISCOTECA: Gladiator, “Dreadful Dreams” (1992, 2017)

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Gladiator – “Dreadful Dreams” (1992, 2017 relançamento Rising Records) NOTA:9,0

Estamos diante de um registro histórico do metal nacional!

A banda Gladiator foi uma das pioneiras do thrash metal gaúcho, e apesar da curta vida em sua primeira encarnação, que durou de 1987 a 1994, produziu material em quantidade e qualidade suficiente pra marcar seu nome na história do gênero no âmbito nacional.

“Dreadful Dreams” é o primeiro full lenght do Gladiator, lançado em 1992 pelo selo potiguar Whiplash Records, e que agora ganha uma versão remasterizada, lançada via Rising Records, com encarte caprichado, e como parte da retomada da carreira do quarteto gaúcho em 2015.

O peso e o aroma das forma agressivas de fins dos anos 1980 e começo dos anos 1990 já pode ser sentido em “Selective Eye”, faixa de abertura, que traz também fortes influências do Sepultura em meio riffs encorpados e solos incisivos.

De cara, a seção rítmica mostra ser um ponto forte da sonoridade do Gladiator, que investe em mudanças de direção em meio a agressividade melódica e bem trabalhada dos arranjos.

A bateria não recusa os movimentos brucos nas mudanças dos arranjos enquanto o baixo vai muito além de encorpar a identidade da banda, desenhando virtuosismo bem controlado (preste atenção ao instrumento em “Brainwash”).

Claro que a produção pode conferir um sabor datado a alguns paladares apurados somente pelos trabalhos mais modernos, mas certamente a criatividade sustentada pela técnica do Gladiator vai suplantar um possível estranhamento inicial.

Definitivamente, há muita personalidade no som do Gladiator, principalmente pelos detalhes colocados em cada composição, que se mostra firme e contundente na proposta de explorar o metal tradicional dentro da força e impetuosidade groovada do thrash metal de início dos anos 1990, aquele que esbarra em algo de crossover (como em “Noise”)

Ao longo das faixas podemos perceber algo de Panic, MX, Korzus e Vulcano esparramado pelas composições, assim como Nuclear Assault, Sacred Reich e Exodus.

E em meio a este clima de recuperação arqueológica do metal nacional emergem  ótimos petardos como “Joinning the Pieces” (com groove pesado e clara remissão aos momentos mais melódicos e lentos do death metal noventista norte-americano), “The Prisioner” (com um solo infernal!), “Holy Words”, “Addicted To Kill” e a inesperada, mas não menos bem-vinda,  releitura de “Sunshine of your Love”, do Cream.

Além do tracklist original de “Dreadful Dreams”, essa edição remasterizada ainda nos presenteia com as demos “Opression and Pain” (1989) e “Holy Words” (1990 – com destaque a “No Violence” e sua abertura à lá Diamond Head), responsáveis pelo status  de precursores do thrash metal no sul do país, pela crueza e agressividade de ambos os trabalhos. 

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“Dreadful Dreams” é o primeiro full lenght do Gladiator, lançado em 1992 pelo selo potiguar Whiplash Records, e que agora ganha uma versão remasterizada, lançada via Rising Records…

A primeira demo do Gladiator, “Opression and Pain” (1989), fez relativo sucesso no underground, enaltecida no encarte deste relançamento de “Dreadful Dreams” por ninguém menos que Luiz Carlos Louzada, do Vulcano.

Dentre as seis composições bem mais primitivas que as encontradas em “Dreadful Dreams” valem menção “Shadows of Death”, “Opression and Pain”.

No total, nestas dezessete faixas deste relançamento de “Dreadful Dreams” (oito do repertório original, três da primeira demo e seis da segunda) o Gladiator mostrava uma abordagem  inteligente do thrash metal, partindo dos pilares da bay area e permeando tudo toque certeiro de metal tradicional.

Concordo que “Dreadful Dreams” é o retrato de um Gladiator ainda sem um completo lapidar da sonoridade, mas também é nítido que a banda estava na vanguarda de seu gênero à época deste lançamento.

Além disso, há de se ressaltar que o tratamento dado pela remasterização deu nova vida à produção discreta do material original, principalmente nas guitarras, que são instigantes, deixando tudo mais detalhado, imprimindo ainda mais valor histórico na retomada deste registro do metal nacional.

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