FILME: “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”

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Por Erica Fernanda

“Em 3 de Setembro de 1973, às 18:28:32 uma mosca califorídea, capaz de 14.670 batidas de asas por minuto pousou na Rua Saint Vicent em Montmartre, no mesmo segundo num restaurante perto do Moluin-de-la-Gralette o vento esgueirou-se como por magia sob uma toalha fazendo os copos dançaram sem que ninguém notasse. Nesse instante, no 5º distrito Eugéne Colere, de volta do enterro de seu amigo Èmile Maginot, apagou seu nome da caderneta de endereços…. 

Ainda nesse mesmo segundo, um espermatozoide de cromossomo X, pertencente ao Sr. Raphael Poulain, destacou-se do pelotão e alcançou um óvulo pertencente à Sra. Poulain, Amandine Fouet. Nove meses depois nascia Amélie Poulain. ”

 

Assista o trailer de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”… 

 

Um filme francês produzido no ano de 2001 e lançado em 8 de fevereiro de 2002, dirigido por Jean – Pierre Jeunet, que conquistou muitos admiradores, não só os franceses, mas de uma legião de fãs ao redor do mundo, que se identificaram com suas peculiaridades e seus problemas, o longa inicia a apresentação de seus personagens com suas recordações e com o que gostam ou não de fazer, criando assim, uma certa empatia e conhecimento sobre o indivíduo a ser descrito.

Um exemplo disso é a própria Amélie que gosta de colocar a mão em um saco de cereais, quebrar a casquinha de doce com a colher   e jogar pedras no canal de Saint Martime e não gosta de ver injustiças.

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A Amélie causa uma certa identificação no espectador, que segue sua história partindo do seu nascimento até a vida adulta. Com uma infância traumática  na qual  o único contato que tinha com seu pai Raphael Poulain ( Rufus)  que era médico do exército,  eram nas consultas de rotina, Raphael percebe que o coração de sua filha bate muito acelerado  e pensa que ela sofre de algum problema cardíaco, mas isso acontece devido a emoção que sente por ter o pai por perto, proibindo-a de frequentar a escola e obrigando-a a estudar em casa  com sua mãe Amandine Poulain ( Lorella Cravotta), uma diretora de escola  que não era muito de afetos com  a filha.

Quando criança, tinha como único refúgio a sua imaginação e seu peixinho Cachalote que devido a este ambiente conturbado, como a narrativa do filme menciona: “tenta suicídio a todo momento”, pulando do seu aquário para o chão e deixando a mãe de Amélie prestes a uma ataque de nervos, que foi jogado em um rio.

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Certo dia, Amandine levou sua filha a Catedral de Notredame para pedir um irmãozinho, porém acontece uma tragédia na qual uma mulher que tenta suicídio na torre da igreja acaba a tingindo, assim, a menina passa a viver apenas com o pai que   está mais ausente e obcecado por construir um pequeno templo para sua falecida esposa em seu jardim.

Após atingir sua maioridade, Amélie mudou-se para o subúrbio para o bairro Montmartre, onde começou a trabalhar de garçonete. Certo dia encontra em seu banheiro uma caixa escondida pensando em pertencer ao antigo morador, inicia-se sua busca encontrando Dominique ( Mauricie Bénichou) ao ver a emoção dele de encontrar  sua caixa que contém lembranças de sua infância, ela ganha um novo sentido para sua vida.

Buscando preencher o vazio de sua existência se empenhando em ajudar as pessoas a sua volta, mesmo  sendo uma jovem introspectiva e tímida, ela supera seus traumas infantis ajudando as pessoas de forma anônima com pequenas ações.

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Em uma dessas ações ela se apaixona por Nino ( Mathieu Kassovitz)  a deixando com uma escolha se ela continua fechada ao seu próprio mundo  ou enfrenta o medo da realidade.

O longa metragem recebeu cinco indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro, direção de arte, Fotografia e Som. Com detalhes peculiares principalmente em suas cenas que remetem a um quadro paisagista com cores vivas como: o vermelho, verde e amarelo,  Jean Pierre demonstra no filme  uma simplicidade e sensibilidade que Amélie enxerga nas coisas para solucionar alguns problemas, como o  gnomo que dá volta ao mundo e  a carta que chega décadas atrasada.

O pai de Amélie tinha o sonho de viajar ao mundo mais tinha medo, e para encoraja-lo Amélie teve a ideia de capturar o gnomo que estava no pequeno altar de sua falecida mãe e pedir ajuda a uma conhecida que trabalhava como aeromoça para  tirar fotos do gnomo em suas paradas , afim de incentivar o pai em seus sonhos “Até você Gnomo”.

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Amélie tentou ajudar Madeleine Wallace (Yolande Moreau) personagem que chorava pela  morte de seu marido e ressentia-se pela traição dele, falsificando uma carta  que dizia que ele estava arrependido pela traição e que amava a sua esposa.

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Desenhada no quadro de Raymond ( Serge Merlin ) Amélie  é uma figura  que está na pintura, mas não está no quadro devido ao  seu olhar que vai mais além de suas inquietudes.

 

Amélie seria a figura da mulher que está sentada sozinha bebendo algo, enquanto os outros estão felizes conversando e interagindo. “Não tem como estarem felizes se tem carne de lebre e bebida”- Raymond (Serge Merlin)

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Encontrando  sua felicidade nas coisas mais simples da vida, ela é atraída pela simplicidade  das coisas ao seu redor, porém, ela  cria uma certa barreira contra as suas dores e a realidade  da vida, deixando uma certa reflexão entre tantas, “Querida Amélie, você não tem ossos de vidro. Você aguenta as pancadas da vida.”– Raymond ( Serge Merlin)

Precisamos ser  mais Amélies, buscar essa felicidade. Há momentos ruins, mas existem os bons também, são momentos, irão passar, que busquemos a felicidade sem individualismos partilhando com o outro   valorizando as coisas simples da vida, um brinde as coisas simples da vida.

 

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Cena final do filme O Fabuloso Caso de Amélie Poulain.

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