FAGNER: 5 Discos Pra Conhecer

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Raimundo Fagner é um dos nomes mais importantes da música brasileira na segunda metade do século XX.

Indo desde o nascedouro do que se convencionou a chamar de Rock Rural, com seu primeiro álbum e o sucesso da canção “Canteiros”, passando pela versatilidade da fusão de ritmos latinos diversos com a  M.P.B. de estética nordestina, até a explosão comercial nos anos 1980, colecionando sucessos românticos e trilhas sonoras de novelas da Globo, sendo parte indissociável da cultura pop brasileira dos anos setenta e oitenta.

Hoje, elaboramos uma lista com cinco álbuns básicos para entender todas as nuances da obra riquíssima deste abençoado cearense. Confira, enquanto lê nosso texto, uma playlist com alguns grandes momentos do cantor Fagner…

 

1) “Manera Fru Fru, Manera: O Último Pau de Arara” (1973)

Imagem relacionadaContando com participações estreladas de Nara Leão e Naná Vasconcelos este álbum é um dos arautos da invasão nordestina na Música Popular Brasileira na década de 1970, apesar de ser um verdadeiro fracasso de vendas à época de seu lançamento, o que motivou seu recolhimento, mesmo com momentos gloriosos como “Mucuripe”, “Canteiros”, “Penas do Tiê”.

A composição “Canteiros” é um dos maiores momentos de sua carreira, onde ele usou trechos das canções “Na Hora do Almoço” de Belchior, e “Aguas de Março” de Antônio Carlos Jobim, além de ser alvo de um processo de plágio  (o que também aconteceu com “As Penas do Tiê”) impetrado pelas filhas da poetiza Cecília Meirelles por conter versos adaptados do poema “Marcha”. A PolyGram pagou uma vultosa multa à família de Meirelles e nunca mais a relançou. E mesmo isso não foi capaz de tirar o brilho da canção, muito menos do álbum!

2) “Ave Noturna” (1975)

Resultado de imagem para ave noturna fagnerEste segundo álbum de estúdio de Fagner marca sua estréia nas trilhas sonoras de telenovelas, ainda na TV Tupi. “Beco dos Baleiros” foi tema de Ovelha Negra (1975), mas as estrelas do repertório são, sem dúvidas, “A Palo Seco” de Belchior (e que também foi registrada no clássico “Alucinação” (1976)), “Astro Vagabundo” (em parceria com Fausto Nilo) e “Retrato Marrom”.

Numa roupagem bem diferente de seu primeiro álbum, Fagner conseguiu maior proeminência no cenário nacional ao caminhar para algo mais popular e menos ousado que o anterior, mas não menos delicioso de se apreciar, principalmente por dar mais protagonismo à sua voz e marcar bem seu sotaque envolvente!

3) “Eu Canto – Quem Viver Chorará” (1978)

Resultado de imagem para Quem viver chorará fagnerNo fim da década de 1970 Fagner terminava de ajustar sua identidade musical que seria tão marcante na próxima década, com sucesso comercial arrebatador. Neste seu quinto álbum, já tínhamos lapsos do que seria visto, mas também ainda podemos sentir os pés do cantor firmes em sua veia musical setentista mais ousada, o que pode ser sentido em “Revelação” (com guitarras dilacerantes de Robertinho do Recife, um gênio brasileiro das seis cordas), “Jura Secreta”, “Pelo Vinho e Pelo Pão”.

Mais uma vez, Fagner enfrentaria um processo por plágio pelas herdeiras de Cecília Meireles, agora por causa da faixa “Motivo” (com participação de Amelinha), o que levou a gravadora CBS a substituí-la por “Quem Me Levará Sou Eu” (campeã do Festival 79 da Rede Tupi) em uma nova edição.

4) “Traduzir-se” (1981)

Resultado de imagem para traduzir-se fagnerEm 1977, por intermédio de Vinícius de Moraes, Fagner conheceu o poeta Ferreira Gullar, nome que viria a influenciar poeticamente um de seu melhores discos. Ao menos o meu favorito! A parceria renderia inúmeros momentos refinados, e também sucessos populares, como “Borbulhas de Amor”, seu maior sucesso comercial.

Mas “Traduzir-se” é um dos momentos mais belos do cancioneiro nacional, tanto em letra quanto em música, que já valeria o álbum o qual empresta o título, mas aqui ainda temos a emblemática e belíssima “Años”, com a cantora argentina Mercedes Sosa, além da estonteante “Fanatismo”.  Este oitavo álbum de Fagner foi sucesso na Europa e na América Latina, muito pelas participações dos espanhóis Joan Manuel Serrat (em “La Saeta”) e Camarón de la Isla (em “La leyenda del tiempo”).

5) “Romance no Deserto” (1987)

Resultado de imagem para Romance no Deserto fagnerEste álbum é o ápice do sucesso popular aliado ao bom gosto de Fagner, quando seu nome já era gigantesco dentro do cenário nacional, e suas músicas vinham embebidas num sentimentalismo irresistível.

O que dizer de “À Sombra de um Vulcão” “Deslizes” (de Michael Sullivan e Paulo Massadas), duas músicas de dilacerar o coração de um ser apaixonado? Pois é, a mídia especializada achava que eram comercialismo musical barato e tachou Fagner de cantor brega de modo implacável.

E nesse período “brega” de Fagner, ainda temos um “releitura” para “Romance In Durango”, de Bob Dylan, lançada no álbum “Desire” (1976), que em sua “versão brasileira” foi a faixa-título deste 14º álbum de Fagner, que ainda merece menção por “Você endoideceu meu coração”.

MENÇÕES HONROSAS:“Beleza” (1979, este é o álbum que traz “Noturno”, uma de suas mais belas canções), “O Quinze” (1989, o clássico “Retrovisor” está presente aqui), “Amigos & Canções” (1998, álbum duplo com duetos marcantes), e “Fagner e Zé Ramalho Ao Vivo” (2014).

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