ATUALIZANDO A DISCOTECA: Ghost, “Meliora” (2015)

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Ghost: “Meliora” (2015, Spinefarm Records/ Rise Above Records/ Loma Vista Recordings/Universal Music Brasil)

Eis aqui uma banda que divide opiniões, como bem detalhamos no texto que analisava as duas variações verdadeiras acerca do Ghost. Resumindo a missa (negra, diga-se de passagem), enquanto alguns acreditam que eles vieram preencher uma lacuna no mainstream musical, reunindo os melhores sabores da era dourada do rock, outros dizem que mostram efetivamente a realidade da cena musical atual: receitas requentadas dos tempos em que a música tinha originalidade. Acredito que ambas abordagens possuem suas verdades, bem como seus exageros e, no meu caso, posso confessar meu apreço pelo primeiro álbum do Ghost, mas o segundo foi uma decepção, sendo, inclusive, incluído dentre as nossas dez decepções do ano de 2013.

A fórmula manjada de se diferenciar visualmente, unida ao marketing forte, ganhou um novo aliado: boas composições! Pois, não é que a banda me surpreende positivamente com seu terceiro e irretocável álbum? O significado da expressão meliora seria próximo a “melhoramento de algo”, e ela se encaixou como uma luva para batizar este novo álbum, onde expandiram seus horizontes musicais, dando maior atenção à produção que engrandeceu o som da bateria.  É possível notar a mão do produtor Klas Árlund, conhecido no meio da música pop, nesta evolução, dando mais pompa aos teclados e abaixando a afinação das guitarras, sendo ainda creditado por desencorajar a utilização das passagens psicodélicas, instruindo os músicos a trocá-las por andamentos instrumentais mais intrincados. Além disso, retomaram os teclados eclesiásticos sinuosos, refrões grandiosos, linhas vocais melodiosas, guitarras afiadas (os riffs estão maléficos e os solos esmerados) e cozinha consistente.

PHOTO COPYRIGHT JOHN McMURTRIE 2015

Órfãos daquela sonoridade sombria de conjuntos como Blue Oyster Cult, Pentagram, Saint Vitus, Trouble e Candlemass, sintam-se adotados, pois o Ghost acertou em cheio novamente!

O clima eclesiástico foi retomado de modo inteligente pelos teclados certeiros e, apesar da timbragem dos instrumentos não imprimir peso, as novas faixas estão poderosas, com aclimatação mais densa e requintadamente sombrias, mostrando que algo estava muito errado no polido “Infestissuman” (2013), álbum anterior, que não passava de uma versão pseudo-satânica de um The Doors sem alma. As influências de The Doors e Pink Floyd são altamente justificadas por um dos Nameless Ghouls, que alega ter crescido ouvindo Kiss, Pink Floyd e The Doors, sendo natural observarmos progressões de acordes que remetam a estes nomes.

Ouvir a introdução de “Spirit” e não lembrar dos clássicos do terror é impossível, ainda mais quando percebemos que os vocais melodiosos funcionam como armadilhas musicais que nos envolvem e cativam já numa primeira audição. Além desta, faixas como “From The Pinnacle To The Pit” (hard rock endiabrado  e cadenciado, com linha de baixo mortal),  “Mummy Dust” (melhor do álbum e com teclados sensacionais) e “Deus In Absentia” (diversificada e sem fronteiras) vão agradar os apreciadores do rock pesado inspirado pelas forças ocultas e que se vêem órfãos daquela sonoridade sombria de bandas como Blue Oyster Cult, Pentagram, Saint Vitus, Trouble e Candlemass.

“He Is” (um hino com inspirações progressivas setentistas, dotada de sensibilidade musical), é um caso à parte. Uma da das melhores faixas do trabalho, composta, não originalmente para a banda, em 2007, foi ignorada até agora por ser considerada muito simples, mas, ao contrário do que possa parecer, não é uma ode ao tinhoso, e sim dedicada ao guitarrista Selim Lemouchi, da banda The Devil’s Blood.

Para completar o marketing folclórico da banda, temos um Papa Emeritus III, que é o mesmo vocalista, com maquiagem e vestes diferentes, marcando apenas a transição de eras da banda, sendo este fato ironizado até mesmo pelos integrantes que, ao serem indagados sobre este fato, dizem se espantar o quão surpreendentemente similares são as vozes dos “três” vocalistas. Podemos dizer que o Ghost não passou no teste do segundo álbum, mas se recuperou com louvores no terceiro!

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