ATUALIZANDO A DISCOTECA: Fellps Rocker, "Tudo que havia de bom em mim se foi" (2017)

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Por Will Bernardes

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Fellps Rocker – “Tudo que havia de bom em mim se foi” (2017, Island Music) NOTA:7,0.

Todos sabem o quanto vários artistas se desdobram para conseguir mostrar seu trabalho e garantir um pequeno espaço no meio da indústria fonográfica no Brasil. E isso não se resume apenas em questões financeiras, falta de patrocínio e incentivo, mas muito se deve à falta de apoio pelo fato de se tratar de um “futuro não rentável”, na visão de alguns.

Embora muitos artistas consagrados com seus discos de platina, agendas e shows superlotados passem a impressão de vida fácil e sucesso estabilizado, o que muitos não sabem é da longa jornada e obstáculos vivenciados para se chegar ao estrelato e se manterem na mídia.

Em meio à tudo isso existem artistas que vestem a camisa e trabalham duro para expor sua música e levar um pouco de seus sentimentos e frustrações através da mesma, sem ter o devido reconhecimento.

O paulistano Fellps Rocker ingressou cedo na carreira de músico e sempre persistiu em mostrar seu talento e boa vontade de tocar rock, desde os tempos de escola, chegando até mesmo a vencer um prêmio de revelação musical e melhor canção no ano de 2007, por um jornal estudantil, com a canção de sua própria autoria “Inocência”, que se tratava de um desabafo sobre a realidade do governo na época. Após alguns projetos e parcerias com amigos dedicou a compor, criar sua própria música e ingressar no meio artístico.

Confira a faixa “Agora que eu me vejo sem você”… 

Inspirado no rock mais simplista dos anos 60 e 70 Fellps reuniu suas composições baseadas em suas experiências de vida, e, em parceria com a Island Music, apresenta seu primeiro álbum “Tudo que havia de bom em mim se foi”, lançado em 2017.

Em suma, todo o contexto narrado nas 11 faixas traz basicamente uma autobiografia do músico com composições fortes e introspectivas, tendo como base um rock’n’roll vibrante com pinceladas de blues rock autêntico e com personalidade, resgatando uma atmosfera underground inspirada em artistas excêntricos como Renato e seus Blues Caps, Erasmo Carlos, Ronnie Cord, Nora Ney e Maysa, agregando elementos do rock contemporâneo transparecendo suas influências em grupos distintos como Creedence Clearwater Revival, The Kinks, The Kooks, Duff e Morrissey.

Fellps interpreta suas músicas com confiança e feeling mostrando-se criativo com uma técnica vocal peculiar, condizente com a proposta musical do álbum, que traz no line-up além de Fellps nos vocais e guitarra, Felipe Barbosa na guitarra base, Reinaldo de Menezes no baixo e Marco Antônio Viana na bateria. A produção ficou a cargo de Rei Menezes e a capa foi idealizada e registrada por Guilherme Krol Lins.

Confira a faixa “Quebrando minha própria prisão”…

O rock despojado esboça seu charme nos riffs contagiantes e pegada bluesy que caracteriza um trabalho despretensioso embora presente com letras ásperas e muito pessoais. Versos como: “essa vida é muito curta para se jogar fora na frente da TV, na frente de um PC”, da primeira faixa “Rock’ n’ Roll”, joga na cara do ouvinte um protesto melancólico e reflexivo. Um jeito incisivo de proferir uma visão filosófica de estilo de vida. Isso é rock’ n’ roll!

Contudo, mesmo com bons arranjos e composições consideráveis, a princípio o disco soa um pouco maçante em conceitos gerais, embora traga um rock honesto e transparente, mostrando um compositor de talento que abraça a causa e trabalha duro para levar sua música ao público.

Destaques ficam para a cativante “Quebrando minha própria prisão” (com uma timbragem gostosa no estilo AC/DC) e “Agora que eu me vejo sem você” que narra uma desilusão amorosa numa vibe enérgica que nos remete aos tempos de jovem guarda pela linguagem adolescente açucarada.

Um trabalho fruto de muita dedicação e boa vontade de proferir a pura essência do Rock’ n’ Roll.

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